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A gestação e a saúde oral

Por Teresa Chacur de Miranda
Doutora em Odontologia pela UFRJ e Mestre em Endodontia pela UFRJ

A gestação é um estado singular e valioso no ciclo de vida da mulher.
As gestantes ficam mais susceptíveis a terem problemas dentários devido às mudanças psicológicas, físicas e hormonais, que criam condições adversas no meio bucal.
O atendimento odontológico é um assunto bastante controverso, principalmente em função dos mitos que são baseados em crenças antigas sem fundamentação científica, tanto por parte da gestante quanto por parte dos cirurgiões-dentistas.
Todo o tratamento odontológico considerado emergencial pode ser feito durante a gravidez, desde que se observe alguns cuidados para que a segurança física e emocional da gestante seja preservada.
Os tratamentos mais eletivos devem ser executados no pós-parto e os atendimentos necessários para manter a boca saudável e sem dor devem ser realizados preferencialmente no segundo trimestre da gravidez.
Em situações de emergência, a grávida deve ser atendida imediatamente.
Durante a gestação ocorrem alterações emocionais, endócrinas, gastrointestinais, respiratórias e cardiovasculares que, muitas vezes, causam compressão da bexiga, elevação do diafragma e problemas nos vasos sanguíneos, que geram bastante desconforto para a gestante
A paciente em estado de gravidez deve manter uma higiene oral rigorosa, pois, durante essa fase, a saliva muda o seu ph favorecendo o crescimento de bactérias e levando a uma maior incidência de cáries.
Também podem ocorrer mais gengivites (gengivite gravídica) hiperplasia gengival e úlceras aftosas.
Somente as urgências podem ser feitas no primeiro trimestre da gravidez, porque tanto a permanência da dor de um dente inflamado quanto a de um abscesso dentário, além de levar ao sofrimento e ao estresse da paciente, vão induzi-la a um forte uso de anti-inflamatórios e /ou antibióticos, o que poderia prejudicar a gravidez e o bebê.
No atendimento de emergência o dentista pode tirar raio-x. Mas, nunca deve se esquecer de usar o avental de chumbo e o protetor de tireóide, dando preferência aos raio-x digitais, que reduzem a radiação em 98% em comparação ao uso dos raio-x analógicos (películas).
Quanto à aplicação da anestesia, essa deve ser sem adrenalina, limitada a 2 tubetes por sessão, e deve ser aplicada de forma lenta e sem traumas.
Se for necessário o uso de medicamentos, deve- se dar preferência ao Paracetamol e evitar a Dipirona, a não ser que o obstetra permita o uso.

Anti-inflamatórios devem ser evitados.
O atendimento adequado por parte do dentista já será capaz de tirar a dor e abrandar a situação.
Em relação ao uso de antibióticos, vale a pena lembrar que uma infecção traz mais riscos para o feto do que ir ao dentista e tomar um antibiótico.
Os mais seguros são a Amoxilina e a Amoxilina com o Ac. Clavulânico e, se a paciente for alérgica à penicilina, usa-se a opção da Clindamicina
Sempre que possível, deve ser feito o contato com o médico responsável pela paciente, para troca de informações, visando o plano de tratamento odontológico e a avaliação da relação risco/benefício quanto ao emprego dos medicamentos.
Esse procedimento, além de ético, tem um efeito psicológico de extrema importância para a gestante, aumentando sua confiança no profissional e trazendo segurança com relação ao tratamento proposto.
Nos atendimentos, as consultas devem ser agendadas dando preferência pela parte da manhã, e não devem ser muito longas, procurando se colocar a paciente o menos inclinada possível.
Os tratamentos odontológicos que podem ser realizados durante a gravidez, incluem as restaurações dentárias, as exodontias não complicadas, o tratamento periodontal, o tratamento endodôntico e a colocação de próteses unitárias.
Por uma questão de bom senso, as reabilitações orais extensas e as cirurgias mais invasivas devem ser programadas para o período pós-parto, sempre que possível.
Já é consenso atualmente que a presença de um foco de infecção na paciente gestante é mais prejudicial à saúde da mãe e do bebê do que as próprias intervenções odontológicas.
Os primeiros três meses de gestação compreendem um período delicado, em que está ocorrendo a organogênese do feto e existe uma maior incidência de abortos espontâneos. Por isso, não é um período adequado para se promover qualquer tratamento, a não ser o emergencial.
A maioria das pacientes pode mostrar indisposição, enjoos pela manhã e náuseas à menor provocação.
Já o segundo trimestre de gestação representa o melhor momento para o atendimento das gestantes.
Durante esse período, a organogênese está completa e o feto já desenvolvido. A mãe sente-se mais confortável para ficar algum tempo no consultório, quando comparado aos estágios iniciais ou ao final da sua gravidez.
No terceiro trimestre da gestação, em particular nas últimas semanas, não é recomendado que seja realizado um atendimento demasiadamente demorado. Várias pacientes têm a frequência urinária aumentada nesta época, edema nas pernas e sentem-se desconfortáveis na posição muito deitada, devido à compressão provocada pelo feto.
Importante lembrar que uma gestante não é uma paciente doente e sim uma pessoa que requer atenções e cuidados especiais







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