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Papa: é hora de frear a locomotiva descontrolada da ganância humana

O Pontíficie Francisco pediu - através de mensagem gravada em vídeo - a quebra das patentes das vacinas, o fim das armas e maior combate ao desmatamento e à pobreza

Um premente apelo aos "poderosos da Terra" para trabalhar por um mundo mais justo, cancelando o "sistema de morte": é a mensagem do Papa ao IV Encontro Mundial dos Movimentos Populares. Francisco pede o cancelamento da dívida dos países pobres, o fim das armas, das agressões e sanções e a quebra de patente para todos tenham acesso às vacinas. Como propostas concretas: um salário mínimo e a redução da jornada de trabalho.

Do Vatican News

O Santo Padre enviou neste sábado (16/10) uma videomensagem aos membros dos Movimentos Populares, reunidos em sua segunda sessão do IV Encontro Mundial.

CLIQUE AQUI E CONFIRA O VÍDEO NO YOUTUBE.

Ao agradecer por permitirem que faça parte dessa caminhada, o Papa Francisco os chama de “poetas sociais” e explicou: “Chamo-os assim por terem a capacidade e a coragem de suscitar esperança onde reinam rejeição e exclusão”.

Poesia, disse Francisco, significa criatividade e os Movimentos Populares criam esperança e, com suas mãos, sabem formar a dignidade de cada um, das famílias, da sociedade e em todos os lugares: casa, trabalho, zelo, comunidade e cuidado com a terra.

O Papa agradeceu aos membros dos Movimentos pela sua dedicação, que é anúncio da esperança; sua presença lembra que não estamos condenados a construir um futuro baseado na exclusão, na desigualdade ou na indiferença, onde a cultura do privilégio é um poder invisível e irreprimível e a exploração e o abuso são um método habitual de sobrevivência.

ALGUNS DESTAQUES DA FALA DO PAPA FRANCISCO:

"A crise ambiental e social são duas faces da mesma moeda. Por isso, as diretrizes para a solução requerem uma abordagem integral para combater a pobreza, para restituir dignidade aos excluídos e, ao mesmo tempo, cuidar da natureza."

"Aos países poderosos, que parem com as agressões, os bloqueios e as sanções unilaterais contra qualquer país em qualquer parte da terra. Os conflitos devem ser resolvidos em instâncias multilaterais, como as Nações Unidas."

"A todos nós, líderes religiosos, que jamais usemos o nome de Deus para fomentar guerras. Estejamos ao lado dos povos, dos trabalhadores, dos humildes e lutemos juntos para que o desenvolvimento humano integral seja uma realidade. Construamos pontes de amor."

"Aos governos e a todos os políticos, que trabalhem pelo bem comum. Não ouçam somente as elites econômicas e estejam a serviço dos povos que pedem terra, casa, trabalho e uma vida digna em harmonia com toda a humanidade e com a criação."

"Aos fabricantes e traficantes de armas, que cessem totalmente suas atividades que fomentam a violência e a guerra, muitas vezes no tabuleiro de jogos geopolíticos, cujo custo são milhões de vidas e deslocamentos."

"Aos grandes laboratórios, que quebrem as patentes. Realizem um gesto de humanidade e permitam que todo ser humano tenha acesso à vacina."

"Aos grupos financeiros e aos organismos internacionais de crédito, que permitam aos países pobres garantir as necessidades de seu povo e perdoar aquelas dívidas que muitas vezes contraíram contra os interesses daqueles mesmos povos."

"Às grandes empresas de mineração, petrolíferas, florestais, imobiliárias, agroalimentares, que deixem de destruir a natureza, de poluir, de intoxicar os povos e os alimentos."

"Às grandes empresas de alimentos, que deixem de impor estruturas de monopólio de produção e distribuição que inflacionam os preços e acabam por impedir o pão ao faminto."

"Aos gigantes da tecnologia, que parem de explorar a fragilidade humana, as vulnerabilidades das pessoas, para obter lucros."

"Aos gigantes das telecomunicações, que liberem o acesso a conteúdos educacionais e o intercâmbio com os professores através da internet, para que as crianças pobres possam receber uma educação em contextos de quarentena."

"Aos meios de comunicação, que acabem com a lógica da pós-verdade, com a desinformação, a difamação, a calúnia e com aquela atração doentia pelo escândalo e o túrbido; que busquem contribuir à fraternidade humana."

