Especial Flip 2025
Texto e foto de Maurette Brandt - Especial para Plurale

A poesia entre caprichos e relaxos
Para o escritor e jornalista Fabrício Corsaletti, “qualquer coisa que precise chegar ao papel está valendo”. Escreve há 30 anos - e confessa ter “inveja” do escritor Murakami, que se mudou para perto de um estádio de beisebol, quando quis escrever sobre o esporte. -Escrevo pra não deixar as coisas morrerem demais - disse.
Lilian Sais, que não tinha tanto prazer no ato da escrita quando começou, “matou o leitor” como ato de liberdade radical: não tinha obrigação de agradar a todo mundo. A partir de então, passou a se sentir mais inteira nos textos.
Parou de escrever quando entrou para faculdade; a mãe estava na UTI, - Não sabia dar nome ao que sentia - pontua. Um dia chegou em casa e começou a escrever, para tentar entender aquele luto. Achava que não conseguia escrever poemas, ainda que quisesse fazê-lo. Mas lançou três livros de poesia antes do primeiro romance.
Fabrício e Lilian, ainda que essencialmente poetas, transitam por várias formas de escrita, como conto e romance. “Golpe de ar” foi o único romance de Fabrício até agora; a poesia impera. - Levo para as outras formas o aprendizado dos poemas - diz.
Quando está com um novo livro pronto, Lílian tranca, literalmente, alguns amigos em casa até ler tudo pra eles. - Mas eu dou comida! - observa. Depois deste exercício, volta ao livro sozinha - sorri.
Fabrício Corsaletti atravessou com certo sofrimento a publicação de um livro de crônicas. - Não sei como esses prosadores dormem - sorri. - Os poetas dormem melhor, penso eu - declara o autor, que tem lido mais poesia ultimamente. - É preciso não esquecer que poesia é humor e vice-versa - pontua. - Até porque serve para quebrar a carapaça - conclui.
Ardem palavras.
Entre linhas, o verso.
Corrente de ar.











