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Exclusivo: Setor de Seguros oficializa interesse em investir no TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre)

Em coletiva para jornalistas, o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, afirmou para Plurale que existe diálogo com o governo federal para que seguradoras invistam no TFFF. CNseg trouxe novo estudo sobre não segurados desconhecerem informações de seguros

TEXTO E FOTOS DE FELIPE ARARIPE, REPÓRTER ESPECIAL DE PLURALE

DIRETAMENTE DE SÃO PAULO

Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, e Claudia Prates, diretora de sustentabilidade da CNseg. FOTO DE FELIPE ARARIPE/PLURALE

Nesta quinta-feira, dia 12 de dezembro, a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) realizou, em São Paulo, seu encontro de final de ano, com coletiva de balanço anual com a imprensa. Em resposta para Plurale, Dyogo Oliveira, presidente da CNseg, revelou que a confederação está em contato com o governo federal, através do Ministério da Fazenda, Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, e Ministério de Relações Exteriores, tratando da possibilidade de que empresas do setor de seguros possam participar do Tropical Forests Forever Facility, o TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre), fundo que visa à preservação de florestas tropicais, lançado oficialmente na COP30, a trigésima Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas da ONU, realizada neste ano em Belém. Até o momento, o fundo conta com apoio monetário de US$ 6,7 bilhões em investimentos dos governos de Noruega, Brasil, Indonésia, França, Alemanha, Holanda e Portugal. Somente o Brasil aportou US$ 1 bilhão de dólares para o fundo. Esta notícia apurada por Plurale revela a primeira confirmação oficial de empresas privadas estarem ativamente dialogando para realização de aportes no fundo, até agora, nenhum outro setor, sem ser o segurador, confirmou que está em estágio de conversas com o governo para realizar investimentos no TFFF, reafirmando a liderança do setor de seguros pela agenda climática, algo já concretizado com a presença de seguradoras nas principais discussões da COP30.

O TFFF será um fundo de mercado, mas ainda não está definido como funcionarão os aportes. O governo informou que não serão doações para preservação ambiental, serão investimentos que gerarão rendimento para seus investidores. De acordo com o planejamento inédito da organização brasileira da COP, informado em coletiva em Belém, o TFFF deverá receber cerca de US$ 25 bilhões de investimentos de governos e fundações internacionais, além de um aporte de US$ 100 bilhões da iniciativa privada. O mecanismo do fundo será reconhecer os esforços para a proteção de florestas e dar incentivos financeiros para a proteção delas. O Banco Mundial será o responsável por administrar os recursos, que serão aplicados em fundos e títulos de baixo risco, não vinculados a negócios que causam desmatamento ou emissão de gases de efeito estufa, neste último caso, tornando investimentos em combustíveis fósseis excluídos deste dinheiro, como petróleo, gás e carvão. De acordo com projeção do governo brasileiro, o TFFF poderá dobrar ou triplicar os orçamentos dos ministérios voltados para o meio ambiente nos países com florestas tropicais. Pelos parâmetros, 79 países que possuem florestas tropicais e subtropicais são elegíveis para receber uma parte do lucro do fundo, como Brasil, Colômbia, Indonésia, Peru e outros. Como critério para a captação, os países devem ter uma taxa de desmatamento de até 0,5% ao ano. Para que esta meta seja cumprida, foi informado que um sistema de satélites será implementado, visando a transparência dos dados. Pela regra, cada hectare de floresta preservada valerá US$ 4,00 ao ano. Até agora, 34 países que possuem florestas tropicais já apoiam o TFFF, abrangendo 90% de todas as florestas tropicais e subtropicais dos países em desenvolvimento. O fundo destinará 20% dos recursos às comunidades originárias, reconhecendo o papel fundamental dessas populações na proteção das florestas.

No final da COP30, a CNseg reafirmou, em carta pública endereçada às lideranças da conferência, o interesse do mercado segurador na agenda ESG. O texto afirma que o fundo poderá se beneficiar de instrumentos securitários, ampliando seu impacto e promovendo uma junção entre os setores público e privado na pauta ESG. Dyogo Oliveira destaca que há espaço tanto para seguradoras brasileiras quanto internacionais avaliarem investir no TFFF, como forma de compromisso do setor com investimentos ambientais. No entanto, ainda não há nada oficializado, já que o fundo não recebeu aportes de empresas privadas: “As conversas com os ministérios estão em andamento, devemos ter um período de operações dos detalhes operacionais, há uma série de dúvidas operacionais que precisam ainda ser respondidas, mas o mecanismo em si me parece bastante inteligente e sofisticado, que realmente pode chamar a atenção e interesse de investidores privados, entre os quais, as seguradoras e resseguradoras podem ter interesse neste fundo”.

