Texto e fotos por Felipe Araripe, Repórter Especial de Plurale
De São Paulo (*)

Com a aproximação da COP30, que será realizada em Belém (PA), a Bayer, em parceria com a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), promoveu um workshop em São Paulo voltado a mais de 20 jornalistas. O objetivo do encontro foi aprofundar o debate sobre o papel da agricultura nas mudanças climáticas e ampliar o entendimento da imprensa sobre as negociações climáticas internacionais que envolvem o setor.
Durante o evento, especialistas traçaram um panorama que foi desde a explicação sobre a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas até os desafios e oportunidades da agricultura frente à sua pegada de carbono. Temas como agricultura regenerativa e a presença do agro nos principais fóruns globais também foram abordados, com foco em como o setor pode contribuir para alcançar as metas estabelecidas em conferências.
Uma das discussões centrais girou em torno da imagem da agricultura brasileira nos meios de comunicação. Jornalistas e palestrantes debateram como o setor, muitas vezes visto como entrave às metas climáticas e comerciais, pode ser reposicionado como parte da solução.
Nesse contexto, a ABAG, com o apoio da Bayer e outras empresas do setor, desenvolveu um manual com diretrizes para o posicionamento do agronegócio brasileiro na COP30. O material detalha a postura do setor frente às mudanças climáticas, destacando seu potencial de mitigação e sua capacidade de promover segurança alimentar de forma sustentável.
A iniciativa reforça que, embora seja um dos setores mais vulneráveis aos impactos climáticos, a agricultura também é estratégica na construção de soluções, seja pela mitigação de emissões, pelo uso eficiente de recursos naturais ou pelo acesso a financiamentos climáticos baseados em critérios objetivos. A COP30 é vista pelo setor do agronegócio como uma oportunidade única para o Brasil se firmar como potência na agricultura de baixo carbono e protagonista na geração de créditos de carbono.
Bayer na COP30
Como parte do seu engajamento com a agenda climática, a Bayer realizou restauro no Casarão, um espaço cultural e educativo localizado na histórica Avenida Nossa Senhora de Nazaré, em Belém. O prédio centenário, restaurado pela empresa, funcionará como hub de eventos, debates e ações sociais até dezembro de 2025. A multinacional investirá recursos entre junho de 2025 e junho de 2026 para custear atividades sociais como cursos de informática, redação, teatro, música, além de oferecer apoio jurídico e psicológico a estudantes da rede pública e famílias em situação de vulnerabilidade.

Felipe Albuquerque, diretor de Sustentabilidade da Bayer para Latam
Para Felipe Albuquerque, diretor de Sustentabilidade da Bayer para a América Latina, a COP30 representa um ponto de virada. “Ter a COP lá em Belém é uma oportunidade de melhorar a cidade, isso que estamos olhando para a COP como empresa. Um exemplo disso é a casa da Bayer, o Casarão, que será uma casa da agricultura, da saúde, buscamos criar um espaço na cidade onde podemos ter conversas importantes para nosso ramo”.
Felipe também compartilhou a experiência de receber executivos da matriz alemã da Bayer no Casarão, dias antes do workshop. Ao discutir os desafios logísticos da realização da COP no Brasil, já que é um grande evento, ouviu um comentário que mudou sua perspectiva: “Nós temos a chance de pela primeira vez ter a COP aqui, não como empresa, mas sim como indivíduos. No meu país, talvez seja a única vez que talvez eu vá receber a COP, vamos fazer diferente, mostrar a criatividade dos brasileiros, o nosso orgulho”.
Renan Magalhães, gerente de Comunicação Corporativa da Bayer para a América Latina, ressaltou os dois papeis do agro: o técnico, voltado às boas práticas e à produtividade sustentável, e o social, com sua importância no debate climático. “É um setor que tem o incrível potencial de ser a solução, que pode capturar carbono, vemos agora na COP, sendo parte ativa para a solução, na COP podemos trazer a solução para uma discussão mais ampla e de diversas vozes, contribuindo”.

Renan Magalhães, gerente de Comunicação Corporativa da Bayer para Latam
Brasil como líder de agricultura sustentável
A agricultura regenerativa também esteve no centro das discussões. Carla Gheler, coordenadora da Câmara Técnica de Sistemas Alimentares (CT Alimentos) do CEBDS, destacou o papel do Brasil como liderança global do agronegócio sustentável: “O grande ponto que precisa mudar da agricultura regenerativa é a sua falta de popularidade. Precisamos dos jornalistas, da mídia, para que haja essa popularização geral e que esse tema de difícil compreensão passe a ter o apoio que necessita”.

Carla Gheler, coordenadora da Câmara Técnica de Sistemas Alimentares (CT Alimentos) do CEBDS
Já Ingo Plöger, vice-presidente da ABAG, reforçou a liderança tecnológica da agropecuária brasileira e o avanço das mulheres em posições de comando no setor. Ele também defendeu maior protagonismo da agricultura nos debates multilaterais: “O agro é mais solução do que problema, assim, estamos convidando a todos os países que têm essa relação com o agro para este debate de ação”.

Ingo Plöger, vice-presidente da ABAG
(*) Plurale esteve em press trip a convite da organização do evento.













