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2026: o ano da resiliência reputacional

Por Luiz Antônio Gaulia, Colunista de Plurale

O novo ano de 2026 começa com uma enorme carga de notícias impactantes sobre as empresas, os executivos e os mercados. Do segmento da indústria do petróleo ao mundo das finanças, do entretenimento ao universo da inteligência artificial, as crises parecem tempestades que vieram para ficar.

O fato é que enfrentaremos uma enorme pressão na economia e nos mercados, doméstico ou global. São grandes os desafios para as empresas, suas marcas e o futuro dos negócios.

POLICRISE.

Me arrisco a dizer que vivemos num cenário de "policrise". Um ambiente no qual as organizações não enfrentam apenas as ameaças pontuais, mas uma continuidade de perigos. Situações que as colocam numa verdadeira "corda bamba".

Prosperar neste ambiente de instabilidade requer, entre outras questões, preservar a boa reputação como um ativo para manter e gerar negócios. Defender o prestígio de uma organização exige mais do que a tradicional gestão de riscos. Demanda um olhar com foco no resultado do curto prazo, mas também nas decisões que afetam a sustentabilidade da empresa ao longo do tempo.

Quando uma marca brasileira e centenária como a LUPO decide abrir uma fábrica no Paraguai, ela tem como um dos pilares a credibilidade de seu nome para manter diferentes stakeholders engajados e consumidores fiéis aos seus produtos. E este valor intangível de sua marca a ajuda a ser bem recebida fora do Brasil, mesmo ela tendo que construir uma história nova, no novo endereço de sua operação industrial. Se aqui todos sabiam que a LUPO era uma “boa vizinha”, por lá, nas terras paraguaias, ela precisará formar uma opinião a seu respeito. Uma boa opinião, de preferência.

Quando o Banco Master mergulha em mar de investigações sobre gestão fraudulenta, gestão temerária e até de organização criminosa, o nome da empresa, surgido em 2018, é atingido mortalmente em seu valor. Uma “master crise” que envolve outras entidades bancárias e instituições públicas em seu rastro de escândalo vai perdurar por muito tempo e vai afetar diferentes públicos.

Estes e outros exemplos nos alertam para a busca de uma resiliência reputacional profunda. O que seria isso? Uma reputação baseada na confiança dos stakeholders que atuam como a verdadeira “rede” de proteção para o futuro da empresa.Sem confiança não existe negócio, mesmo que seja um negócio criminoso, não é mesmo?

A pergunta é como lidar com as ameaças e os perigos deste ano (e dos próximos)?

CINCO PILARES PARA ENFRENTAR UM AMBIENTE CAÓTICO.

Avançar neste ambiente de caos, com certa dose de certeza, requer ao menos cinco pilares estratégicos, que servem para empresas de diferentes segmentos.

São eles, no meu entender:
1 - Conhecer de fato os stakeholders que se relacionam e influenciam a empresa. Ter entre eles “defensores” reais da marca.

Quem são seus defensores na hora da crise?

2 - Garantir o alinhamento e a integração total entre diretorias (uma empresa dividida em "feudos" perde foco e competência).

Todos os seus diretores têm uma visão alinhada sobre o futuro da empresa? E num momento de crise? Estarão unidos?

3 - Ter um compromisso real com seu propósito e sua execução diária, tratando a governança corporativa não como um código de conduta tipo “faz de conta” e esquecido numa gaveta, mas prática diária dos gestores.

Sua governança corporativa se baseia em valores praticados ou em um teatro corporativo e uma “agenda oculta”?

4 – Possuir uma comunicação organizada para gerar valor interna e externamente e na qual a confiança na palavra é o fiel da balança.

Seus empregados estão informados e sabem dos rumos da empresa? Suas ações de marketing cumprem suas promessas?

5 – O mais IMPORTANTE: ter o cuidado com o ser-humano não como obrigação acessória, mas como pêndulo da credibilidade e da sua razão social, sua razão de existir.

Sua pessoa jurídica é uma boa cidadã corporativa?

Neste mundo onde a percepção pública é tão instável quanto o mercado, ser resiliente significa transformar a vulnerabilidade em transparência e a incerteza em uma oportunidade para reafirmar valores inegociáveis.

Faz sentido para você?







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