Dyogo Oliveira, presidente da CNseg. FOTO DE FELIPE ARARIPE/PLURALE

Dan Ioschpe, Campeão de Alto Nível do Clima da COP30, em entrevista exclusiva para Plurale, afirmou que o setor empresarial global se surpreendeu com a participação ativa na conferência, sendo, junto à sociedade civil, responsável pelo avanço de pautas importantes, como a evolução do TFFF: “Nós tivemos uma participação da sociedade não governamental, que é o eixo dessa agenda voluntária da ação climática, também com os governos, mas muito da sociedade. No caso brasileiro, alguns assuntos andaram muito, como a temática da floresta, seja do ponto de vista mais global do TFFF, como os projetos de recuperação de áreas degradadas, de agricultura regenerativa, de bioeconomia, também andaram muito, e eu acho que a gente ainda vai ver muito avanço nessas temáticas que compõem a agenda de ação climática e que falam muito com o mundo empresarial”.

Em entrevista exclusiva à Plurale, Ana Toni, CEO da COP30, comentou o sucesso do TFFF, iniciativa finalista do Earthshot Prize, premiação global criada pelo Príncipe William, sinalizando que o projeto é uma ação importante para a conferência: “A presença dele (TFFF) mostra que a COP30 já influencia diversas outras áreas, diversos outros prêmios, instituições, então fico muito feliz. Me dá a sensação de que o mutirão está dando certo sim, ao nos preparar para isso”.

Na carta endereçada à liderança da COP30, a CNseg demonstrou a presença que terá na próxima COP, a ser realizada na cidade de Antalya, na Turquia, na costa do Mediterrâneo. Claudia Prates, diretora de sustentabilidade da CNseg, disse à Plurale sobre o protagonismo e a presença que pretendem manter na COP31, assim como as que já tiveram nas três últimas conferências: “Já estamos articulando com os nossos empoderadores, as nossas seguradoras e também com o setor, para a gente tentar levar, não na mesma magnitude, mas ter uma participação relevante, até porque o setor foi mencionado, em alguns documentos da COP. O setor de seguros está sendo visto como um importante pilar da transição climática”.

Claudia Prates, diretora de sustentabilidade da CNseg. FOTO DE FELIPE ARARIPE/PLURALE

Previsões para 2026 do Mercado Segurador e Pesquisa Inédita sobre Seguros

O presidente da CNseg afirmou que este ano foi muito bom para o mercado segurador, mesmo com os efeitos do IOF. De acordo com projeções da instituição, o setor de seguros deve crescer cerca de 8% em 2026. O número considera todos os segmentos, exceto previdência privada. Entre os produtos com melhor desempenho projetado para o próximo ano, o seguro Automóvel deve crescer 7,7% em 2026. Entre janeiro e setembro deste ano, o produto arrecadou R$ 45,2 bilhões, alta de 6,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O avanço reflete, principalmente, a estabilidade da sinistralidade, que se manteve em 59,8% até setembro de 2025, e o aumento das vendas de veículos, em especial, os elétricos e híbridos, que, de acordo com dados da Fenabrave, seguem atraindo consumidores, podendo fortalecer a demanda pelo produto no próximo ano.

Apesar do crescimento, o seguro rural é um ponto de atenção, já que a inadimplência chegou a 11,4% neste ano, o maior patamar da série histórica.

Dyogo Oliveira afirmou que o mercado segurador inicia agora seu “segundo ato”, visando a contratação de seguros por pessoas que ainda não os possuem. Essa meta foi reforçada por uma pesquisa encomendada pela confederação, ainda não totalmente divulgada, apresentada parcialmente para jornalistas. O levantamento mostra que 85% das pessoas que não possuem seguros desconhecem termos básicos, como “sinistro” e “franquia”, que significam, respectivamente, um evento inesperado que causa prejuízo e a participação financeira do segurado nesses custos.

A pesquisa também segmenta consumidores por classe social e gênero, revelando que o setor se divide entre quem possui seguros, o recomenda e entende do tema, e quem não possui e não compreende o assunto, sendo que o executivo informou que a pesquisa aponta que quem não compreende o tópico não recebe oferta de produtos de seguros. O novo objetivo para alcançar essa parcela não segurada é investir em marketing e no relacionamento com a imprensa, disseminando informações sobre produtos e oportunidades: “As empresas precisam usar o marketing para ir além da marca. O seguro era praticamente ausente da grande propaganda brasileira, mas, nos últimos anos, vem crescendo muito. Muitas empresas têm feito isso, mas tem esse passo adicional, que não adianta só a marca, tem que levar o produto, nosso cliente não entende o produto. A gente precisa explicar o produto e a marca”, revela Dyogo.

