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PLURALE EM REVISTA 80 - Avatar

Por Nádia Rebouças, Colunista de Plurale e Diretora da Rebouças e Associados

Quando, no último sábado, minha filha me convidou para assistir outra vez Avatar, não entendi bem por que deveria atendê-la! Ainda bem que venceu meu desejo de estar com ela, fosse onde fosse!

Assisti Avatar quando foi lançado, em 2009; foi um dos filmes de maior sucesso na época. Muita inovação tecnológica, muita beleza, muito movimento, muitas cores! Toda beleza em contraste com o cinza pesado de máquinas capazes de invadir a intimidade da mãe terra e atacar sem dó, em busca de um minério, seus habitantes, que só queriam viver em paz. Rápida a conexão com a indústria da mineração - e pior, com o garimpo, que destrói por onde ataca.

O filme voltou aos cinemas em novo formato, 4K HDR, e agora em dezembro teremos o Avatar 2 - O caminho das águas! Por isso lotar as salas de cinema agora. Recordar para continuar, uma boa estratégia de marketing. Só que assisti-lo de novo foi muito mais do que recordar!

Dirigido por James Cameron, Avatar nos leva para um lugar muito surpreendente! Preservado e amado por seus habitantes, que respeitam e cuidam de tudo por ali com muito amor! Esse lugar chama-se Pandora, uma caixinha de boas surpresas! Lá vivem os Na’vi, seres originários. São altamente evoluídos - e parecem ainda muito mais sábios depois desses 13 anos! De lá para cá, assistimos e aprendemos muito sobre meio ambiente e espiritualidade. Muitos novos agentes de consciência surgiram, além da emergência climática estar nos afetando profundamente.

Para nós, que hoje ouvimos Krenak e o Xamã Yanomami, tornam esse tempo muito válido, reforçado pela reclusão com pandemia, em que rolou muito desafio para nossa consciência. Já lemos a “Queda do céu”, de Yanomami, e “Para Adiar o Fim do mundo”, do amoroso Krenak! Há 13 anos não poderíamos imaginar o ataque ao WATU: “O rio Doce, que nós, os Krenak, chamamos de Watu, nosso avô, é uma pessoa, não um recurso, como dizem os economistas”. E menos ainda imaginar Brumadinho, onde centenas de vidas daqueles que ali trabalhavam foram ceifadas. Além, claro, dos impactos nos rios, na fauna e na flora que viviam ali.

Também não acreditávamos nas inundações, furacões e queimadas que vieram! Clima? Isso é natural, muitos acreditavam, e talvez ainda acreditem. Mas as provas vão chegando e trazendo muito sofrimento e espanto. Fumaça nos céus de São Paulo, provando a existência dos “rios voadores”, massas de ar carregadas de vapor de água, muitas vezes acompanhados por nuvens, que os ventos se encantam espalhando, e que são responsáveis por nosso regime de chuvas. “Rios que voam”, comentados por Carlos Nobre, também eram bem menos conhecidos da população em geral, naquela iniciante década do novo milênio, quando Avatar foi exibido.

Também as calamidades pareciam mais distantes das nossas cidades! Petrópolis, Salvador, Belo Horizonte... Miami, que vejo destruída na TV agora por um furacão. O Presidente Biden já declarou que “este pode ser o furacão mais mortal da história da Flórida”. Muitos mortos por onde o furacão passou e muita destruição. Os números exatos nas cidades por onde o Ian passou não estão claros, mas estamos ouvindo relatos do que pode ser “uma perda substancial de vidas”, disse. Tudo isso acontecia, mas é perceptível o aumento das emergências climáticas! Os extremos se acentuam!

Hoje está provada a existência do wi-fi da floresta, que àquela altura era ainda uma hipótese. Sabemos que as árvores se comunicam por uma rede de fungos e raízes, operando num regime de cooperação para a promoção da vida. Assim como a internet conecta milhões de pessoas, uma rede de inteligência debaixo da terra, chamada de micorriza, permite “conversa” entre árvores. Elas nos ensinam que a competição não favorece nossa jornada no planeta.

Assistimos, em Avatar 1, o compromisso com tudo integrado em profundo respeito. A história acontece no ambiente do planeta Pandora, que é tóxico. Os humanos, apoiados em muita tecnologia, descobriram como construir avatares, corpos biológicos controlados pela mente humana que se movimentam livremente pelo local.

Nesse mundo fantástico, a gente acompanha Jake Sully, um ex-fuzileiro naval paralítico que, como avatar, consegue voltar a andar. Aprende a controlar seu novo corpo e a se movimentar sobre abismos, enquanto se apaixona por uma Na’vi e encontra um novo propósito em sua vida: lutar pela sobrevivência de Pandora. Assistimos aos auditórios lotados de “colaboradores” da mineradora, que compram ordens e investem na destruição atrás do minério. Lembremos que também, há 13 anos atrás, não se falava em ESG!

Quando a tropa cinza é vencida, o coordenador do “negócio” olha nos olhos do Avatar Jake e ironicamente comenta: - Você sabe que voltaremos! Clara indicação de que as riquezas não serão esquecidas, mesmo que tomá-las nas mãos represente muita destruição!

Avatar conquistou o público e fez muito sucesso, sobretudo por ter sido o primeiro contato de muita gente com o cinema em 3D. Agora, o filme retorna às telonas. Avatar 2: O Caminho da Água está marcado para estrear em dezembro de 2022. Pelo trailer já se percebe que vamos para os oceanos - e novamente com imagens de tirar o fôlego. O casal apaixonado agora tem uma família: Jake, Neytiti e seus filhos.

Se você nunca assistiu Avatar ou não lembra direito de sua história, agora é o momento ideal para ir ao cinema e assistir ao filme. E ativar sua consciência. Você mudou seu nível de consciência nesses 13 anos? Já leu Ken Wilber? Será que para você e sua empresa os indicadores ESG terão complemento? Sugiro mais três letrinhas... ECR – Empatia, Conexão, Respeito.

Avatar ganhou 73 prêmios diferentes, incluindo três estatuetas do Oscar, nas categorias Melhor Fotografia, Melhor Design de Produção e Melhores Efeitos Visuais. Além disso, a produção também conquistou o Globo de Ouro de Melhor Filme e Melhor Diretor.







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