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BNDES aprova R$ 87,2 milhões do Fundo Clima para projeto de restauração da Mata Atlântica na Bahia, liderado por Carbon2Nature Brasil e Biomas

Projeto prevê recuperação ecológica de 1,3 mil hectares em oito municípios do sul baiano, com utilização de mais de 100 espécies nativas e venda de créditos de carbono de alta integridade;

Iniciativa é estratégica para a proteção de espécies ameaçadas de extinção, como o macaco-prego-do-peito-amarelo, o mico-leão-de-cara-dourada, preguiça-de-coleira e o pau-brasil;

Rio de Janeiro (RJ), 29 de maio de 2026

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 87,2 milhões para um projeto que vai restaurar, em uma primeira etapa, 1,3 mil hectares de Mata Atlântica – o equivalente a 1,8 mil campos de futebol – em oito municípios do sul da Bahia, com mais de 2 milhões de mudas de árvores nativas do bioma.

Os recursos do BNDES são oriundos do Fundo Clima, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que apoia iniciativas de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas, como a conservação, recuperação e gestão responsável de florestas com espécies nativas dos biomas brasileiros.

O projeto, batizado de Muçununga em homenagem a um ecossistema que só ocorre nessa região da Mata Atlântica, será implementado pela Biomas e pela Carbon2Nature Brasil - joint venture da Neoenergia com a Carbon2Nature, do grupo espanhol Iberdrola - em áreas da Veracel Celulose.

Por ser integralmente voltado à restauração com espécies nativas, o projeto contribuirá para o enfrentamento das crises climática e de biodiversidade e gerará oportunidades de renda e emprego e outros benefícios sociais na região. Serão, ainda, gerados créditos de carbono de alta integridade, com maior valor de mercado, o que será a fonte de receitas do projeto. A previsão é que a iniciativa gere, aproximadamente, 500 mil créditos de carbono em 40 anos.

Um dos diferenciais do Projeto Muçununga é a alta diversidade de espécies nativas empregadas na restauração da área: são mais de 100 espécies, contribuindo para o fortalecimento e a resiliência dos ecossistemas. O patamar está muito acima da média global — levantamento da MSCI Carbon Markets indica que apenas 1% dos projetos de restauração de nativas voltados à geração de créditos de carbono utilizam mais de 10 espécies. As áreas beneficiadas estão distribuídas nos municípios baianos de Belmonte, Eunápolis, Guaratinga, Itagimirim, Itapebi, Mascote, Potiraguá e Santa Luzia.

O projeto adota o conceito de stepping stones, em que os diversos polígonos de vegetação nativa recriados pela restauração florestal funcionam como pontos de conexão em uma paisagem bastante fragmentada. Esta ação é estratégica para a recuperação da Mata Atlântica nessa região, ao recriar habitats e facilitar conexões para espécies ameaçadas de extinção, como o crejuá (Cotinga maculata), o macaco-prego-do-peito-amarelo (Sapajus xanthosternos), o mico-leão-de-cara-dourada (Leontopithecus chrysomelas), o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), o mutum-do-sudeste (Crax blumenbachii), a preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus) e o pau-brasil (Paubrasilia echinata).

“Recuperar e proteger a biodiversidade é essencial para enfrentar os eventos climáticos extremos. A restauração da Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos do mundo e um dos mais degradados do país, é chave para uma maior qualidade de vida nesses territórios. Reviver a floresta com atenção às necessidades das comunidades locais, gerando emprego e renda, é o principal objetivo do Banco ao apoiar esse projeto, seguindo a determinação do presidente Lula”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.

“O Fundo Clima do BNDES é um instrumento decisivo para viabilizar a sustentabilidade financeira de projetos de restauração florestal em larga escala no Brasil. O financiamento do projeto Muçununga reforça a consistência do modelo da Carbon2Nature e da Neoenergia e nos permite acelerar nosso pipeline de iniciativas e investimentos no país, ampliando a remoção de emissões, a preservação da biodiversidade e a geração de benefícios sociais relevantes para as comunidades locais, como empregabilidade e fortalecimento da organização comunitária”, destaca o CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui.

