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A fome como herança

Por Luiz Antônio Gaulia, Colunista de Plurale

Holodomor é um marco sombrio na história da humanidade. Trata-se de uma palavra que os ucranianos traduzem como “deixar morrer de fome” ou “morrer de inanição”. Ela nos remete aos acontecimentos que levaram à morte pela fome de milhões de ucranianos entre os anos de 1931 e 1933 e remonta às diretrizes que Joseph Stalin passou a empregar quando assumiu o poder na antiga URSS.

Segundo diferentes estimativas e somando as vítimas indiretas por mortes por inanição física completa, tifo, intoxicações gastrointestinais, canibalismo, repressões policiais e até suicídios motivados pelas perturbações psíquicas e todo o colapso social provocado pelas decisões de Stalin, o Holodomor levou as vidas de aproximadamente 10 milhões de pessoas.

Ora, e o que vemos agora no Brasil com as decisões autoritárias de centenas de Prefeitos fechando cidades inteiras? A quebra do comércio de rua, falências de pequenos e médios empresários, destruição de redes de serviços, impedimento de trabalho de milhares de trabalhadores informais e dificuldades até para ações solidárias individuais junto aos desabrigados. A cidade de Aparecida em São Paulo é um exemplo assustador de paralisia e caos social, causado por decisões arbitrárias feitas a partir de gabinetes. A cidade possui mais de 70% da população desempregada segundo notícia da Gazeta do Povo.

Somos testemunhas de um empobrecimento galopante da população brasileira. Alerto que o Estado, na sua ânsia de controle e comando, interfere de forma brutal nas relações comerciais e econômicas que acontecem naturalmente entre cidadãos e indivíduos e a cada nova interferência provocam maior desordem, mais dificuldades e na maioria das vezes mais burocracia. Se precisamos de lockdowns nas cidades, precisamos também do cancelamento de impostos de forma imediata. Se cidades inteiras ficam fechadas, qual o motivo de custearmos os salários integrais e os privilégios dos Prefeitos, Secretários e Câmara de Vereadores?

Nós brasileiros somos especialistas em “dar nó em pingo de água” e inventamos trabalho para sobreviver de forma criativa e alegre, destemida e com muita fé. O brasileiro é antes de tudo um forte, já disse o poeta. Mas o dirigismo estatista e o viés autoritário de nossos políticos teimam em oprimir e refrear a liberdade do nosso povo e sua liberdade para inventar trabalho, de ir e vir, sobreviver e buscar de forma honesta o ganha pão diário. Somemos a isso as recentes e crescentes imagens de brutalidade dos guardas municipais totalmente despreparados para lidar com o desespero de trabalhadores e temos um quadro ainda mais preocupante.

Segundo matéria no site da Plurale, em 2020, a pandemia afetou diretamente não só pessoas em situação de vulnerabilidade social, mas também “quem se virava e tinha um trabalho mesmo que informal”. Uma caminhada na cidade do Rio de Janeiro, seja Centro, Zona Sul ou Zona Norte pode confirmar essa afirmação. Ainda sobre a mesma matéria, destaco as palavras do economista Francisco Menezes: “As pessoas ficam desprovidas de renda, de início se endividam, depois já não tem mais condições de garantir compras de alimentos, mesmo os de mais baixo valor e pior qualidade”. Ou seja, a pobreza e a fome são gravíssimas consequências de decisões muitas vezes intempestivas e draconianas de dirigentes municipais e estaduais despreparados para o cargo que ocupam.

Nesse contexto é importante salientar que as empresas como geradoras de empregos e riqueza na forma de impostos, também perdem sua capacidade de funcionamento diante de decretos que mais parecem propaganda política causando mais estardalhaço na imprensa do que resultados benéficos. As empresas não podem ser tratadas como ilhas de prosperidade que se sustentam com as portas fechadas”, ressalta o Presidente da Fecomércio RJ, Antonio Queiroz em artigo no site da instituição e alertando que o setor não suportará novos fechamentos.

Uma terra arrasada, com lojas, comércios fechados, serviços parados já estão causando o desespero de famílias inteiras e provocando maior caos social nas cidades de todo o Brasil. É ilusão pensar que sem empresas, serviços, comércio e o trabalho livre gerando riqueza e pagando impostos algum governante vai conseguir combater a fome. Lembremos da história da Ucrânia e das decisões do stalinismo para comandar a economia por meio de decretos para termos a exata noção de que uma economia pujante, com livre iniciativa e menos intervenção do Estado são o melhor caminho para combater a pobreza e gerar riqueza.

Afinal, ninguém quer a fome como herança.

Fontes citadas:

FECOMÉRCIO RJ SE POSICIONA SOBRE AS MEDIDAS DE ENFRENTAMENTO À COVID 19

http://www.fecomercio-rj.org.br/noticias/fecomercio-rj-se-posiciona-sobre-medidas-de-enfrentamento-covid-19

APARECIDA - DESEMPREGO

https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/aparecida-desemprego/

PLURALE- PELO MENOS 10 MILHÕES DE PESSOAS PASSAM FOME NO BRASIL

https://www.plurale.com.br/site/noticias-detalhes.php?cod=18247&codSecao=6

HOLODOMOR

https://www.britannica.com/event/Holodomor







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2 comentários | Comente

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Luiz Gaulia |
Henkel, grato pelo seu comentário. Temos muito a fazer pela frente. Cabeça erguida para enfrentar os mecanismos do poder, caridade para com os mais necessitados e fé para seguirmos em frente.

Hekel |
Tentando responder à perguntas reflexivas no artigo, como: qual o motivo de custearmos os salários integrais e os privilégios dos Prefeitos, Secretários e Câmara de Vereadores? Respondo: motiva-se pela nossa falta de fome de justiça, resultante de um aparelhamento estatal por lideranças isoladas. Atrás de cada umbigo egoísta há uma barriga saciada. Sem misericórdia. Falta-nos o sincero arrependimento pela indiferença histórica a cada semelhante. Sequer aprendemos o compartilhamento com os menos favorecidos. Basta-nos a senha senha do "wi-fi" e os aplicativos de "deliveries".