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CNI destaca legado da COP30 e anuncia expansão global da SB COP rumo à COP31

Evento da CNI reúne lideranças empresariais e autoridades para avaliar avanços da COP30, reforçar a agenda de implementação climática e projetar os próximos passos até a COP31

TEXTO DE FELIPE ARARIPE, REPÓRTER ESPECIAL DE PLURALE E SÔNIA ARARIPE, EDITORA DE PLURALE

FOTOS DE DIVULGAÇÃO / CNI

Fotos de Divulgação / CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) realizou nesta quarta-feira, dia 4 de março, o evento “Pós-COP30: o papel da indústria na agenda de clima”, com o objetivo de debater os avanços alcançados na COP30 e discutir os próximos passos da agenda climática. Um dos destaques foi a atuação da SB COP (Sustainable Business COP), inspirada no B20 e capitaneada pela CNI, iniciativa que busca fortalecer o diálogo público-privado e influenciar políticas públicas e regulatórias nas áreas de sustentabilidade e descarbonização, por meio de grupos de trabalho. O evento reuniu autoridades, empresários, parlamentares e integrantes da gestão brasileira da COP30, entre eles Ana Toni, CEO da conferência.

Marcelo Thomé, vice-presidente da CNI e presidente da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (FIERO), representando o presidente da CNI, Ricardo Alban, fez um balanço do marco da COP30. Ele destacou avanços da conferência, como o TFFF — Fundo Florestas Tropicais para Sempre — e o papel desempenhado pelo setor empresarial por meio da SB COP. Também mencionou o SB COP Awards, premiação que reconheceu as principais iniciativas climáticas de organizações: “A COP do Brasil ficou conhecida como a COP da implementação. Uma das principais medidas foi o TFFF. A CNI liderou a SB COP, reunimos empresas de mais de 60 países e apresentamos mais de 600 experiências em andamento, destacando 48 iniciativas climáticas bem-sucedidas que tiveram importantes impactos positivos. Essas ações confirmam que a indústria tem contribuído de forma efetiva para o desenvolvimento sustentável.”

Marcelo também ressaltou que o legado da COP30 inclui um plano claro de ação para a COP31, que será realizada na Turquia, sob presidência da Austrália. Segundo ele, este encontro não apenas revisita os resultados de Belém, mas projeta a continuidade do trabalho rumo à próxima conferência. “Isso exige coordenação, diálogo e construção de propostas e ações conjuntas que transformem as ambições anunciadas em Belém em entregas efetivas.”

Marcelo Thomé, vice-presidente da CNI e presidente da FIERO

Avaliações da COP30

Roberto Muniz, diretor de Relações Institucionais da CNI, avaliou como positivo o desempenho do Brasil na realização da conferência, apesar das dúvidas iniciais sobre a capacidade de Belém sediar o evento. Ele destacou o papel da SB COP na mobilização empresarial. “Poucos no Brasil achavam que o país fosse capaz de fazer a COP. A COP deixou de ser a COP da desconfiança e passou a ser a COP da ambição. Nós temos a COP da implementação e da ação. A SB COP conseguiu mobilizar empresas que acreditam nessa agenda da conversa”, disse Muniz.

Roberto Muniz, diretor de Relações Institucionais da CNI

André Corrêa do Lago, presidente da COP30, afirmou que a implementação de um novo caminho para a sociedade já está em curso no setor privado brasileiro: “O mundo viu o setor privado brasileiro unido em torno da COP. Queria agradecer uma vez mais o papel incrível da SB COP; vocês mostraram pro mundo que nós já temos muita coisa negociada e podemos ter implementação. Com o setor privado brasileiro na liderança, mostramos que a implementação já está acontecendo e pode ganhar escala.”

