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I beg your pardon, Your Majesty?

Por Fernando Thompson, Colunista de Plurale

O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado no dia 9/08, acendeu o sinal vermelho: temos pouco anos para salvar o planeta de um desastre climático sem precedentes. O IPCC é um órgão das Nações Unidas (ONU) e põe o Brasil numa situação delicada neste processo. Segundo dados de órgãos ambientais, o Brasil é um dos grandes vilões climáticos, ao se recusar a adotar medidas concretas que evitem a degradação das nossas florestas (em especial da Amazônia) e ao insistir em uma política energética baseada em combustíveis fósseis_ em especial o carvão (foto abaixo) e o petróleo.

Pois bem, saibam que uma adorável senhora de 95 anos, amada por milhões de pessoas ao longo do planeta, também está mal na foto climática. Estamos a falando de Isabel II (em inglês: Elizabeth II), a Rainha do Reino Unido e de quinze outros Estados independentes, conhecidos como Reinos da Comunidade de Nações. Elizabeth é a rainha dos seguintes países independentes: Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, Jamaica, Barbados, Bahamas, Granada, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão, Tuvalu, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Belize, Antígua e Barbuda e São Cristóvão e Nevis.

Apesar da casa de Windsor, atual dinastia que reina sobre todo o Reino Unido, ter se destacado por discurso em favor do meio ambiente e na defesa dos direitos humanos, os advogados da rainha Elizabeth II pressionaram ministros do Governo escocês para alterarem um projeto de lei, em benefício da família real. De acordo com documentos revelados pelo jornal britânico The Guardian, o objetivo seria o de garantir que as propriedades privadas da monarca não sejam alcançadas por uma nova lei, que tem como objetivo reduzir as emissões de gases de efeito estufa. Esta alteração daria à rainha, uma das maiores detentoras de terrenos na Escócia, a condição de única pessoa daquele país não obrigada a cumprir a nova lei, que determina a construção de uma rede alimentada com energias renováveis, que servirão para aquecer casas e empresas. A vantagem deste sistema, seria a redução de emissões de CO2.

Os documentos revelados pelo The Guardian, mostram também que o Governo de Nicola Sturgeon _ primeira-ministra da Escócia _ escondeu as pressões da família real britânica, depois de um político escocês ter questionado, durante um debate parlamentar, sobre o motivo pelo qual a rainha lutava para conseguir isenção da nova lei. Para aprovar o benefício, os advogados da monarca usaram um procedimento parlamentar chamado “consentimento da rainha”, algo que dá à monarca um conhecimento prévio da legislação. Paul Wheelhouse, então ministro da Energia escocês, disse que esta alteração do projeto original foi crucial para garantir a aprovação da lei, mas também não deixou claro, no debate sobre este projeto, que os advogados da rainha tenham discutido com o Governo a modificação da lei. Segundo do The Guardian, o antigo ministro disse ainda que estas isenções são, por vezes, um passo essencial para obter a aprovação da rainha. A lei acabou aprovada em fevereiro, depois de Elizabeth II ter concordado com a alteração.

Uma senhora rica

Segundo outro jornal britânico, "Sunday Times”, a rainha Elizabeth possui uma coleção impressionante de propriedades, cavalos, arte e joias e ocupa a 344ª posição na lista dos mais ricos do Reino Unido. Em 2016, a revista "Forbes" revelou que o patrimônio líquido pessoal da rainha era de US$ 530 milhões. A rainha recebe uma "ajuda" anual do governo inglês para apoiar seu trabalho como soberana; e o dinheiro gerado pelo Ducado de Lancaster, um conjunto de terrenos e outros ativos de cerca de 18.000 hectares na Inglaterra e no País de Gales. O "Sunday Times" calculou que toda a fortuna da família real é estimada em US$ 88 bilhões.

Rumo ao caos climático

O relatório do IPCC deixa claro que:

1. A influência humana é “inequívoca e inquestionável”

Criado por 234 cientistas de 66 países, o estudo afirma que "é inequívoco que a influência humana aqueceu a atmosfera, os oceanos e a Terra". Segundo o IPCC, a humanidade foi responsável por esquentar o clima a uma taxa “sem precedentes” nos últimos 2 mil anos e provavelmente somos os maiores culpados pelo recuo global das geleiras desde a década de 1990.

