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Guterres destaca que lacuna nas emissões é a grande ameaça ao clima

Secretário-geral voltou à COP26, em Glasgow, e disse estar “inspirado” com a mobilização da sociedade civil e dinamismo das comunidades indígenas; António Guterres classifica de encorajadores anúncios feitos no evento, mas se mostra preocupado com possibilidade de aumento de emissões nos próximos anos.

Do Portal da ONU News - De Glasgow (UK)

O secretário-geral das Nações Unidas está de volta a Glasgow, na Escócia, onde acompanha a reta final da Conferência da ONU sobre Mudança Climática, COP26.

Nesta quinta-feira, António Guterres afirmou estar “inspirado” com a mobilização da sociedade civil” e com o “dinamismo e o exemplo das comunidades indígenas”.

Possível aumento das emissões

Secretário-geral da ONU, António Guterres, faz discursos para delegações na COP26.
Foto: UNRIC/Miranda Alexander-Webber
Secretário-geral da ONU, António Guterres, faz discursos para delegações na COP26.

Na véspera da apresentação do documento final da COP26, o chefe da ONU pediu aos governos para que demonstrem a “ambição necessária sobre mitigação, adaptação e financiamento” climáticos.

Guterres explicou que para manter o aumento da temperatura global a 1.5 °C, será necessário reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 45% até 2030. Mas o secretário-geral alerta: as Contribuições Nacionalmente Determinadas apresentadas pelos países levarão a um aumento das emissões nos próximos nove anos.

EUA & China

Segundo ele, o mundo continua “no caminho para um aumento catastrófico da temperatura bem acima dos 2 graus”. Guterres lembra a necessidade de haver um corte rápido de emissões ainda nesta década. Ele elogiou o acordo de cooperação firmado entre Estados Unidos e China contra a mudança climática.

Mas criticou o fato de a indústria de combustíveis fósseis receber trilhões em subsídios e o carbono continuar sem um preço, “prejudicando mercados e decisões de investidores”.

Na COP26, Guterres pediu para “todos os países, cidades, empresas e instituições financeiras reduzirem radicalmente as emissões e descarbonizarem seus portfólios a partir de agora”.

Fiscais do net zero

68% da população mundial estará vivendo em cidades até 2050.
Undp/ Tunisia
68% da população mundial estará vivendo em cidades até 2050.

Na avaliação do chefe da ONU, os compromissos firmados até o momento em Glasgow são “encorajadores”, mas a lacuna nas emissões continua “sendo uma enorme ameaça”.

Ele anunciou que irá estabelecer “um Grupo de Especialistas de Alto-Nível para propor padrões claros de medição e análise dos compromissos sobre net zero (zero emissões líquidas de gases)”, sendo que uma série de recomendações será apresentada no próximo ano.

Com a conferência quase chegando ao fim, a participação dos jovens continua muito ativa em Glasgow. A brasileira Marina Guião tem apenas 17 anos e está na COP26 para fazer pressão:

Papel das cidades

Vários protestos aconteceram durante a COP26, em Glasgow.
Foto: UN News/Conor Lennon
Vários protestos aconteceram durante a COP26, em Glasgow.

“Estamos vendo muitas promessas vazias, muitos acordos sendo assinados, mas quando a gente volta para o Brasil, a gente vê destruição, incêndios, a gente vê mineradoras tomando conta das nossas florestas e dos nossos biomas. Viemos para cá para pressionar e para dizer que a juventude está atenta com o que está acontecendo e não vamos mais deixar a boiada passar.”

O penúltimo dia da COP26 foi marcado por debates sobre cidades e meio ambiente, destacando que 68% da população global estará vivendo em áreas urbanas até 2050.

Aproximadamente 1,6 bilhão de habitantes das cidades estarão expostos regularmente a temperaturas extremamente altas.

Já o aumento do nível do mar e as enchentes costeiras afetarão 800 milhões de pessoas.

Acelerar a transição para emissões líquidas zero será vital para conseguir manter o aumento da temperatura global perto da meta de 1,5 graus. De acordo com a ONU-Habitat, as cidades consomem 78% da energia mundial e produzem 60% das emissões de gases de efeito estufa, apesar de representarem menos de 2% da superfície terrestre.







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