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AXIA Energia investe em futuro tecnológico no Vale do São Francisco

Com projetos em Petrolina (PE), Casa Nova e Sobradinho (BA), a AXIA Energia transforma a região em um verdadeiro laboratório de inovação para o desenvolvimento de tecnologias voltadas à transição energética.

TEXTO E FOTOS DE LUCIANA TANCREDO, DE PLURALE

De Petrolina, PE; Casa Nova e Sobradinho, BA (*)

Laboratório a céu aberto: contêineres de carga, refrigeradores, placas solares e torres eólicas. Foto de Luciana Tancredo/Plurale.

O hub de inovação no triângulo Petrolina–Casa Nova–Sobradinho implantado pela AXIA Energia, antiga Eletrobras e maior empresa de energia renovável do Hemisfério Sul, com 100% de capacidade renovável, já é considerado um polo de referência no desenvolvimento de tecnologias e inovação.

Trata-se de um verdadeiro laboratório a céu aberto, onde a empresa e seus parceiros desenvolvem soluções, implantam sistemas inovadores, promovem a capacitação técnica de mão-de-obra e estimulam a transferência de conhecimento. É o único empreendimento do mundo a reunir tantas tecnologias distintas e integradas em um mesmo local.

São três sites com características completamente diferentes, voltados ao teste de combinações e aplicações das mais avançadas tecnologias para a produção de energias renováveis, buscando soluções capazes de gerar os melhores resultados tanto para as empresas quanto para as comunidades.

Mas por que todo esse investimento no semiárido do Nordeste? A empresa aponta pelo menos duas grandes motivações. A primeira é a forte presença da AXIA ao longo da bacia do Rio São Francisco, em diversas localidades onde já mantém operações instaladas. A segunda é o enorme potencial natural da região para a geração de energia renovável, especialmente solar e eólica, graças à elevada incidência de sol e à abundância de ventos característicos do Nordeste brasileiro.

Heliotérmica em Petrolina

Usina heliotérmica da AXIA Energia. Foto de Luciana Tancredo/Plurale.

A AXIA Energia concluiu o desenvolvimento de uma Planta Solar Fotovoltaica de Alta Concentração de Torre Central – HCPV (High Concentration Photovoltaics), também conhecida como heliotérmica, em Petrolina (PE). Trata-se de um projeto inovador que combina, em um único sistema, geração de energia elétrica e térmica a partir da mesma fonte.

O projeto representa um avanço no desenvolvimento de soluções inovadoras para a geração de energia solar no Brasil. A iniciativa reúne tecnologias de concentração solar, fotovoltaicos de alta eficiência e armazenamento térmico, com foco no aumento da eficiência energética e na estabilidade do fornecimento de energia.

A planta recebeu mais de R$ 74 milhões em investimentos até 2026. Desse total, R$ 67,9 milhões são provenientes de recursos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D) da ANEEL, enquanto R$ 6,85 milhões correspondem à contrapartida da AXIA. A iniciativa está registrada na Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e integra a estratégia da companhia para impulsionar tecnologias de geração renovável no Nordeste brasileiro, contribuindo para a transição energética.

Desenvolvida no âmbito do Projeto de P&D ANEEL/Axia Nordeste, a planta de Petrolina é a segunda do mundo a utilizar a tecnologia RayGen, startup australiana, posicionando o Brasil na fronteira global da inovação em geração solar concentrada. A solução combina campo de heliostatos, módulos fotovoltaicos de altíssima eficiência e recuperação térmica, permitindo maior aproveitamento da energia solar e mais flexibilidade operacional em comparação às plantas solares convencionais.

Usina heliotérmica da AXIA Energia. Foto de Luciana Tancredo/Plurale.

O projeto viabiliza o teste de soluções integradas de geração de energia elétrica e térmica, a validação de estratégias de armazenamento térmico de longa duração em água e a geração de conhecimento técnico com potencial de replicação em futuras plantas e na expansão da matriz renovável.

Recentemente, a AXIA aprovou a implantação de um data center junto à planta heliotérmica, com investimento de aproximadamente R$ 20 milhões.

