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CAF-E-ART: A arte de reciclar a madeira do café

Em Espírito Santo do Pinhal, região produtora de cafés especiais, no interior de São Paulo, nasceu o Caf-e-Art. As árvores mortas dos cafezais são transformadas em objetos de arte e utilidades domésticas. A proposta é do Engenheiro Agrônomo e Design, Roberto Sgarzi, para reduzir os impactos ambientais dos resíduos do café.

Texto e fotos por Virgínia Queiroz, Especial para Plurale

De Espírito Santo do Pinhal, SP

Criado numa família de cafeicultores de Espírito Santo do Pinhal, interior de São Paulo, Rogério Sgarzi, o Guzi, decidiu dar um destino diferenciado às árvores que anualmente passam pelo processo da “recepa”, a poda drástica dos pés de café. “ Elas são produtivas por 15, 30, 50 anos. Mas já vi pés de café com 100 anos. Quando passam de 14, 15 anos, dependendo das condições da plantação ou de efeito das geadas, é necessário fazer a ” recepa”, uma poda que corta a árvore a 30, 40 centímetros do chão para que a planta brote novamente e volte a produzir os grãos de café. “

O processo anual de tirar as árvores mortas é um gasto a mais para os produtores. E, na maioria das fazendas, elas viram lenha. Ao olhar para a quantidade de madeira que fica abandonada nas fazendas, Roberto Sgarzi (foto) resolveu dar outro destino às árvores que produziram por tantos anos frutos de excelência que dão fama ao café produzido na Serra da Mantiqueira e à bebida apreciada no mundo todo. Com o Caf-e-Art a cadeia produtiva do café ganhou mais uma etapa nas mãos do engenheiro agrônomo que descobriu sua habilidade para produzir objetos usando árvores descartadas.

O PROCESSO CRIATIVO

O pai de Roberto Sgarzi já tinha a marcenaria numa das fazendas da família. Ele levou as primeiras árvores e começou a trabalhar com os troncos. “ Eu percebi que mesmo sendo uma madeira mais frágil, mais mole, era possível dar um destino nobre para os cafezeiros e assim surgiu a marca Caf-e-Art. Roberto Sgarzi começou a fazer as primeiras peças em 2007. “ Ela é uma madeira que permite muitas possibilidades. Já recebi encomendas de esculturas, mesas, peças de decoração e para escritório, fiz também a decoração de um hotel. Todas as cabeceiras do hotel Vila do Poeta, que fica no centro da cidade de Espírito Santo do Pinhal, foram produzidas na oficina. Atualmente emprego na marcenaria 8 jovens da região, que foram treinados aqui. “

Roberto Sgarzi recolhe os antigos pés de café em fazendas de toda a região. “ Se está no meio da roça, eu vou e retiro. Se o fazendeiro quer vender e já estocou os troncos, compro por um valor simbólico e reciclo a madeira. E o que sobra do processamento, também é aproveitado na secagem da madeira e para acender lareiras no inverno. Como alguém que se preocupa com a natureza, faço a minha arte e gero emprego e renda com o cafeeiro que ninguém dava valor, conclui”.

Hoje a Caf-e-Art produz e vende 5000 peças/ano e tem uma linha de 100 objetos. Uma linha foi desenvolvida para a Tok Stok (foto acima) dentro do conceito de produto ecossocial. As demais peças são vendidas no próprio ateliê do artesão, que fica numa fazenda de café em Espírito Santo do Pinhal. As peças são feitas artesanalmente e, devido às características da madeira, têm irregularidades que fazem parte do design dos produtos. Roberto Sgarzi desenvolve peças autorais e também atende encomendas de outros designers que estão descobrindo que o café pode dar um toque na decoração, gerar renda e contribuir com a sustentabilidade do planeta.

ROBERTO SGARZI - Artesanato em Madeira de Café (19 ) 99777 0108

https://linktr.ee/cafeart

https://instagram.com/caf_e_art?utm_medium=copy_link







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