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Eu não sou doente. Sou experiente!

Por Fernando Thompson, Colunista Plurale

Doutorando em Comunicação e consultor

A OMS deu ontem mais uma mancada. Depois dos erros na condução da pandemia da Covid 19 (não podemos esquecer que eles demoraram a decretar a pandemia, o que permitiu que o vírus se espalhasse pelo mundo), eles dizem ao mundo que ser velho é ser doente. Veja a reportagem publicada pelo jornal O Globo:

Num momento em que os avanços da medicina permitem ao ser humano viver mais e melhor, esses burocratas decidem incluir na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionadas à Saúde (CID) _ uma espécie de bíblia do setor e seguida por todos os médicos do mundo _ o código MG2A, que se refere à velhice. Isso significa que pessoas internadas podem ser classificadas como velhas só por terem mais idade, e assim serem tratadas. Os riscos advindos dessa bobagem cartorial podem levar a erros de tratamento, por exemplo, no limite, uma pessoa com problemas respiratórios aguda podem simplesmente receber tratamento paliativos se forem classificadas como velhas, com um sistema respiratório debilitado pela idade. Isso trará consequências graves para políticas públicas mundo a fora.

Essa mesma OMS até 1973, classificava a homossexualidade como doença. A OMS é uma agência especializada em saúde, fundada em 7/4/78 e subordinada à ONU, com sede em Genebra, na Suíça. O diretor-geral é, desde julho de 2017 pelo etíope Tedros Adhanom, um sr de 56 anos _ apenas um mês mais novo do que eu. Ou seja, pelas regras que a OMS acaba de aprovar, o sr Adhanom é um doente e como tal deve ser tratado. Local de doente é no hospital, sr Adhanom, não num confortável escritório na aprazível Genebra.

O mais grave desta descabida medida é a mensagem que ela manda ao mundo: senhores mais velhos, façam como os elefantes, retirem-se do convívio social e padeçam as suas decrepitudes longe dos olhos dos mais novos.

Recuso a me isolar do mundo. Aos 56 anos, ainda #tenholenhapraqueimar. Estou a iniciar o meu doutorado na Universidade Nova de Lisboa, mudei de país (estou em Portugal), busco novos desafios. Não, sr Adhanom! Eu não serei um elefante! Quero ainda contribuir com mais ideias e ações para mudar este mundo ainda tão injusto 9 (e olha que eu já fiz muita coisa). Quero desenvolver a minha teoria de comunicação, onde vou provar que as redes sociais têm limites na influência da imagem das corporações. Está na hora de criar formas de gerir imagens, que não fiquem limitadas a métricas e esqueçam os valores e as ideias.

O ageísmo não pode prosperar. Basta às sentenças de isolamento forçado dos 50+. Vamos à luta para buscar nossos espaços, mesmo que isso signifique combater a OMS e o doente sr Adhanom.







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2 comentários | Comente

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Edvaldo Reis |
Parabéns excelente texto e muito bem colocado. Fernando, você sempre na vanguarda!

Cleber |
Qualificar "pessoas velhas" como doentes não facilita a empregabilidade daqueles que com mais idade já enfrentam as dificuldades inerentes a empregabilidade. Nenhum patrão quer contratar um doente e velho. Agora com "respaldo técnico" os +50 estão na mira do ostracismo.