Segundo Juliano Dantas, vice-presidente de Tecnologia e Inovação da AXIA Energia, esta é mais uma solução inovadora: “A combinação entre uma usina solar concentrada e um data center cria um ambiente altamente sinérgico. Isso porque a refrigeração representa uma das maiores demandas energéticas dessas instalações, especialmente em estruturas voltadas à inteligência artificial, computação em nuvem e processamento de grandes volumes de dados”.

Juliano Dantas, vice-presidente de Tecnologia e Inovação da AXIA Energia. Foto de Luciana Tancredo/Plurale.

A planta piloto possui capacidade elétrica de 1 MW, suficiente para atender ao consumo equivalente de até mil residências, além de gerar 2,2 MW de energia térmica, recuperada por meio de circuitos fechados de água e sistemas avançados de resfriamento.

A estrutura da planta tem como elemento central uma torre de 40 metros de altura, ao redor da qual estão distribuídos 247 heliostatos equipados com sistemas de rastreamento automático. Esses espelhos direcionam e concentram a radiação solar para um receptor instalado no topo da torre. Nesse ponto, módulos fotovoltaicos multijunção, de alta eficiência, transformam a energia solar concentrada em eletricidade, alcançando níveis de desempenho superiores aos observados em sistemas fotovoltaicos convencionais. Além da geração elétrica, o sistema aproveita o calor residual produzido no processo, que pode ser capturado e armazenado para aplicações térmicas e soluções de armazenamento energético de longa duração.

Usina heliotérmica da AXIA Energia. A energia do sol é captada por estes grandes espelhos e armazenada pela torre. Foto de Luciana Tancredo/Plurale

Implantada no Centro de Referência em Energia Solar de Petrolina (CRESP), a planta apresenta baixo impacto ambiental, ruído reduzido, ausência de emissões atmosféricas e plena integração à infraestrutura existente.

Mais do que uma unidade de geração, o projeto foi concebido como uma infraestrutura nacional de referência, dedicada ao teste de arquiteturas híbridas de eletricidade e calor, à validação de soluções de armazenamento térmico em água e à geração de conhecimento técnico com alto potencial de replicação no setor elétrico brasileiro, especialmente no Nordeste.

Complexo Eólico Casa Nova

Complexo Eólico de Casa Nova da AXIA Energia. Foto de Luciana Tancredo/Plurale

O Complexo Eólico de Casa Nova se destaca como uma das mais principais iniciativas de geração de energia eólica do país. Com capacidade instalada de 80 MW e investimento total estimado em R$ 810 milhões, o empreendimento reforça o protagonismo do Nordeste brasileiro na transição energética e na expansão das fontes renováveis.

Inserido nesse contexto, foi implantado o Projeto de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) denominado Planta Híbrida Inteligente, iniciativa pioneira que amplia o papel do complexo ao transformá-lo em um laboratório de inovação energética.

O projeto conta com investimento superior a R$ 85 milhões até 2026, no âmbito do programa de P&D da ANEEL.

A Planta Híbrida Inteligente de Casa Nova integra, em uma única infraestrutura, geração eólica, geração solar fotovoltaica, sistemas de armazenamento de energia em baterias químicas (BESS), carga de teste e um data center. A estrutura permite o estudo avançado do ciclo completo de geração, armazenamento e consumo de energia a partir de fontes limpas e renováveis.

Data center para mineração de bitcoin. Foto de Luciana Tancredo/Plurale

Além da infraestrutura física, o projeto desenvolve inteligência computacional e sistemas avançados de controle capazes de otimizar o uso combinado das fontes renováveis, melhorar a estabilidade operacional e maximizar resultados econômicos, ao mesmo tempo em que gera impactos positivos para a comunidade local e para o meio ambiente.

A planta piloto híbrida é composta por uma usina fotovoltaica de 1 MW com tecnologia de rastreamento e módulos bifaciais, um gerador eólico de 1,5 MW, um banco de baterias (BESS) com potência de 1 MW e capacidade de armazenamento de 1,4 MWh, um data center de 1 MW e uma carga para simulações e testes RLC de 1,6 MVA.

