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A COP30 nas redes: reputação em campo minado

Por Flávia Ribeiro*

A COP30 que acontece em novembro em Belém (PA) é marco histórico para o Brasil e a região amazônica. No entanto, as conversas nas redes sociais intensificaram problemas como a falta de estrutura local para realização do evento, os conflitos institucionais e políticos. O que é triste é perceber que estamos nas vésperas do evento e essas pautas dominam o debate ao invés do que realmente importa: conversar sobre soluções para mitigar os riscos climáticos, desmatamento, metas, articulações intersetoriais, etc. Faltando apenas 3 meses para o evento, ainda há questionamento crucial nos bastidores: vou ou não participar da COP30?

A resposta, como aponta o estudo “Termômetro das redes: COP30 Amazônia”, desenvolvido pela And, All em parceria com a PR & Comunicação Estratégica e a Polis Consulting, demanda mais do que entusiasmo institucional. Exige inteligência de dados, escuta ativa e um planejamento estratégico robusto. O levantamento analisou mais de 376 mil menções espontâneas à COP30 entre janeiro de 2024 e março de 2025, usando ferramentas como Google Trends, Answer the Public e Brandwatch. O monitoramento confirma que a COP30 já está em curso no imaginário coletivo e debate é altamente polarizado e sensível. Os riscos de exposição negativa são concretos.

Segundo o levantamento, as principais ameaças reputacionais identificadas incluem: acusações de greenwashing, associação a controvérsias locais (deslocamentos, exclusões, desigualdades), polarização político-ideológica e silenciamento de vozes amazônicas e indígenas. Em resumo: não basta estar na COP30. É preciso saber como e com quem estar. Participações isoladas, sem narrativa clara, sem vínculos concretos com o território e sem preparo para lidar com crises, podem manchar a reputação dos negócios.

Como mitigar riscos? Estratégia, não marketing

· Mapeamento detalhado de percepção digital e risco;

· Participação alinhada a coletivos, ONGs, plataformas multissetoriais;

· Narrativas autênticas conectadas a ações reais em território amazônico;

· Porta-vozes preparados com dados, escuta qualificada e letramento climático;

· Planos de resposta e protocolos de crise.

Energia em foco, agro na sombra

A análise das menções mostra que o tema energético domina o debate digital. Combustíveis fósseis é a bola da vez. Isso indica que a COP30, nas redes, tem sido vista como um referendo público sobre a velocidade da transição energética — com a pressão crescente para o Brasil declarar uma data-limite para petróleo, gás e carvão. Curiosamente, o agronegócio — setor que responde por mais de 70% das emissões brasileiras — aparece pouco no debate espontâneo. Não estamos conversando sobre desmatamento, agropecuária e uso do solo. Um dado que acende o alerta: o risco não está apenas no que é dito, mas no que ainda não se diz.

Sustentabilidade em xeque: confiança abalada

Um estudo global da GlobeScan, ERM Sustainability Institute e Volans, com 844 especialistas em sustentabilidade de 72 países, corrobora o cenário desafiador. Segundo o relatório “Sustainability at a Crossroads”, 93% dos entrevistados acreditam que a atual abordagem da agenda de sustentabilidade precisa ser revista. Mais da metade (56%) pede uma mudança radical. Apenas 6% acham que está funcionando como deveria.

Esse ceticismo também afeta o setor corporativo. Tecnologias emergentes como geoengenharia e captura de carbono são vistas como promessas distantes. Em contrapartida, ações tangíveis como integração da sustentabilidade à estratégia empresarial, inovação em P&D e economia circular são consideradas mais viáveis — e mais valorizadas no curto prazo.

Diante desse cenário, a COP30 é tanto uma oportunidade estratégica quanto uma possível armadilha reputacional. O erro, neste caso, é a omissão ou a participação mal preparada. E isso vale para empresas de todos os portes e setores.

O Brasil chega à COP30 com os olhos do mundo voltados para sua atuação climática, ambiental e social, mas com contexto muito frágil. É comum ouvir de colegas de que a COP30 não será efetiva. Para as empresas, especialmente os setores de energia e agronegócio, não há espaço para improviso. Vivemos uma era pulsante com a inteligência artificial. Interpretar dados e analisar tendências é fundamental para a tomada de decisões. Construa presença com base em escuta, dados e coerência. Afinal, como em toda arena pública, reputação não se improvisa, se constrói.

*Jornalista e consultora em Comunicação, Marketing e Sustentabilidade. É Mestre em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social pela UFRJ.







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