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Quero minha bandeira de volta!

Por Marcia Cavallieri

Especial para Plurale

Não aguento mais olhar pessoas de verde-amarelo e pensar que elas podem ter esta ou aquela preferência política.

Não suporto tampouco ver alguém de vermelho e lembrar que certamente deve ter uma posição mais à esquerda.

Quero poder usar minha camisa do Brasil ou um vestido rubro ou, ainda, uma roupa de arco-íris, sem que alguém me julgue pela minha ideologia (a)partidária, minha declaração de gênero, de raça ou de renda.


Se isto diz algo a favor ou contra a minha reputação, não sei. Quem me conhece que o diga.

Quero poder cantar o hino nacional emocionada como a Fafá de Belém na época das Diretas Já e vibrar ouvindo o nosso hino tocado na guitarra como fez o Lobão na Av. Paulista há poucos anos atrás. Mas agora pouca gente “ousa” manifestar seu patriotismo em forma musical.

Eu, que nasci em plena ditadura, no ano em que o Brasil foi tricampeão da Copa do Mundo de Futebol, quero poder me orgulhar deste Brasil, que não vingou como o país do futuro e, quem sabe, possa sobreviver a este nosso presente.

Quero lembrar das letras dos hinos nacional, à bandeira e da independência e ensiná-los à minha filha de 11 anos, embora nenhum deles esteja sendo aprendido nas escolas. Quem diria que daqui a um ano vamos celebrar o bicentenário da independência do Brasil… mas será que teremos o que comemorar? Com tantos compatriotas optando por se auto-expatriar em Portugal ou em outros países de origem de seus antecedentes, fica difícil tentar defender a pátria, sem tomar uma pedrada ou tomatada de quem já se refugiou além-mar.

Não quero sofrer por polarizações e nem me privar da convivência com familiares e amigos queridos por conta de eventuais ideologias diferentes - já me basta a pandemia… Quero poder circular sem medo em qualquer dia do ano, inclusive num 7 de setembro, sendo quem sou, com emoção, com indecisão, e, às vezes, com alguma - ou sem nenhuma - razão.







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1 comentário | Comente

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Renata Mattos |
Belo texto Marcia! Tambem quero! Sou uma das ex-patriadas e nada do que fiz na vida foi tao dificil. Acima de tudo a expatriacao tb nos deixa com um sentimento de abandono, de covardice, como se a impotencia tivesse ganhado, te dominado.

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