Esse conjunto faz da Planta Híbrida de Casa Nova uma das maiores estruturas de pesquisa em energia renovável do mundo, permitindo estudos inéditos sobre integração de fontes, armazenamento, qualidade de energia e novos modelos operacionais.

Complexo Eólico de Casa Nova da AXIA Energia. Foto de Luciana Tancredo/Plurale

Um dos principais objetivos do projeto é contribuir para a otimização do aproveitamento energético no Nordeste, região que concentra elevado potencial eólico e solar, mas que enfrenta desafios como restrições de transmissão e cortes de geração (curtailment). A planta possibilita reduzir essas perdas ao integrar armazenamento e cargas flexíveis, ampliando a eficiência do sistema elétrico.

Nesse contexto, o data center desempenha papel estratégico. Projetado para operar tanto de forma autônoma, por meio de uma microrrede (microgrid) formada pelas usinas solar e eólica, quanto conectado às redes de distribuição e transmissão, ele se apresenta como uma solução para absorver excedentes de energia renovável, reduzindo perdas no sistema elétrico e viabilizar data centers flexíveis e sustentáveis.

"Conseguimos aqui desenvolver soluções para um data center verde, que é totalmente alimentado por energias renováveis. O mundo procura por isso, e o Nordeste tem todos os recursos naturais necessários para ser esse lugar", relata Rodrigo Villaça, Gerente de P&D renováveis da AXIA Energia.

Rodrigo Villaça, Gerente de P&D renováveis da AXIA Energia. Foto de Luciana Tancredo/Plurale

Por se tratar de um projeto de Pesquisa & Desenvolvimento, a Planta Híbrida Inteligente está sendo implantada em escala controlada - e conta com a atuação conjunta de quatro instituições de referência: Senai CIMATEC, Senai RN ISI-ER, Senai PE ISI-TIC e Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

As parcerias fortalecem a produção científica, a capacitação técnica e a formação de profissionais especializados, além de impulsionarem o desenvolvimento tecnológico nacional no setor elétrico.

O projeto já gerou resultados científicos e tecnológicos expressivos. Foram produzidos mais de 100 relatórios e 63 publicações científicas.

“Estes trabalhos estão colocados à disposição de toda a sociedade”, comentou Alexandre Orth, Diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da AXIA Energia e Diretor-geral do Cepel. "Além disso, o programa formou 15 mestres e cinco doutores na AXIA e mais de 100 pesquisadores nas instituições parceiras", completou.

Alexandre Orth, Diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da AXIA Energia e Direito-geral do Cepel

Planta Híbrida Solar Flutuante de Sobradinho

Planta Híbrida Solar Flutuante de Sobradinho. Foto de Luciana Tancredo/Plurale

No reservatório de Sobradinho (BA), a AXIA implantou uma planta piloto de geração solar fotovoltaica flutuante integrada a sistemas de armazenamento em baterias (BESS), estruturada como uma plataforma avançada de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação voltada à validação de tecnologias emergentes em ambiente real.

O empreendimento conta com uma usina de 0,8 MWp de potência instalada, capaz de produzir, em média, 1,3 GWh de energia por ano. O sistema utiliza sensores IoT para realizar o monitoramento contínuo da operação e coletar dados para análises de desempenho. Além disso, está integrado de forma inteligente à rede local de distribuição em média tensão, contribuindo para aumentar a confiabilidade do sistema e tornar mais eficiente o gerenciamento da energia gerada.

A iniciativa também funciona como uma plataforma de testes para novas soluções tecnológicas, permitindo avaliar sistemas avançados de monitoramento, comparar o desempenho de diferentes configurações fotovoltaicas em ambiente flutuante e analisar o potencial dos sistemas de armazenamento na prestação de serviços de suporte à rede elétrica.

Foto de Luciana Tancredo/Plurale

(*) Plurale viajou em press trip a convite da AXIA.







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