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Setor segurador avança no compromisso com o clima em Glasgow

Do Rio

A Cop-26 terminou longe de ser um consenso. Mas para a indústria do seguro – representada por seguradoras e resseguradoras com atuação global e integrantes do programa Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI), iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU) – o evento trouxe alguns avanços nas questões relativas ao compromisso com o clima.

Para entender o papel do setor durante a conferência, em Glasgow, fizemos três perguntas para a diretora-executiva da Confederação Nacional das Seguradoras - CNseg, Solange Beatriz.

1- Como foi a participação do setor segurador na 26ª conferência do clima da Organização das Nações Unidas?

O setor segurador ampliou a presença em relação às edições anteriores do evento e participou de diversas iniciativas estratégicas. Destaco a atuação da Insurance Development Fórum (IDF)– em tradução livre, Fórum de Desenvolvimento de Seguros – uma parceria público-privada liderada pela indústria do seguro e com apoio de entidades internacionais, como a ONU e o Banco Mundial. O IDF anunciou três programas: uma parceria com os Ministros das Finanças do V20 (Grupo Vulnerável dos Vinte) para estabelecer uma Aliança de Modelagem de Risco Global (GRMA); a criação conjunta da Global Resilience Index Initiative (GRII) – em tradução livre, Índice de Iniciativa de Resiliência Global – que fornecerá um modelo globalmente consistente para a avaliação da resiliência em todos os setores. Será um recurso de código aberto que oferece métricas de alto nível e muitas aplicações potenciais em gerenciamento de risco agregado em todo o mundo e o terceiro compromisso é uma parceria com a Start Network – entidade internacional que atua em respostas humanitárias – por meio de um novo mecanismo de financiamento humanitário que visa ajudar as comunidades a se anteciparem aos crescentes riscos climáticos. A IDF indicou especialistas da indústria de seguros para apoiar os membros da Start Network, que inicialmente construirão mecanismos de "financiamento antecipatório" em alguns países.

Chamo a atenção também para a "Série de Seguros Sustentáveis PSI Cop- 26", liderada pelo PSI em conjunto com organizações parceiras, na qual foram debatidos temas sobre a participação do setor no compromisso com a mitigação de riscos climáticos.

2- Qual foi o maior avanço do setor de seguros na COP-26?

O lançamento formal da Net Zero Insurance Alliance (NZIA), em Glasgow, foi um marco para o setor. Um dos principais desafios que o setor enfrenta atualmente é a falta de um padrão da indústria para medir a pegada de carbono de suas carteiras de subscrição - algo que a NZIA está trabalhando para resolver.

Destaco ainda que, no clima da Cop-26, a Federação Global de Associações de Seguros (GFIA),entidade a qual a Confederação Nacional das Seguradoras- CNseg é uma das integrantes, anunciou três princípios-chave para um modelo econômico mais resiliente e sustentável, fornecendo diretrizes gerais para que agentes públicos e privados possam repensar estratégias pós desastres físicos. Listo a seguir:

• Reconstrução resiliente - Para evitar desastres recorrentes, por exemplo, uma reconstrução idêntica após um desastre natural não deve ser o padrão. Reconstruir melhor e de uma forma mais resiliente é um alicerce significativo da gestão integrada de riscos de desastres.

• Utilização de materiais "verdes" - Produtos sustentáveis ou reciclados, de baixo impacto no meio ambiente, devem ser utilizados para construção/reconstrução a fim de aumentar a eficiência dos recursos e contribuir para formação de "infraestruturas verdes".

• Adoção de cofinanciamento como estratégia - Se a reconstrução exigir melhorias que demandem recursos que excedam os valores de indenização das seguradoras, por exemplo, o financiamento complementar deve ser fornecido pelas autoridades públicas na forma de um empréstimo bancário sem juros. Além de ressaltar a necessidade de fazer investimentos sustentáveis de longo prazo em infraestrutura, a GFIA destacou que o setor de seguros mundial apoia a transição para uma economia de baixo carbono.

3- O que esperar do comportamento do setor segurador no Brasil após a Cop-26?

O setor segurador brasileiro está cada vez mais comprometido com as questões sustentáveis e considerando aspectos relacionados às mudanças climáticas ao avaliar ativos para investir recursos próprios, reservas técnicas, fundos de previdência e demais recursos financeiros.

A CNseg mantém a Comissão de Integração ASG, desde 2012, após a realização da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e o lançamento dos Princípios para Sustentabilidade em Seguros (PSI). Entre suas atribuições está a promoção da integração das questões ambientais, sociais e de governança nas operações do setor de seguros e sua cadeia de valor a partir da geração de conhecimento e estabelecimento de compromissos setoriais. A CIASG também atua na divulgação dos PSI, mediante a realização de eventos, e é responsável pela publicação do Relatório de Sustentabilidade do Setor de Seguros, editado anualmente pela CNseg.







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