Pandemia silenciosa

A atual situação, causada pela pandemia, precisa de novos encontros, discernimento, escolhas e ação conjunta; os povos foram afetados por tantas desigualdades sociais; nosso modo de vida mudou drasticamente, tanto em família como entre os amigos.

Todos nós passamos por momentos de sofrimento, sobretudo, os migrantes e os que perderam o trabalho, caindo em uma dilacerante pobreza que não faz mais notícia. Esta situação afetou de modo especial as crianças e os jovens, que – segundo o Papa – viveram uma “pandemia silenciosa”, provocada pelo estresse e ansiedade crônica, vinculada a distintos fatores, como a hiperconetividade, o desconcerto e a falta de perspectiva.

Mais 20 milhões de pessoas caíram na extrema pobreza, de modo particular em países como Síria, Haiti, Congo, Senegal, Iêmen, Sudão do Sul. Parece que as mortes por causa da fome superam as da Covid. “Ignorar estes nossos irmãos é ignorar a nossa humanidade.”

Transformar o "sistema de morte"

Para Francisco, o pessoal médico e paramédico e as classes populares, que enfrentaram a situação pandêmica com amor nas trincheiras das favelas, podem ser considerados "mártires" da solidariedade, um “exército invisível”, parte fundamental de uma humanidade que luta pela vida, “diante de um sistema de morte”.

Aqui, o Papa fez seu premente apelo, em nome da bem-aventuranças de Jesus, para que se estendam, permeiem e atinjam todos os lugares onde a vida é ameaçada: que os modelos socioeconômicos tenham um rosto humano; que todos os países, povos, seres humanos tenham acesso às vacinas e às necessidades básicas; que as grandes empresas extrativistas deixem de destruir o meio ambiente, e deixem de poluir rios e mares e de envenenar pessoas e alimentos; que os gigantes da tecnologia parem de explorar a fragilidade humana e suas vulnerabilidades para obter ganhos pessoais. Tudo isso, o Papa pede “em nome de Deus!”. E adverte:

“Este sistema, com sua lógica implacável de ganância, está escapando a todo domínio humano. É hora de frear a locomotiva, uma locomotiva descontrolada que está nos levando ao abismo. Ainda estamos em tempo.”

Neste contexto, o Santo Padre faz um apelo pelo direito à educação das crianças pobres; aos meios de comunicação, pede que acabem com a lógica da pós-verdade, da desinformação, da difamação, da calúnia, mas contribuam para a fraternidade humana e a solidariedade com as pessoas feridas; aos poderosos, que parem com as agressões, bloqueios e sanções unilaterais contra qualquer país. “Não ao neocolonialismo!” Aos governos e políticos, que trabalhem pelo bem comum e estejam a serviço dos povos; aos líderes religiosos, que nunca usem o nome de Deus para fomentar guerras ou golpes de Estado, mas estejam ao lado dos povos, trabalhadores, humildes, para o desenvolvimento humano.

Samaritanos coletivos

É preciso construir pontes de amor contra a intolerância, xenofobia e ódio aos pobres; é preciso ter a poesia e a capacidade de sonhar juntos. “Os movimentos populares são, além de poetas sociais, ‘samaritanos coletivos’”, afirmou.

A Doutrina Social da Igreja, acrescentou, não tem todas as respostas a todos os sonhos, mas contém principios que podem ajudar e lamenta que quando fala destes princípios, o próprio Papa é catalogado “com uma série de epítetos que se utilizam para reduzir qualquer reflexão a mera adjetivação depreciativa”. “Não me enoja, me entristece. É parte da trama da pós-verdade que tenta anular qualquer busca humanista alternativa à globalização capitalista.”

Enfim, o Santo Padre recordou apenas dois princípios para cumprirmos bem nossa missão: a solidariedade e a subsidiariedade. Com estes dois princípios, o cristão pode dar ao próximo um meio para passar do sonho à ação. Pois chegou a hora de agir!

“Irmãs e irmãos, estou convencido de que o mundo se vê mais claramente a partir das periferias. Sigam impulsionando sua agenda de terra, teto e trabalho. Sigam sonhando juntos. E obrigado – obrigado seriamente – por deixar-me sonhar com vocês.”







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1 comentário | Comente

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Luiz |
"Mais 20 milhões de pessoas caíram na extrema pobreza, de modo particular em países como Síria, Haiti, Congo, Senegal, Iêmen, Sudão do Sul. Parece que as mortes por causa da fome superam as da Covid" Discurso forte e gentil, cristão e amoroso.

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