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PLURALE EM REVISTA, Edição 78 - ESG: mitos e verdades

Por Fábio Rocha, Colunista de Plurale (*)
A Damicos Consultoria, empresa que sou um dos Diretores-Executivos e tem mais de 30 anos de mercado, atua na área de “ESG”, termo mais atual, desde 1998 e já pode atender através de palestras, treinamentos, consultorias e mentorias mais de 100 organizações em todo o Brasil. Além disto, temos uma caminhada acadêmica neste tema, ensinando em diversas pós-graduações Brasil afora e já idealizamos, coordenamos um MBA em Sustentabilidade Corporativa durante 9 (nove) anos.

Com base nesta experiência e em novos projetos de consultoria na área de ESG destes 2 (dois) últimos anos, somado a grande onda do ESG no Brasil, nos sentimos provocados a escrever este artigo, “ESG: Mitos e Verdades”.

Entendendo os mitos como idéias falsas, sem correspondente na realidade, imaginem que estrago eles podem fazer na temática da sustentabilidade em termos de políticas públicas e no contexto organizacional. E as verdades, aqui não são únicas, mas, leituras, em nossa opinião, mais adequadas do contexto de ESG no mundo corporativo.

Um primeiro aspecto deste artigo é esclarecer um pouco sobre terminologias nesta temática. Sustentabilidade Corporativa, Gestão Sustentável, Responsabilidade Socioambiental, Negócios Sustentáveis e Socialmente Responsáveis, ESG (environmental, social e governance) ou ASG (ambiental, social e governança corporativa) são nomes diferentes para um mesmo assunto.

O mais importante é a clareza do conceito e não o nome, é a visão sistêmica sobre o conceito e não o nome, é saber trazer toda a fundamentação teórica para algo prático e conectado ao core-business da sua organização.

O próprio termo ESG, apesar de muitas vezes ser tratado como algo novo no nosso país, foi criado entre 2004 e 2005 e a única novidade em termos de Brasil é que pela primeira vez um termo da área de sustentabilidade traz à luz, a ideia de que governança corporativa está totalmente relacionada ao contexto de uma empresa realmente sustentável.

Apenas vale destacar que quando tratamos do Desenvolvimento Sustentável, aí sim, este termo tem outra dimensão e impacto.

Um primeiro mito e talvez o mais importante para os primeiros passos de uma organização na tentativa de colocar no seu radar o tema ESG de forma adequada, é que “Nossos Conselheiros, Líderes e Gestores já sabem o que é ESG”. Podemos dizer a partir de décadas de experiência na área de sustentabilidade, tendo sido uma das primeiras empresas de consultoria a inserir de forma obrigatória na nossa metodologia de trabalho a etapa de “sensibilização”, atualmente chamada de etapa de aculturamento, na qual realizamos palestras, reuniões e workshops com o objetivo primeiro de esclarecer o que é ESG do ponto de vista de gestão, que apesar de toda evolução do tema, peso do tema e das formações fantásticas deste lideres, que eles ainda têm muito, a saber, para entender de forma clara, efetiva e pragmática o tema ESG, do ponto de vista de modelo de gestão, gestão multistakeholder e muito mais.

Um segundo mito, inclusive dos mais tradicionais e fortes, é o mito que “Existe uma Agenda Única e Padrão na Área de Sustentabilidade”. Muitos países ou organizações tentam aderir ou adotar temas correlatos a sustentabilidade que nada ou pouco tem haver com a sua realidade ou a sua atividade-fim. Será que toda organização tem grandes impactos na questão das mudanças climáticas ou nas comunidades circunvizinhas? Por que não começar por elementos no campo da gestão de pessoas, focando em seus colaboradores e/ou até as famílias destes colaboradores?

Portanto, fundamental que cada organização identifique e construa a sua Agenda de ESG, identificando os temas prioritários nas suas práticas de gestão e relações com os stakeholders (partes interessadas) prioritários, alguns talvez entendam isto como o que chamamos de “materialidade”. A não construção desta agenda customizada e personalizada pode fazer sua organização investir, perder tempo com temas não tão relevantes para o seu core-business, seu segmento ou sua cadeia de valor.