No evento, foi informado que, segundo a pesquisa, as mulheres declaram entender menos sobre seguros do que os homens, mas, ao responderem questionários, acertam mais questões. Em relação às classes sociais, as classes A e B apresentam maior compreensão e valorização, na classe C, esses índices são menores.

Na coletiva, a confederação também abordou o seguro de catástrofe, que poderia liberar, emergencialmente, fundos para pessoas que forem afetadas por eventos climáticos de grande magnitude, tema cada vez mais presente no noticiário diante dos recentes desastres no Sul do Brasil. A SUSEP (Superintendência de Seguros Privados) criou um grupo de trabalho que discute o tema com a CNseg. Diversos parlamentares possuem propostas sobre o assunto, mas, até agora, não há um projeto definitivo. O presidente da confederação afirmou que a COP30 foi um espaço importante para avançar na conversa sobre a criação desse tipo de seguro.


Relatório de Sustentabilidade 2025

Na ocasião, também foi divulgado o Relatório de Sustentabilidade do mercado, na sua 10ª edição. De acordo com o levantamento, os processos de seleção e homologação de fornecedores incluem critérios ESG em 82% das empresas, fortalecendo uma cadeia de valor mais responsável.

O Relatório também destaca que 69% das empresas já avaliam o histórico e os compromissos ESG de clientes e proponentes, demonstrando maior rigor e alinhamento às boas práticas do mercado. No desenvolvimento de produtos e serviços, 57% das empresas já aplicam diretrizes ESG em seus processos de criação e comercialização. 35% identificam e rotulam produtos e serviços que geram benefícios climáticos, ambientais ou sociais, reforçando um portfólio mais alinhado à sustentabilidade. Em governança, ética e integridade, o relatório aponta que 94% das empresas incorporaram estruturas de governança ESG, como comitês e áreas dedicadas.

Claudia Prates informou que a CNseg está preparando meios para oferecer ações qualitativas em ESG que podem ajudar as empresas do ramo a serem mais inclusivas, já que elas aparecem cada vez mais empenhadas na parte socioambiental: “A gente vem observando um direcionamento cada vez mais na responsabilidade social e climática nas seguradoras”.

Ela ainda aponta que o atual regulamento para classificação de produtos como sustentáveis na SUSEP é quase autorregulatória, onde as empresas caracterizam seus produtos como sustentáveis, a SUSEP avalia se os produtos são sustentáveis ou não, somente após a empresa categorizar: “Existem poucas seguradoras que classificaram seus produtos como sustentáveis, ainda há uma insegurança para isso, iremos conversar com a SUSEP e dar base mais concreta sobre esses critérios”.

Casa do Seguro na COP30. FOTO DE FELIPE ARARIPE/PLURALE

Os avanços das seguradoras na COP30 foram lembrados, como a criação da Casa do Seguro, espaço da CNseg na conferência para discutir sobre o setor de seguros e a intersetorialidade. A iniciativa foi realizada com o apoio de empoderadores, Allianz, AXA, BB Seguros, Bradesco Seguros, Caixa Seguridade, MAPFRE, Marsh McLennan, Porto, Prudential e Tokio Marine, apoio institucional da Escola de Negócios e Seguros (ENS), Associação Comercial do Pará (ACP) e o Sindicato dos Corretores de Seguros do Pará (SincorPA). O espaço contou com 60 painéis, 230 palestrantes, entre eles, a Embaixadora Tatiana Rosito, secretária de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Dan Ioschpe, Campeão de Alto Nível do Clima da conferência, entre outros. O local ainda agregou mais de 2 mil participantes e 10 mil de forma online. Houve o lançamento do HUB de Inteligência Climática, plataforma idealizada pela confederação, com estudo inédito com os impactos econômicos do clima no Brasil e ferramentas para monitorar áreas rurais e inundações. Além do lançamento de novos produtos sustentáveis na Casa do Seguro, como o Bioseguro da MAPFRE, seguro ambiental criado para proteger projetos de restauração e reflorestamento, com o ineditismo de proteger áreas de restauração e reflorestamento contra incêndios, um compromisso com a recomposição da vegetação nativa. A MAPFRE anunciou que, neste seguro, ela vai cobrir o reflorestamento das áreas perdidas por incêndios florestais, esta é somente uma das medidas sustentáveis da MAPFRE, como fala Ivo Kanashiro, superintendente de sustentabilidade da empresa: “Sustentabilidade está num pilar estratégico da MAPFRE, desde 2024 neutralizamos as emissões em alguns países, até 2050 a gente vai ser net zero, temos estratégia, temos compromissos e metas claras de integrar a sustentabilidade ao nosso valor de negócio, com produtos sustentáveis que são mecanismos de adaptação nessa economia de transição de baixo carbono”.







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