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O planeta por um triz

Por Paula Pires, jornalista, Especial para Plurale
O documentário Breaking Bounderies (Quebrando Fronteiras), lançado este ano por um canal de streaming, ilustra, de forma bem didática, que o crescimento humano abusou dos recursos da Terra; mas, como nos lembra o cientista sueco Johan Rockström, os nossos avanços científicos e tecnológicos também nos proporcionaram o reconhecimento desse problema e incentivam-nos a procurar soluções e a promover mudanças no nosso comportamento.
A investigação de Rockström encontrou nove "limites planetários" que nos podem orientar no sentido da proteção dos vários ecossistemas do planeta.
A pesquisa aborda a sustentabilidade conhecida como fronteiras (ou limites) planetário. Johan identificou nove processos ou sistemas chave no mega sistema terrestre e identificou o limite acima do qual cada um dos sistemas pode sofrer um desastre com proporções alarmantes. As alterações climáticas estão na lista, mas também outras ameaças antropogênicas como: a acidificação dos oceanos, a perda de biodiversidade e a poluição química.
Já estamos no limite e é lugar comum nos noticiários incêndios de grandes proporções em várias partes do mundo; o aumento contínuo da poluição; a escassez da água.
Uma rápida análise dos aspectos que corroboram com essa problemática: as frágeis políticas sobre o meio ambiente no Brasil e em outros países, como também uma parcela de culpa da sociedade, envenenada pelo consumismo desenfreado. Quem de nós recicla lixo, usa bicicletas ao invés de carros movidos a gasolina?
É indiscutível que essa questão e sua aplicação estejam entre os fatores que poderiam atenuar o problema. Mas não se trata somente disso. A sociedade e os governos devem se ater aos fatos e encará-los de frente. Domar o touro à unha, como diria o ditado popular.
A COP 26 (Conferência das Partes — encontro anual que reúne 197 nações para discutir as mudanças climáticas e como os países pretendem combatê-las e como impulsioná-las) acontecerá em Glasgow, na Escócia, em novembro próximo. Urge apontar quais medidas serão tomadas de fato e que não fiquem só no papel.
O Brasil ainda tem muito a aprender. Cientistas já detectaram que 20% da Amazônia foram desmatadas. Vale ressaltar a grandeza e a importância deste tesouro verde - é como se fosse um ar-condicionado do planeta. Representa mais da metade das florestas tropicais remanescentes no globo terrestre e compreende a maior biodiversidade em uma floresta tropical no mundo. Um dos seis grandes biomas brasileiros.
O grande problema é que temos governos extremistas que não se comprometem com a vida no planeta.
Talvez, José Saramago, no Livro "Objecto Quase", lançado em 1978, já tivesse conjecturado o nosso presente: "Que espécie de quimera é então o homem? Que novidade, que monstro, que caos, que fonte de contradições, que prodígio? Juiz, depositário da verdade, cloaca da incerteza e do erro, glória e rebotalho do universo."
Como diria o escritor e filósofo Gustavo Bernardo, no livro " A Ficção de Deus", cada ser humano carrega, ao mesmo tempo, o melhor e o pior da humanidade,
Portanto, para tentarmos ser melhores é inadmissível que esse cenário perdure.
Fica evidente fortalecer políticas públicas em torno da Mudança Climática no nosso planeta. Para tanto, ninguém deve largar a mão de ninguém. Como as mãos entrelaçadas do artista holandês Escher em sua mágica pintura. Isso seria impossível? Daqui a 50 anos o planeta responderá.






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