Um terceiro mito é “O Ressurgimento da Sustentabilidade no Contexto Atual se justifica por uma maior exigência da sociedade do Posicionamento da Empresa em relação ao contexto social pós-pandemia”. A verdade é que pela primeira vez de forma intensa ESG se torna um tema estratégico, conectado com o mundo dos investidores e investimentos, os Conselhos das empresas acordam para o quanto o tema sustentabilidade tem haver com a sobrevivência, futuro e perpetuidade do negócio.

Outro mito é o que “Criar uma Área de Sustentabilidade na Organização é o Único Caminho de avançar neste tema.” Entendendo ESG como um tema transversal a gestão e a todos os relacionamentos da empresa, a depender da forma e de quando a área seja criada, pode até transmitir uma falsa ilusão de que as outras áreas não precisam entender ou atuar nesta temática. Claro que o tema ESG como qualquer tema estratégico precisa de uma liderança estratégica, tática e operacional, contudo a inserção do tema na agenda dos C-Level da empresa e a criação de um Comitê de ESG, envolvendo diversas áreas, podem ser um primeiro passo mais consistente e efetivo, do que criar uma nova “caixinha” no organograma.

Além disto, a localização da área (linha ou staff), o nível hierárquico e o quanto a nível tático-operacional o líder domina o negócio em si e não é apenas um especialista em ESG, fará muita diferença do ponto de vista simbólico e prático.

Um quinto mito é que a “O verdadeiro ESG passa obrigatoriamente por uma reinvenção do meu negócio”. A partir do conceito que criamos e utilizamos na Damicos Consultoria de que “a essência da sustentabilidade de qualquer organização é minimizar os impactos negativos da sua atividade-fim e maximizar os impactos positivos desta mesma atividade”, fica claro que muitas vezes os primeiros passos da organização é entender esta equação, conhecer estes impactos, melhorar a gestão dos mesmos, potencializando os impactos positivos e minimizando ou até eliminando estes impactos. Apenas com este primeiro mapeamento será possível definir ajustes de práticas de gestão, ajustes em produtos e serviços, ajustes em posicionamento de mercado e muito mais, podendo paralelamente perceber o quanto isto pode significar a inserção do ESG na estratégia do negócio já estabelecido ou uma real reinvenção da sua atividade-fim.

E um último e sexto mito é que “Os resultados do ESG sempre serão subjetivos e intangíveis”. Com base no que descrevemos no mito anterior e até em outros mitos abordados neste artigo fica claro que a agenda de ESG pode e deve ter indicadores de gestão, metas, principalmente de curto prazo. Se serão indicadores ou metas qualitativas ou quantitativas, se utilizaremos indicadores diretos ou indiretos, a depender da temática, prática de gestão ou o stakeholder impactado, se o quanto existem ferramentas de mercado que possam nos ajudar nesta construção, aí são outros elementos inerentes a este mito ou a esta verdade.

Destacamos inclusive que muitas vezes questões como as ODS, Pacto Global e uma cultura mais recente no Brasil das empresas estabelecerem metas e compromissos públicos de longo prazo, tipo até 2030, até 2050, não podem estar descolados de um modelo de gestão do ESG estruturado e que dê dinâmica as ações cotidianas, operacionais, táticas ou estratégicas que vão levar realmente ao atingimento destes compromissos de longo prazo e até conectados a uma agenda global.

Após ler estes mitos, imagine construir, planejar e/ou gerenciar sua jornada de sustentabilidade como organização em uma base tão equivocada. Que chances você terá de alcançar algum sucesso na agenda de ESG? Que chances você terá de fazer as escolhas corretas? E além de tudo, como serão sua postura, suas reações em relação aos enormes desafios desta temática? E aos altos e baixos da sua organização como um todo ou do próprio tema ESG na sua empresa?

Portanto, o primeiro passo, é planejar e gerenciar a inserção do ESG na cultura da sua organização, a própria estruturação e/ou reestruturação do Programa de ESG em cima de verdades e não mitos, de práticas de referência no que tange a gestão do ESG.

E após todas estas reflexões, que espero ter gerado em você com este artigo, que tipo de jornada em ESG sua empresa irá fazer?

(*) Fábio Rocha é Colunista Plurale, Consultor, Professor e Diretor-Executivo da Damicos Consultoria. fabio@damicos.com.br







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