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O plano da Oxma para o setor de óleo de cozinha pós-consumo

O plano da Oxma para o setor de óleo de cozinha pós-consumo

“Pamonha, pamonha, pamonha. Venha provar freguesa, pamonhas fresquinhas, de Piracicaba!”, quem mora em São Paulo já deve ter se acostumado com o “carro da pamonha”, que irrompe o silêncio da tarde com seu potente alto-falante anunciando a iguaria feita de milho. Mais recentemente surgiu o carro do ovo e, agora, tem mais uma personagem nas tardes dos dias de semana: “Alô minha amiga, o carro da coleta do óleo usado está passando na sua rua. A natureza agradece!”

É isso mesmo. Tem empreendedor pagando para coletar óleo de cozinha pós-consumo. E não é difícil entender o porquê. Numa rápida busca na internet é possível encontrar anúncios com oferta de venda que variam de R$ 2,20 a R$ 7,00 pelo quilo (cerca de um litro) do óleo decantado e coado. Trata-se de um valor bastante atrativo levando-se em conta o montante pago por outros descartáveis muito populares: latinhas de alumínio e aço, garrafas de vidro e PET.

Apesar de simpáticas, essas iniciativas autorais e executadas de forma, digamos, amadora, não conseguem dar conta de um problema bastante complexo que é a logística reversa do óleo de cozinha. “O potencial de reciclagem gira em torno de 760 milhões de litros por ano, premissa com base em 20% da produção anual no Brasil”, estima o empreendedor Murilo Bachiavini, fundador e CEO da Oxma Eco Transformação, pioneira na busca pela certificação, profissionalização do setor e rastreabilidade de óleo.

Desde sua fundação, em setembro de 2021, a startup já conseguiu marcas importantes. A principal delas foi o estudo prévio de viabilidade para a certificação de carbono, por meio de uma parceria com a empresa suíça Ecosecurities, segundo o qual, cada tonelada de óleo de cozinha usado recolhido equivaleria a meia tonelada (0,433 tonelada) de gases de efeito estufa que deixam de ser emitidos na atmosfera. “Fizemos parceria com uma grande universidade, que será responsável pela validação de nossa metodologia, a partir de um estudo científico”, conta Murilo.

Graduado em administração, pela Getúlio Vargas, o empreendedor atuou por muito tempo como diretor financeiro (CFO) de grandes incorporadoras e construtoras baseadas em São Paulo. Em 2019, ele resolveu se desligar da empresa onde atuou por 11 anos, para cumprir um período sabático.

O roteiro incluiu a China, onde visitou as sedes das gigantes Huawei, de telecomunicações, e BYD, de veículos elétricos. Lá, ele conheceu projetos de automação predial e de substituição de óleo diesel por baterias elétricas, que poderia se constituir em opção para movimentar geradores alimentados por diesel. “Pensava em empreender na área de gestão de condomínios”, conta.

Na volta ao Brasil, enquanto a startup não saía do papel, ele foi trabalhar como consultor em gestão financeira para empresas do agronegócio, especialmente do setor de soja. Nesta interlocução, percebeu que um dos nós górdios do setor era a logística reversa do óleo pós-consumo. A partir daí, começou a estudar o setor e analisar oportunidades em um segmento muito pulverizado e pouco profissionalizado.

OXMA G10 FAVELASPara conseguir fechar acordos com grandes empresas de food service, cujos nomes não releva, alegando questões contratuais, Murilo investiu em tecnologia de rastreamento, atrelou o valor pago à cotação da Bolsa de Chicago, a principal referência em commodities, do mundo, e criou uma narrativa que remete aos princípios ESG (da sigla em inglês para meio ambiente, social e governança).Nos acordos para coleta, os fornecedores podem optar por receber os recursos ou doar uma parte para causas sociais. Uma das beneficiárias é o G10 Favelas, ONG que atua na comunidade de Paraisópolis, situada na Zona Sul de São Paulo. “A cada três empresas, uma opta em destinar os recursos para entidades sociais”, diz.

Nascida com mentalidade de startup, a Oxma atua com uma equipe enxuta: 12 pessoas, incluindo os funcionários diretos e terceirizados, especialmente na coleta e processamento do material. Com esse time, ele acredita ser capaz de quintuplicar o ritmo atual de coleta mensal de 20 toneladas para 100 toneladas, até o terceiro trimestre.

E o objetivo é crescer de forma exponencial: “Esperamos fechar 2027 com uma receita anual de R$ 120 milhões, resultado da coleta de 1,5 mil toneladas mensais.” Tamanha confiança, segundo o empreendedor, reside no modelo de negócio. “Não pretendemos ser uma coletora de óleo, mas sim uma empresa de soluções de logística reversa, desenhadas sob medida para cada cliente”.

Rosenildo Ferreira
Sobre o/a Autor(a)
Rosenildo Ferreira é o fundador e publisher do portal de notícias 1 Papo Reto e cofundador da Vale do Dendê./ https://twitter.com/paporetonet / https://www.instagram.com/1paporeto/






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