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Plurale abraça Belém do Pará e a COP30

Lançamento da Edição 91 da revista, dedicada à COP30, aconteceu no dia 9 de novembro, em parceria com a Casa Balaio

Texto de Felipe Araripe e Maurette Brandt

De Belém do Pará - Especial para Plurale

Fotos de Felipe Araripe/ Plurale


Numa bela tarde de domingo, no tranquilo bairro de Nazaré, em Belém do Pará, a Casa Balaio - um esplêndido casarão colonial restaurado nos mínimos detalhes - abriu suas portas para o lançamento da edição 91 da Revista Plurale, que há 18 anos se dedica ao meio ambiente, à ação e à cidadania. Sob a direção da competente jornalista Sônia Araripe, cuja carreira na imprensa brasileira é amplamente reconhecida, Plurale entrou em cena como um veículo definidor no ambiente jornalístico, quando o assunto é a questão ambiental.

O evento reuniu um grupo seleto de pessoas de grande protagonismo neste segmento da informação. A Casa Balaio é uma parceria da Jambo Comunicação, dirigida por Rita Soares, de Belém, e a Alter Conteúdo Comunicação, dirigida por Kelly Lima e Fabíola Ditomaso - que também é sócia da Casa Balaio e abriu o evento. Em seguida, a anfitriã passou a palavra à editora de Plurale, Sônia Araripe.

Sônia falou da alegria de cobrir a COP30 - a primeira COP na Amazônia - e também a Cúpula dos Líderes, que aconteceu nos dias 6 e 7 de novembro.

- É uma honra estar aqui com vocês, para apresentar a Revista Plurale, que está completamdo 18 anos - e participar da cobertura da COP30, a primeira realizada no Brasil e aqui, em Belém do Pará - comemorou Sônia.

- Este é um momento muito importante para o Brasil e para a Amazônia - acentuou a jornalista. - Estamos no centro da realidade amazônica; e é hora de conhecer, e sobretudo divulgar, a importância da Amazônia para o meio ambiente e para a sobrevivência do nosso planeta - disse, lembrando que cobriu a Rio 92, a Rio +20 e diversas Conferências e Eventos ao longo dos últimos 30 anos.

Em seguida, Sônia passou a palavra para a primeira convidada: Rayane Xipaia, da etnia indígena Xipaia. Aos 23 anos, é a principal articuladora da juventude indígena amazõnica e milita em várias das questões que envolvem os povos originários desde 2020.

Especialista em Direitos Fundamentais do Meio Ambiente, Rayane esetá prestes a construir o Mestrado em Direitos Humanos. Sua comunidade, xipaia, sofreu muitos traumas ao longo dos cinco anos da construção da Siderúrgica de Belo Monte. Como ativista pelos direitos dos povos originários e pelo clima, Rayane integra o grupo formado por Marcele Oliveira, a jovem Campeã da COP30, que foi a entrevistada no número 90.

- Nesse grupo formado pela Marcele, havia um indígena de cada bioma - explicou. - Antes, as crianças e os jovens indígenas estavam excluídos dos textos da COP; mas agora, graças à Marcele, foi criada uma plataforma para que todos possam participar - explicou. - O Brasil é enorme; e uma pessoa só não pode representar todo mundo. - Então a Marcele decidiu criar um comitê de jovens, do qual participo - disse. - E este é o nosso ano para fazer valer a pena e apresentar as demandas da juventude - orgulha-se. - Segundo a Secretaria Nacional da Juventude, agora serão dois delegados jovens por bioma - comemora.

-Há muitas disputas por região - esclarece Rayane. - O que a juventude quer é recortes - diz. -Este é um ponto sensível do debate; ter que filtrar muito as emoções. - O futuro esperado é o bem-viver - destaca. - E o medo desse futuro não ser possível é uma questão muito importante para nós e para todos - ressalta. - É preciso encontrar formas de enfrentar as crises climáticas. O futuro é o direito à vida - resume.

- Nós já saímos da fase de perspectiva; agora estamos na fase de ebulição: ou seja, entender como e o que precisamos fazer - define. - E este entendimento começa com a coleta certa do lixo - resumiu a especialista, muito aplaudida, ao passar a palavra à segunda convidada, a jornalista e pesquisadora da Comuncação Elizabeth Oliveira.

Jornalismo de qualidade e muita pesquisa

Veterana no ambiente das COPS e jornalista do site O Eco, Beth - como é chamada pelos colegas - cobre temas ambientais há 25 anos e decidiu, num dado momento da carreira, que precisava se qualificar. - Foi aí que aprendi que este é um processo de construção que não termina nunca - reflete. - E a pesquisa, seja para as pautas ou para o conhecimento em si, é ferramenta diária - observa.

Beth tem viajado muito pela Amazônia - e, com isto, passou a entender que, na verdade, são muitas as Amazônias. - A natureza dos povos originários é muito plural e rica - destaca a jornalista.- E todas as suas facetas são importantes para o Brasil- afirma.

Para Beth, os desafios da Comunicação ambiental são enormes. - Hoje temos redes independentes muito importantes, como Colabora, Sumaúma e outras, que estão firmes na resistência, ampliando o debate.

Beth está cobrindo a COP30 para o Ecco e outros veículos; e admite que estamos vivendo uma crise ética que é da própria humanidade. - Afinal, quem está pensando a crise global? - desafia. - A essência está em RELIGARE - ou seja, em “religar”; está mais do que na hora de nos reconectarmos com o essencial, com a Natureza e conosco mesmos - reflete.

Ela completa falando que o grande desafio do jornalismo é a questão política. - Precisamos de mais políticas públicas para diminuir as desigualdades; e também temos enfrentar os poderes constituídos, que muitas vezes impedem a realização das políticas. São diferentes atores - destaca.

- O nosso desafio é, justamente, mostrar, apontar os desafios; e disputar o diálogo, pois as pessoas têm dificuldade para ser ouvidas. Ou seja: temos que ouvir essas vozes, colocá-las em evidência. E, sobretudo, enfrentar a onda de desinformação que desafia a sociedade global - observa. - E como vamos enfrentar esses interesses políticos e econômicos? - provoca. - Com jornalismo de qualidade - concluiu.

Comida e música do Pará, amigos e vizinhos latinos: toque de alegria, tempo de conversar

Após a apresentação, a equipe de Plurale distribuiu aos presentes a edição 91 da revista, com várias matérias focadas no pluralismo da cidade de Belém. Estiveram presentes ao lançamento também, a jornalista Liana Mello, do Colabora, a arquiteta e antropóloga Vânia Velloso Pereira Neto e seu marido Luciano - amigos que trabalharam na área ambiental da Vale por vários anos, inclusive junto a comunidades indígenas, em Carajás.

Num ambiente alegre e cheio de simbolismos, a Casa Balaio e Plurale recebiam os convidados com um “banho de cheiro” bem paraense, logo na entrada. Encerrados os depoimentos, foram chegando as comidinhas: arroz paraense, tacacá e um delirante creme de cupuaçu com chocolate - tudo isso acompanhado pelo “melhor do brega” paraense, nas mãos de um experiente DJ da terra.

Entre os convidados, a presença de um grupo de ativistas colombianos que vieram participar da COP30 deu o tom da festa; além de dançar muito bem, os vizinhos latinos tinham habilidade para aprender nossos ritmos e balanços. Isso sem contar a simpatia do grupo, que conquistou a todos. Por meio deles ficamos conhecendo, também, algumas das florestas da Colômbia, que nos mostraram em fotografias.







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