Atenção

Fechar

Destaques

Itaipu alcança marca de 24 milhões de árvores plantadas

O início do trabalho para recompor as áreas protegidas da usina, que agora vão de Foz do Iguaçu até Guaíra, com 1.400 km de margem de reservatório, começou há 42 anos

Por Luciana Tancredo, de Plurale

De Foz do Iguaçu (PR) (*)

Fotos de Luciana Tancredo/ Plurale e Itaipu/Divulgação

A Itaipu Binacional comemora, neste final de 2021, a incrível marca de 24 milhões de árvores plantadas na margem brasileira de sua área de proteção ambiental. A recuperação das florestas de Mata Atlântica se confunde com a história da própria empresa. O início do trabalho para recompor as áreas protegidas da usina, que agora vão de Foz do Iguaçu até Guaíra, com 1.400 km de margem de reservatório, começou há pelo menos 42 anos.

Plurale viajou para Foz do Iguaçu, em press trip, a convite da Itaipu Binacional, para conhecer de perto todas essas iniciativas na área ambiental e poder constatar os resultados obtidos ao longo das últimas quatro décadas. Foto de Divulgação/ Drone/ Itaipu Binacional.

O projeto de implantação da floresta ciliar nas margens e a criação dos refúgios biológicos transformaram a região, ao conectar dois parques nacionais que eram completamente separados: o Parque Nacional de Iguaçu e o Parque Nacional de Ilha Grande. Essas iniciativas transformaram a faixa de proteção em um grande corredor de biodiversidade; isso faz com que alguém consiga identificar um animal no Parque da Ilha Grande hoje e, dois meses depois, esse mesmo animal possa ser identificado no Parque Nacional de Iguaçu.
Em um estudo de 2017, da Fundação SOS Mata Atlântica, ficou claro que a Itaipu Binacional é responsável por 28% de todo o bioma restaurado – ou seja praticamente toda a área de mata preservada no Estado do Paraná. A ONU também já reconheceu o trabalho da usina na área ambiental desde 2019, ao considerar suas áreas restauradas como núcleo da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, dentro do programa "O Homem e a Biosfera ", promovido pela entidade.
Para chegar a esse ponto de excelência e de reconhecimento, porém, foram necessários muitos anos de grandes investimentos em pesquisa, monitoramento e gestão ambiental. O Diretor de Coordenação da Itaipu Binacional, o General Luiz Felipe Carbonell, ressaltou que o investimento maciço na área ambiental é também de suma importância para a sustentabilidade do próprio negócio. “Quanto mais árvores plantarmos, mais evitamos o assoreamento do reservatório, o que aumenta sua vida útil e adia ao máximo o processo de dragagem, que será muito custoso para a empresa no futuro”.


Corredor ecológico - Foto de Luciana Tancredo/ Plurale.

Um passeio de barco pelo reservatório nos mostrou margens completamente reflorestadas, já com árvores de vários tamanhos, onde a principal preocupação foi manter a diversidade das espécies nativas com árvores muitas vezes não tão nobres, mas de crescimento rápido, para uma ocupação mais eficiente do solo.
Pudemos também ver alguns dos importantes projetos socioambientais. Um deles, voltado para a pesca, possui 63 postos de adequação, com tanques- -rede de criatório, destinados a colônias de pescadores artesanais. Esses pontos são dotados de abrigos, para que os pescadores possam se alimentar, pernoitare usufruir da pequena estrutura montada. Vários pescadores das comunidades locais utilizam esses postos, como José Amâncio Rodrigues, 70 anos, o Zé Barba, que conversou um pouco conosco. "Esses tanques-rede são muito úteis, principalmente na época da piracema, quuando a gente não pode pescar. Ajudam a completar a renda na maioria dos pescadores ";

José Amâncio Rodrigues, 70 anos, o Zé Barba, que conversou um pouco conosco. "Esses tanques-rede são muito úteis, principalmente na época da piracema, quuando a gente não pode pescar. Ajudam a completar a renda na maioria dos pescadores ."


