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Por favor, não doem mais!!

Por Nádia Rebouças, Colunista Plurale

Pela segunda vez esse mês ouvi essa frase! Me arrepiei; tive a sensação de que entrava pelas minhas veias um sangue cinza, sem cor, sem força - e que sua missão era destruir nosso sangue vermelho, que anima os corpos dos vivos do planeta! Primeiro foi um governador de um estado arrasado, com milhares de famílias e animais abrigados em espaços improvisados e um exército de voluntários que imediatamente se moveu, respondendo com estratégia e rapidez à fome e ao frio, que passou a abrigar os desabrigados. Quando ouvi, me pareceu vir de alguém louco, caído de algum planeta estranho onde, para ajudar o comércio, ainda possível no meio de cidades-rios, doar atrapalharia a economia. Não paramos, nem os gaúchos e nem milhares de brasileiros de todas as regiões. A voz do governador foi abafada por milhares de voluntários que cuidaram de pessoas e animais até criar heróis da resistência, como o cavalo Caramelo e milhares de humanos de todas as idades.

Agora escuto outro louco, desavisado, que imagina ser normal 76.000 famílias vivendo nas ruas da maior cidade de um país continental! “Parem de doar alimentos! Não doem!” Betinho deve ter saído aos gritos por aí com todos os participantes da Ação da Cidadania. As ONGs doadoras passariam a ter uma intensa burocracia para continuar doando. Digo teriam, por que não creio que uma proposta absurda como essa vá adiante!

Esse foi o grito de um vereador da cidade de São Paulo, propondo processos burocráticos e uma multa de R$ 17 mil a quem doar comida para morador de rua. O mais espantoso é que o texto foi aprovado em 25 segundos! Qual a meta dos que votaram a favor? Matar aqueles que estão com fome? Estamos mesmo vivendo, como disse Carmem Lúcia, o momento da “desinteligência racional?”

Nenhuma vergonha por viver num país de tantos miseráveis? Com animais queimados, como nos vemsendo mostrado nos jornais? Perdendo nossos ecossistemas?

Nenhum problema; melhor falarmos de ESG, mesmo vendo comandos de mortes e todos os índices de destruição de nossos ecossistemas aumentarem ano após ano. Vamos fazer conferências, debates e escrever muitos livros sobre ESG...

Não estou dormindo e, portanto, nada disso pode ser um pesadelo. O pesadelo é que está bem acordado. Depende de nós, olhar para frente e conseguir ver um futuro. Cansa lutar a cada semana pelos absurdos criados. Mas a luta vai ter que continuar!

Dia 30 de junho

(*) Nádia Rebouças é Diretora da Rebouças e Associados.







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Giane P M Gatti |
Importante alerta da Nadia. Precisamos agir em duas frentes: políticas públicas para reduzir rapidamente as desigualdades e contar com a ação de ONGs e da sociedade civil, de maneira emergencial sim, e também de maneira assistida, para doar comida. Combater a fome já.

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