António Guterres, secretário-geral da ONU, comenta em comunicado que o texto é nada menos do que "um código vermelho para a humanidade”. “Os alarmes são ensurdecedores e as evidências são irrefutáveis", reitera.

2. Na nossa conta

Pela primeira vez, o IPCC quantificou a responsabilidade das ações humanas no aumento da temperatura na Terra. Além de provavelmente já termos elevado as médias em 1,07°C, os cientistas acreditam que um aumento de 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais será alcançado até 2040 em todos os cenários possíveis. E mais: até o fim do século 21, o aquecimento global pode ultrapassar 2°C em relação ao período anterior a 1850. Analisando o documento, o Observatório do Clima (OC) destaca que as concentrações de CO2 (dióxido de carbono), CH4 (metano) e N2O (óxido nitroso), os três principais gases de efeito estufa na atmosfera, são as maiores em 800 mil anos, e as taxas atuais de CO2 não são vistas desde 2 milhões de anos atrás. A única forma de evitar isso, segundo o relatório, seriam reduções rápidas e profundas nas emissões de gases do efeito estufa nas próximas décadas, senão as metas do Acordo de Paris, realizado de 2015, estarão fora de alcance. O tratado prevê a manutenção da temperatura média global neste século abaixo de 2ºC, sendo 1,5ºC o limite ideal.

3. Já vivemos o caos climático

Os últimos cinco anos foram os mais quentes já registrados desde 1850. Todas as regiões do planeta passam por eventos climáticos extremos como secas, incêndios florestais, chuvas fortes, ciclones tropicais, derretimento de geleiras e ondas de calor – essas que se tornaram mais frequentes e intensas desde a década de 1950. O ciclo da água também foi afetado, alterando os padrões de precipitações e causando inundações. Nas altas latitudes, os volumes de chuva poderão aumentar daqui para frente, enquanto nas regiões subtropicais haverá uma diminuição dos mesmos. Já eventos de aumento do nível do mar, que anteriormente ocorriam uma vez a cada 100 anos, poderão ocorrer todos os anos até o final do século 21.

4. Planeta em degelo

Várias dos fenômenos citados no texto, como o aumento contínuo do nível do mar, são irremediáveis. O Ártico, por exemplo, deve ficar praticamente sem gelo no pico do verão (em setembro) pelo menos uma vez antes de 2050, em todos os cenários avaliados pelo IPCC. As geleiras continuarão perdendo massa durante décadas mesmo se a temperatura global for
estabilizada. Os mantos de gelo da Antártida e da Groenlândia também continuarão a perder massa neste século. O Observatório do Clima observa que o nível do mar subiu 20 centímetros entre 1901 e 2018. A taxa de elevação saltou de 1,35 milímetro por ano entre 1901 e 1990 para 3,7 milímetros por ano entre 2006 e 2018. Desde 1900, o nível dos oceanos subiu mais rápido do que em qualquer outro período nos últimos 3 mil anos. Na visão do OC, as constatações do IPCC não são alarmistas — ao contrário. "Como reflete o consenso científico e os estudos mais aceitos da literatura, o IPCC tende a ser bastante conservador em seus relatórios, e mais conservador ainda em seus sumários para tomadores de decisão", avalia a entidade.

171 anos de poluição

Um estudo da Climate Watch mostra ao logo dos últimos 171 anos, o Reino Unido vem se mantendo no desonroso ranking dos dez maiores emissores de gases do efeito estufa.

Segundo o site WRI Brasil, a abordagem deste estudo considera que os gases de efeito estufa não desaparecem da atmosfera ano a ano. Eles persistem. Segundo a Nasa, a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera no início do século 20 estava em menos de 300ppm (partes por milhão). A atualização dos dados em fevereiro de 2019 mostra uma concentração de 411ppm.

O gráfico de emissões acumuladas mostra quem são os maiores responsáveis pelo aumento da concentração de carbono e, consequentemente, pelas mudanças climáticas. Nesse gráfico, a posição dos Estados Unidos é indiscutível como a de maior emissor historicamente, seguido pela China, que aparece nos anos mais recentes, e pela Rússia, que aumentou suas emissões após a forte industrialização promovida pela União Soviética.

O Brasil não aparece entre os dez maiores emissores nesse gráfico, mas isso não significa que ficamos isentos de responsabilidade. O próprio Acordo de Paris considera que todos os países têm responsabilidade em atuar para controlar as mudanças climáticas, levando em conta as diferentes realidades de cada sociedade.







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