Visitamos também uma das oito prainhas "construídas" ao longo de toda a margem do reservatório. São áreas de acesso público, destinadas ao lazer das comunidades vizinhas, com infraestrutura básica, como banheiro, áreas de piquenique, quadras e deque para saída de barcos de pesca esportiva.

Tanques na região do Lago de Itaipu. Gerando renda para população local. Foto de Luciana Tancredo- Plurale.

A visita ao Refugio Bela Vista, unidade de conservação de fauna e flora que é referência no setor, nos permitiu ver todo o trabalho que há por trás dessas ações socioambientais tão bem-sucedidas.
Um dos destaques é o viveiro de mudas, extremamente bem cuidado, com seleção de sementes de qualidade para abastecer todo o reflorestamento da região - e com uma grande variedade de árvores nativas e exóticas. A engenheira florestal da divisão das áreas protegidas, Veridiana Pereira, nos mostrou cada etapa do processo - desde a coleta de sementes, plantio e monitoramento, até que as árvores se transformem em floresta. Veridiana destacou a importância de ter não apenas uma grande variedade de espécies, mas também espécies com tempo de crescimento diferenciado, o que proporciona maior efetividade no processo de cobertura do solo, em substituição às gramíneas.

O refúgio abriga também vários animais resgatados, que são preparados para a reintrodução na natureza, além de outros que, infelizmente, não podem mais voltar. Tudo isso acontece no Zoológico Roberto Ribas Lage, onde existem vários programas voltados para evitar a extinção de animais ameaçados. O mais famoso e de muito sucesso é o das harpias, aves-símbolo da região e que, hojem já não são mais encontradas em vida livre nas matas do Estado do Paraná.



Animais resgatados na região vão para o Refúgio Bela Vista, como a Harpia - Foto de Luciana Tancredo - Plurale.

A usina também contou com parcerias muito importantes de fazendeiros locais para poder tornam realidade o projeto do Corredor de Biodiversidade. Visitamos a Fazenda Santa Maria, criadora de gado e soja na cidade de Santa Terezinha de Itaipu, que cedeu há 20 anos uma área de 4 km de extensão por 60 metros de largura. Essa faixa de terra, hoje totalmente reflorestada com a ajuda dos técnicos da usina, faz a ligação florestal de duas importantes microbacias: a do Rio Apapú, que corre para o Parque Nacional do Iguaçu, e a do Rio Bonito, que deságua na represa de Itaipu.
As 128 mil mudas plantadas nos 73 hectares cedidos são protegidas por 76 km de cercas, que foram instaladas ao longo do corredor para impedir que o gado invada a faixa. A fazenda conta ainda com uma área transformada em RPPN, com 906 hectares de floresta nativa preservada. Giovanna Machado, a proprietária da fazenda, conta que, antes dessas iniciativas ambientais, eles sofriam muito com o problema da caça ilegal dentro da propriedade. A família sempre teve um propósito comum de preservação. Hoje já é possível ver a resposta “que chega na forma de grandes revoadas de pássaros de muitas espécies, sempre em grande quantidade e muito barulhentas”, completa.

Giovanna Machado, proprietária da fazenda, conta que, antes dessas iniciativas ambientais, sofriam muito com a caça ilegal. Foto de Luciana Tancredo - Plurale.

Principais números

· 100 mil hectares de florestas preservadas em ambas as margens do reservatório (Brasil e Paraguai)

· 34 mil hectares - ou 47.620 campos de futebol - é quanto a Itaipu restaurou da Mata Atlântica no Brasil

· 28% da restauração da Mata Atlântica no Paraná, em 30 anos, foram realizados pela Itaipu

· 400 mil mudas de árvores nativas da Mata Atlântica são produzidas anualmente no Viveiro da Itaipu

· 1.400 km de extensão é o tamanho da mata ciliar do reservatório, apenas no Brasil


(*) A repórter de Plurale viajou em press trip a convite de Itaipu Binacional







Veja também

0 comentários | Comente

 Digite seu comentário

*preenchimento obrigatório



Ninguém comentou essa notícia ainda... Seja o primeiro a comentar!

Utilizamos cookies essenciais e tecnologias semelhantes de acordo com a nossa Política de Privacidade e, ao continuar navegando, você concorda com estas condições.