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Eu te desejo uma Páscoa feliz...

Por Chrystina Barros, Colunista de Plurale

2022 é um ano atípico. Jamais a semana santa antecedeu o Carnaval. É claro que se trata de um ajuste “comercial” do nosso calendário, para garantirmos um pouco de cada coisa: a manifestação cultural de um povo, a movimentação da economia tão impulsionada pela nossa maior festa popular e o momento tão desejado da explosão de felicidade após dois anos de uma montanha russa de angústias que a COVID nos impôs. Nestes últimos tempos, o mundo foi colocado em reclusão forçada sob a égide do medo e incerteza. Então nada melhor que uma erupção de alegria para rasgar o que ficou engasgado em uma catarse.

Mas o que é esta felicidade que tanto buscamos? Por que a felicidade importa?

Se temos o desejo de ser feliz, precisamos saber o que é ser feliz. Da filosofia, dos pensadores mais antigos, até aos rigorosos estudos científicos atuais, são muitas – e não unanimes – as definições de felicidade.

Os primeiros registros sobre felicidade na filosofia vêm de Confúcio, pensador Chinês do século VI a.C.. Em seus Analectos (registros de seus pensamentos, feitos pelos seus discípulos), Confúcio considerava que a pessoa que encontra a felicidade e a leva para outros, assim vive feliz. Dalai Lama também nos disse com sua sabedoria: se você deseja que os outros sejam felizes, pratique a compaixão; se você quer ser feliz, pratique a compaixão também. A coletividade, a convivência e a vida em sociedade, sempre foi o lugar onde pessoas se exercitam para serem felizes... ou não.

É importante o dar-se conta de que a felicidade pode não ser sobre o seu próprio prazer pessoal, seja ele agora ou quer se repita algumas vezes. Felicidade é sobre trazer o bem para outras pessoas.

O estudo cientifico mais longo sobre felicidade foi feito em Harvard entre 1938 e 2014. O “Study of Adult Development”, consistiu no acompanhamento sistemático de cerca de 700 homens entre estudantes de famílias ricas de Boston e moradores dos bairros pobres da mesma cidade. Anualmente eles eram acompanhados e entrevistados, tanto em sua saúde física quanto – através de seus depoimentos – sobre suas idealizações e sentimentos relacionados a felicidade. Depois de quase 80 anos de uma coleta de dados e análises rigorosas, a conclusão é que pobres ou ricos foram mais ou menos saudáveis e felizes, quanto mais eles estavam mais satisfeitos com seus relacionamentos, de todas as sortes. Da série “o óbvio precisa ser dito”, a pesquisa também concluiu que ninguém é feliz todos os dias e que fama, dinheiro e trabalho.... isso tudo era tão desejado no início para uma expectativa de vida feliz, mas não tão relevante ao fim da vida para o saldo geral da felicidade.

O caminho para o estado de felicidade começa do reconhecimento, a primeira nobre verdade, de que existem muitas dificuldades na vida, de que há muito sofrimento e ninguém está imune a ele. Aliás, a tristeza precisa acontecer e ter essa experiência não prejudica sua capacidade ou seu status geral de felicidade. Se lembrarmos da música, “é melhor ser alegre que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe .... mas pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza, senão, não se faz um samba não.” Está aí a arte que nos lembra de tantas verdades através de sentimentos intensos, que nada mais são do que paixões.

Paixões como a raiva, quando por exemplo nos indignamos com a injustiça social, podem nos causar bem e felicidade. Mas estar com raiva da pessoa certa, na medida certa, no momento certo e para o propósito certo, da maneira certa, não é fácil. Aristóteles sugere a moderação e aceitação de nossas paixões, como caminho para a felicidade. Para o filósofo grego, nossas paixões cultivadas no contexto correto, nos trazem felicidade e boa vida. E assim podemos avançar nas coletâneas sobre as definições de felicidade.

Mas sejam pesquisadores, líderes espirituais ou filósofos, todos eles debateram – para além deste sentimento ou estado, o que faz a vida valer a pena: será uma vida cheia de felicidade ou uma vida cheia de propósito e significado?

Pessoas felizes satisfazem seus desejos e necessidades, mas isso não é suficiente para uma vida significativa. Assim, saúde, riqueza e facilidades na vida (dinheiro sim), se relacionam à felicidade, mas não ao significado, ao legado que deixamos para o mundo.

Em 2007, a pesquisadora de psicologia positiva Sonja Lyubomirsky em seu livro The How of Happiness, descreveu a felicidade como "a experiência de alegria, contentamento ou bem-estar positivo, combinada com a sensação de que sua vida é boa, significativa."

Assim, felicidade pode ser definida como um estado emocional transitório, uma experiência do tempo presente que nos dá alegria. Mas quando pensamos sobre o passado, o presente, o futuro e a nossa sensação de que a vida vale a pena, então falamos do “ser feliz”. A felicidade envolve estar focado no presente, enquanto o significado envolve pensar mais sobre o passado, o presente e o futuro - e a relação entre eles.

E partindo do passado recente, antes de dezembro de 2019 quando estávamos anestesiados em uma vida normal, talvez seja um bom exercício relembrarmos e conectarmos os fatos que vivemos. Aos que estão aqui, celebremos a sobrevivência! Mas de alguma forma, que possamos honrar aqueles que se foram ou o sofrimento que carregamos, simplesmente pensando e fazendo o bem... sem ver a quem, como já diz o ditado.

A pandemia de covid nos isolou em casa. No fato estrito, nos obrigou a estarmos mais em contato, cada um consigo mesmo. Quem sabe este período de confinamento com nosso coração e mente, não tenha nos proporcionado a chance de exercitarmos o encontro com nosso caminho de felicidade e vida.

Então o que eu te desejo nesta Páscoa, depois de 2 anos tão difíceis e com tristezas, é que você celebre seu chocolate e saboreie cada minuto. Que independente de religião, o sentido da ressureição, do renascimento, renove em cada um de nós a gentileza, o cuidado com o próximo, com a vida.... e assim a gente seja feliz só por hoje, juntos... até amanhã outra vez.







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