De Sônia Araripe, Felipe Araripe e Maurette Brandt
Do Rio de Janeiro

Fotos de Climate Reality Project
Em uma impactante palestra-magna, o ex vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, prêmio Nobel da Paz e fundador da ong Climate Reality, advertiu para os graves riscos das mudanças climáticas para o mundo, especialmente para o Brasil e países em desenvolvimento. Segundo ele, se nada for feito, várias regiões e cidades brasileiras poderão se tornar inabitáveis até 2070. Ele citou cidades da região Amazônica e cidades do Centro-Oeste, como Brasília. O mesmo poderá acontecer em outros países, especialmente os em desenvolvimento.
Al Gore participou, no Rio de Janeiro, da abertura para 800 pessoas de três dias de treinamento gratuito do braço nacional da ONG que fundou, a Climate Reality Brasil, com foco em jovens e lideranças climáticas, de olho especialmente na chegada da COP30, conferência da ONU pelo clima, que será realizada pela primeira vez no Brasil, em Belém do Pará, em novembro próximo.
A palestra de Al Gore durou quase duas horas, com a apresentação de vários episódios recentes de crises climáticas, como no Rio Grande do Sul, em maio de 2024, e as severas secas na Amazônia, ao longo do ano passado. Detalhe: Al Gore falou em um só fôlego, com voz firme e às vezes emocionada com as tragédias climáticas ao redor do planeta que mostrava, e sem tomar um só gole de água. Alternou expressões em português - como “Valeu,galera!” e “casa do Papai Noel” quando mostrou que nem mesmo o Ártico está mais tão gelado quanto outrora.

COP30- Mais tarde, em conversa no palco do evento com o embaixador André Corrêa do Lago, Presidente da COP30, Al Gore confirmou sua presença em Belém. O ex-vice-presidente norte-americano, filiado ao partido democrata, também aproveitou para fazer críticas ao atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, republicano. Al Gore afirmou que Trump não utiliza informações verdadeiras sobre o relacionamento comercial entre o Brasil e os EUA. “Acho profundamente ofensivo para muitos cidadãos americanos que ele [Trump] tenha mentido descaradamente ao dizer que os EUA têm um grande déficit comercial com o Brasil, quando, na verdade, temos um grande superávit comercial com o Brasil. Ele diz que a Ucrânia começou a guerra com a Rússia, e sabemos que foi o contrário. Ele diz que o carvão é limpo. Ele diz que moinhos de vento causam câncer. Ele diz que é um homem honesto. Todas essas coisas são mentiras”, disse o democrata.
Al Gore rebateu críticas sobre a questão da hospedagem em Belém, que está com preços nas alturas. Segundo ele, o governo e o presidente Lula conseguiram resolver esse impasse, garantindo a representatividade na conferência do clima na Amazônia.
“Vá para Belém porque eles vão resolver esse problema; é o presidente da COP e o presidente Lula que estão falando. Eu conheço Lula, se eles estão dizendo que vão fazer o que tiver que fazer para que não haja nenhum problema de inclusão nesta COP é porque eles vão fazer”, disse.
Energias renováveis - Mais cedo, na palestra de abertura do Climate Reality Tour, o prêmio Nobel relembrou as suas críticas e argumentos já apresentados no famoso documentário “A verdade Inconveniente “. Al Gore alertou que os combustíveis fósseis estão impulsionando a crise que vivemos atualmente, lamentando que empresas estejam fazendo “greenwashing” ao falar sobre captura de carbono, novas tecnologias, e redução de emissões. Na sua opinião, o caminho para sair da atual encruzilhada vivenciada pela humanidade está principalmente nas energias renováveis, na inovação - como com carros elétricos - e na agricultura regenerativa. Al Gore mostrou como investimentos em energia solar e eólica no Brasil, na China, nos EUA e em diversos outros países estão ajudando a mudar o cenário de geração de energia. Alertou para casos de ataques de fungos e vírus transmitidos por animais para plantas e alimentos, frisando que a agricultura regenerativa é a melhor saída para as próximas gerações. Foi aplaudido de pé pelo público de 800 pessoas.













