POR NATHALIA GARCIA, DIRETORA DE MARKETING DO BRADESCO
ARTIGO EXLUSIVO PUBLICADO NA EDIÇÃO 90 DE PLURALE
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Venho observando, com cada vez mais clareza, que o marketing está longe de ser um território estático. É um organismo vivo, em transformação constante. E, talvez, o que mais me fascine nessa jornada seja justamente o desafio de acompanhar – e, muitas vezes, antecipar – esse movimento.
Um dos pontos que mais me chamou atenção nos últimos tempos é como a inteligência artificial, que antes parecia distante, já está no nosso dia-a-dia. Hoje, ela nos ajuda a personalizar experiências, agiliza processos e amplia as possibilidades criativas. Mas apesar de toda essa eficiência, sigo acreditando: o que realmente cria valor, o que faz uma marca ser lembrada e querida, ainda é – e sempre será – o humano.
Na última edição do SXSW - South by Southwest, um dos maiores eventos globais de mídia, comunicação e marketing, em Austin, assisti ao painel do médico e escritor Peter Attia, chamado The Science and Art of Longevity. A proposta dele, chamada de Medicina 3.0, vai muito além de viver mais; trata de viver melhor. E, enquanto ouvia, pensei: não é exatamente esse o nosso desafio com as marcas? Ir além da performance e construir algo que gere impacto real, que tenha propósito e longevidade?
Voltei com a sensação de que, num mundo cada vez mais digital, o nosso papel como profissionais de marketing está, para além de acompanhar tendências, muito mais em conectar pontas. Conectar dados e intuição. Tecnologia e sensibilidade. Informação e emoção. Porque, no fim do dia, ninguém quer ser apenas impactado; a gente quer se sentir compreendido.
Outro ponto que trago comigo é a importância de manter o olhar crítico. Em eventos como o SXSW, onde os estímulos são intensos, é fácil cair no encantamento coletivo. Mas marketing não é sobre seguir manadas, e sim sobre encontrar caminhos únicos, sustentáveis, com coragem de fazer perguntas antes de replicar respostas.
Vejo que no marketing contemporâneo – e nas relações que ele constrói – está justamente a interseção entre inteligência artificial e inteligência emocional. A IA deve ser uma facilitadora. Mas são a empatia, as interações significativas e o respeito às individualidades que fortalecem o vínculo entre marcas e pessoas.
E talvez o que tenhamos que nos perguntar, com mais frequência, seja: como estamos usando tudo isso que a tecnologia nos oferece para criar experiências mais humanas?
Essa reflexão segue em movimento. Porque, assim como o marketing, a gente também está em transformação.
(*) Nathalia Garcia é formada em administração pela Federal da Bahia com MBA em Finanças pela FGV e pós em Marketing Digital pela ESPM. Faz parte do grupo do win-win da ONU e lidera o grupo de afinidades “Mulheres” do Bradesco para fortalecer a conexão entre o banco e as mulheres.













