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Casos e Causos

Os netos e as brincadeiras criativas e

Por Nícia Ribas, de Plurale

Em 1992, logo após a inauguração do telefone celular no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro, voltei para a redação do Jornal da Telerj (hoje conhecida como Oi), empresa que havia lançado a novidade, e fiz um texto sobre a importância da comunicação móvel para o homem moderno, afirmando: “De agora em diante, o corpo humano é formado de cabeça, tronco, membros e celular.” Na época, pensei lá com meus botões que estava exagerando um pouco, mas valia a pena o exagero para atrair leitores e incentivar o uso da nova tecnologia.

Hoje, quase 30 anos depois, constato que não houve exagero e que a novidade foi tão incorporada que, como tudo que é demais, acabou se transformando num problema, principalmente para crianças e jovens “viciados” na telinha. Canso de ver pais tentando afastar seus filhos do celular, com limitação do tempo de uso, castigos os mais diversos e compensações para aqueles que concordam em reduzir joguinhos e conversas pelo whatsapp.

Nas ruas, verdadeiros zumbis com os olhos fixos na tela têm causado acidentes. Nos restaurantes, é comum ver mesas com famílias numerosas, cada um na sua vibe, sem conversas paralelas. Neurologistas já provaram que a prática prejudica o desenvolvimento do cérebro em fase de formação. Mas o que fazer para conter essa paixão, quase uma obsessão?

Minha proposta é sugerir outras formas de entretenimento para intercalar com o uso do celular. Ler junto com as crianças menores e buscar títulos que realmente interessem às mais velhas, é, sem dúvida, uma das melhores opções. A Ler.com lançará um Catálogo de Livros Infanto Juvenis por faixa etária, com o intuito de ajudar pais e avós nessa missão.

Jogos e brincadeiras

Além disso, podemos tirar do baú jogos e brincadeiras do tempo dos avós para entreter crianças em casa ou em viagens longas. Todos os avós têm suas lembranças e poderão compartilhá-las.

Aqui vão as minhas:

- Associação de ideias- o primeiro participante escolhe uma palavra qualquer e cada um na roda tem que rapidamente falar a que lhe vier à mente. Exemplo: Água - Mar – Peixe – Comida – Fome – Sobremesa – Açucar – Branco – Núvem. E assim vai até que alguém não lembra, desiste e aos poucos vão sendo eliminados do grupo. Vence o último.

- Retrato – Um integrante do grupo mentaliza uma pessoa que seja conhecida de todos. Os demais fazem perguntas, que só podem ser respondidas com SIM ou NÃO. Por exemplo: É homem? Mora em Curitiba? Tem cabelos louros? E por aí vai até descobrirem quem é.

- Amigo ou Amiga? Um dos participantes escolhe uma palavra que tenha duplo sentido, como Banco (de praça) e Banco (de $$$). As outras podem fazer três perguntas até descobrir a palavra. As perguntas são: Onde se pôe? Como gosta? Pra que serve? Pelas respostas, vão descobrir. Ou não.

- Verbo Pititar – Um dos participantes sai da sala. Os demais escolhem um verbo qualquer, que represente uma ação, como dançar, comer, roubar, etc... Chamado de volta, o amigo que saiu terá que descobrir qual é o verbo, através de perguntas usando o verbo por pititar no lugar daquele a ser descoberto. Exemplo: Você já pititou hoje? É bom pititar? Custa caro pititar? Pititar dói? A gente usa as mãos para pititar? Pelas respostas será possível descobriu. Ou não.

- Conhecimentos gerais – Se o grupo for da mesma faixa etária, o adulto participante poderá fazer perguntas de conhecimentos gerais no nível de aprendizado das crianças. Quem responder corretamente vence.

- Letra de música – Escolhe-se uma palavra, como coração, saudade, natureza... E pede-se ao grupo que cante um trecho de música com aquela palavra.

- Cálculos – Aqui também depende do nível de aprendizagem dos participantes. O adulto participante vai propondo: 10 + 5 – 2 + 7..... Os participantes vão fazendo as contas de cabeça e no final tem que acertar o resultado.

- Forca – A brincadeira de forca todos conhecem, mas aí já exige papel e lápis sobre uma mesa, com as pessoas em volta.

- Stop – Essa também exige material. Uma folha para cada participante, com as colunas Nome, Cidade, Profissão, Fruta, Animal. Um dos participantes é escolhido para falar o alfabeto de A a Z mentalmente. Outro grita STOP e a letra que estava sendo dita é sorteada para o jogo. Cada um tem que preencher as colunas sempre usando a letra sorteada.

Está lançada a ideia. Esperamos receber outras. Sempre compartilhando.

A ciência acaba de dar mais um bom motivo para limitar o tempo que as crianças passam em frente às telas. De acordo com um estudo publicado recentemente no periódico científico The Lancet Child & Adolescent Health, usar dispositivos eletrônicos — incluindo celulares, tablets e computadores — por mais de duas horas diárias prejudica o desenvolvimento cognitivo dos pequenos.

O motivo? “Cada minuto gasto em frente às telas equivale a um minuto a menos de sono ou de atividades cognitivamente desafiadoras”, escreveu Eduardo Esteban Bustamante, pesquisador da Universidade de Ilinois, nos Estados Unidos, em um editorial que acompanhou o estudo.

Para reduzir os riscos, os pesquisadores do Instituto de Pesquisa do Hospital Infantil de Eastern Ontario, no Canadá, recomendam que os pais e responsáveis limitem a, no máximo, duas horas por dia o tempo que ocioso que crianças com idade de 5 a 13 anos usam esses dispositivos.

Para chegar a essa conclusão, o estudo avaliou os hábitos de cerca de 4.500 crianças americanas, com idade entre 8 e 11 anos. Os resultados mostraram que a minoria das crianças cumpria todas as diretrizes recomendadas para a infância, como dormir de nove a onze horas por noite, praticar pelo menos sessenta minutos de atividade física por dia e usar dispositivos eletrônicos por no máximo duas horas por dia.







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1 comentário | Comente

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Keli Vasconcelos |
Excelente matéria! Adorei a brincadeira "piticar" e brinquei demais de "Stop" na adolescência. Mas, a gente falava "Uestopí"! Sou analógica ao máximo e quando aparecem por aqui os primos, todo mundo vai fazer origami, desenho, teatro de sombras. Por mais minutos de vida!