A CEO da conferência, Ana Toni, destacou o trabalho conjunto entre governo e empresariado ao longo do ano que antecedeu a COP30. Segundo ela, a articulação resultou em um ambiente de unidade e de construção coletiva. “Essa relação público-privada que a gente construiu durante o ano inteiro, aqui no Brasil, fez a gente chegar juntos. Fico muito feliz, o Brasil chegou na COP junto, a gente não ficou falando dos nossos problemas, ao contrário, isso me dá um orgulho imenso. A gente tinha capacidade de conversar com o setor privado e trabalhar a imagem do Brasil, essa união mostra que, quando estamos juntos, a gente está mais forte”, afirma Ana.

Ana Toni, CEO da COP30

Dan Ioschpe, high-level Climate Champion da COP30, afirmou que o espírito de mobilização não se encerrou em Belém e que o país ainda tem desafios pela frente. “O Brasil utilizou a COP como vitrine para mostrar que a implementação das soluções gera imenso valor para a sociedade. Nossa missão não terminou em Belém. O espírito do mutirão seguirá em frente ao longo da segunda metade da década, na qual teremos que acelerar a implementação para atingir nossos objetivos globais”, enfatiza Ioschpe.

SB COP Global

Ricardo Mussa, chair da SB COP, anunciou que a iniciativa passará a ter atuação global, com o objetivo de replicar “o sucesso do Brasil” na organização do setor privado em torno da agenda climática. O novo modelo prevê maior engajamento e articulação nos níveis local e internacional, reforçando o protagonismo empresarial.

A transição ocorre no momento de passagem da gestão brasileira da COP para Austrália e Turquia. Entre os temas prioritários da SB COP Global estarão mercado de carbono, transição dos combustíveis fósseis e tecnologias de descarbonização industrial. As confederações nacionais da indústria de cada país poderão participar da articulação. “Queremos replicar globalmente o que a CNI tem aqui no Brasil, como o grande influenciador dos debates climáticos do Brasil”, disse Mussa.

Ricardo Mussa, chair da SB COP

Empresas na COP30

Durante o painel sobre resultados e perspectivas para a COP31, Suelma Rosa, vice-presidente de Assuntos Corporativos da PepsiCo, ressaltou o volume de experiências apresentadas pelas empresas — somente sua companhia indicou 150 iniciativas no âmbito da SB COP. Ela enfatizou o papel do setor privado na inovação e na contribuição para políticas públicas, através de práticas mais sustentáveis já existentes em empresas, trazendo a sociedade para dentro da conversa, para que não haja nenhuma perda do que se construiu: “Acreditamos no modelo que o setor privado tem a capacidade de inovar e de inovar cadeias de valor. Nosso intuito é compartilhar insumos para uma reflexão sobre política pública em escala, no marco de uma COP que trazia a proposta de implementação. Na jornada para a COP31, dados os desafios atuais, é que sejamos capazes de não perder o foco, seguir alinhados aos marcos climáticos do país. O modelo da SB COP é um modelo que permite troca de experiências, que permite o caminho de políticas públicas e de negociação da COP30, das vozes da sociedade, para o processo de negociação.”

Suelma Rosa, vice-presidente de Assuntos Corporativos da PepsiCo

Mathieu Piccin, diretor da Schneider Electric Advisory Services, abordou a questão energética e destacou a migração de indústrias brasileiras para o gás natural e o biogás. “Unindo sustentabilidade e economia financeira.”

CNI na COP30

A participação da CNI na COP30 contou com a correalização do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e do Serviço Social da Indústria (SESI).

A iniciativa foi apoiada, institucionalmente, pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), First Abu Dhabi Bank (FAB), Sistema FIEPA, Instituto Amazônia+21, U.S. Chamber of Commerce e International Organisation of Employers (OIE).

A realização das atividades da indústria na COP30 recebeu o patrocínio de Schneider Electric, JBS, Anfavea, Carbon Measures, CPFL Energia, Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), Latam Airlines, MBRF, Pepsico, Suzano, Syngenta, Acelen Renováveis, Aegea, Albras Alumínio Brasileiro S.A., Ambev, Braskem, Hydro, Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), Itaúsa e Vale.







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