Ainda segundo o executivo, o projeto é uma demonstração clara do compromisso da companhia em ampliar os benefícios ambientais e a qualidade de vida especialmente em regiões onde a Neoenergia atua, como o estado da Bahia – onde a empresa opera com distribuição, geração e transmissão de energia.

“O apoio do BNDES, por meio do Fundo Clima, é decisivo para viabilizar e dar escala aos projetos de restauração florestal no Brasil. Assim como a infraestrutura, esse setor é intensivo em capital e exige financiamento de longo prazo. O país reúne ativos únicos: rica biodiversidade, conhecimento técnico no plantio de florestas e grande quantidade de terras aptas à restauração. Nesse contexto, mecanismos financeiros adequados são essenciais para consolidar o país como referência global em soluções baseadas na natureza”, afirma Fabio Sakamoto, CEO da Biomas.

O Projeto Muçununga também tem como propósito gerar valor compartilhado para as comunidades do entorno, que participaram ativamente da construção coletiva das iniciativas por meio de oficinas colaborativas. Ao todo, 14 comunidades locais serão beneficiadas com ações voltadas ao bem-estar, à geração de renda, à melhoria da infraestrutura e ao fortalecimento comunitário, entre outras frentes. Esse compromisso com as pessoas reforça o papel da restauração ecológica como uma solução capaz de combinar, de forma integrada, benefícios climáticos, ambientais e sociais.

Foto: Márcio Strumiello / Divulgação

Sobre a Neoenergia: Parte do grupo espanhol Iberdrola, a empresa atua no Brasil desde 1997, sendo atualmente uma das líderes do setor elétrico do país. Presente em 18 estados e no Distrito Federal, seus negócios estão divididos nas áreas de geração, transmissão, distribuição e comercialização. As suas distribuidoras, Neoenergia Coelba (BA), Neoenergia Pernambuco (PE), Neoenergia Cosern (RN), Neoenergia Elektro (SP/MS) e Neoenergia Brasília (DF) atendem a cerca de 17 milhões de clientes, o equivalente a uma população de quase 40 milhões de pessoas. A Neoenergia possui 4,2 GW de capacidade instalada em geração, sendo 87% de energia renovável. Em transmissão, são mais de 8 mil km de linhas. Por meio do Instituto Neoenergia, fomenta ações socioambientais que contribuem para a melhoria da qualidade de vida das comunidades onde a empresa atua, sobretudo, pessoas mais vulneráveis, visando sempre pelo desenvolvimento sustentável. Como parte do compromisso para ampliar a participação da mulher na sociedade, a Neoenergia patrocina o Comitê Olímpico do Brasil (COB), beneficiando principalmente aquelas que representam o Time Brasil.

Sobre o Fundo Clima – Operado pelo BNDES, o Fundo Clima – Florestas Nativas e Recursos Hídricos é um dos principais instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima. O fundo apoia projetos voltados à mitigação e adaptação climática, à conservação e recuperação de florestas, à proteção da biodiversidade e à segurança hídrica, promovendo o desenvolvimento sustentável e a transição para uma economia de baixo carbono.

Sobre a Biomas – Com atuação focada no plantio e na manutenção de espécies nativas em áreas degradadas ou não produtivas, a Biomas é uma empresa voltada à regeneração de ecossistemas em larga escala. Criada no final de 2022 em conjunto pelos grupos Itaú, Marfrig, Rabobank, Santander, Suzano e Vale, a companhia é uma iniciativa inédita no Brasil dedicada à restauração ecológica com impacto ambiental e social.

Sobre a Carbon2Nature Brasil (C2N) – A Carbon2Nature Brasil (C2N) atua no desenvolvimento de parcerias e projetos que capturam carbono por meio de soluções baseadas na natureza (SBN), gerando um impacto positivo na biodiversidade, no clima e nas comunidades locais, bem como promovendo uma economia sustentável. É uma empresa pertencente ao grupo Iberdrola, através de joint venture entre a Neoenergia S.A. (49%) e a Carbon2nature SAU (51%), estruturada com o propósito de liderar iniciativas de descarbonização e regeneração ambiental.







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