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Instituto Escolhas lança campanha - "Chega de financiar o desmatamento com dinheiro público"

No Dia Nacional da Pecuária (14/10), campanha do Instituto Escolhas convida a sociedade brasileira a olhar para uma questão fundamental: "se já temos terras sobrando para produzir, por que financiar o desmatamento com dinheiro público"?

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, vem afirmando que o Brasil não depende da Amazônia para produzir e que não precisamos mais desmatar para comer. Suas declarações foram: "Não precisamos desmatar para comer, basta aumentar a produtividade". "Não precisamos da Amazônia. E eu sou uma defensora intransigente de se zerar o desmatamento ilegal"."No Brasil existem mais de 90 milhões de hectares de pastos degradados e boa parte disso pode ser incorporada à agricultura sem mexer com nada".

Se o país não precisa desmatar para comer, não faz mais sentido financiar o desmatamento com dinheiro público. Por que não apoiamos com recursos públicos (créditos/subsídios/seguro rural) apenas quem produz sem desmatar?

É possível zerar o desmatamento - sem impactos na economia - e investir na expansão da produção usando as áreas já abertas para pasto, hoje subutilizadas. Os financiamentos públicos devem ser direcionados apenas para quem produz sem desmatar. Em uma década, o percentual dos subsídios por ano, R$ 12,3 bilhões, corresponde a 79% do que foi arrecadado em impostos na cadeia da carne bovina nesse período, R$ 15,1 bilhões. Os números do estudo "Do pasto ao Prato" do Instituto Escolhas revelam uma cadeia altamente subsidiada e com alto impacto ambiental. Se houvesse um país chamado Pecuária Brasil, com rebanho que chega a 218,2 milhões de cabeças de gado, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), seria o 20º maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, igual ao que emite a Inglaterra (462 milhões de t de CO2e).

O estudo do Escolhas mostrou que na Amazônia, que sofre pressão em razão da expansão da fronteira agrícola, com conversão de floresta nativa em pasto, o valor das emissões de CO2e é de 782 kg de CO2e /kg de carne em Roraima e 713 no Amazonas. No restante do país, onde não ocorre taxas de desmatamento em grandes proporções, a pegada é de 23 kg C02e.

Trabalho recente do Imazon mostra que cerca de 90% da área desmatada na Amazônia é ocupada por pastagens.

O Instituto Escolhas defende que o apoio do Estado para atividades econômicas deve estar condicionado a bons resultados econômicos, sociais e ambientais e que nenhum setor econômico deveria escapar dessa avaliação e revisão. Dinheiro público apenas para quem produz sem desmatar.

Para se ter uma ideia, "O Banco do Brasil é, de longe, o maior financiador de empresas de commodities com risco de desmatamento no Brasil (30 bilhões de dólares) devido ao seu papel como o maior operador do Crédito Rural", afirma o relatório "Seu dinheiro está destruindo florestas tropicais ou violando direitos humanos?", da Forests & Finance. Os dados mostram que "o BNDES foi o maior provedor de investimentos para empresas de risco de desmatamento operando no Brasil (U$ 3.8 bilhões –abril/2020). Mais da metade dos investimentos do BNDES foi direcionada ao setor de carne bovina"

O dinheiro público deve incentivar aumento da produtividade e recuperação de áreas já desmatadas, segundo Sergio Leitão, diretor executivo do Escolhas. Ele afirma que "O governo deve fazer a sua parte e negar financiamento para quem desmata. É o jeito certo de mostrar que o dinheiro público não financia o desmatamento". Para ele, há bons exemplos na pecuária porque já tem gente produzindo direito, usando áreas que já foram desmatadas e aumentando a produção com respeito ao meio ambiente. E finaliza "O que o Brasil precisa é garantir que esse produtor, principalmente o pequeno, é quem vai receber dinheiro público para produzir".

Não é necessário desmatar para produzir comida. Se não precisa desmatar para produzir, por que financiar o desmatamento com dinheiro público?







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