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Liderança feminina e lixo espacial entram na pauta do Web Summit Rio

Foto: Divulgação Web Summit Rio

Por Luciana Bezerra, especial para a Plurale

Do Web Summit Rio

No universo espacial, a sustentabilidade já não é uma discussão do futuro, é uma necessidade urgente do presente. Durante o Web Summit Rio 2026, a diretora da Space Data Association (SDA) e gerente de Flight Dynamics da Claro, Érika Rosetto, trouxe ao palco um debate que conectou dois temas estratégicos para a inovação global: a preservação das órbitas terrestres e a ampliação da liderança feminina em um dos setores mais tecnológicos e desafiadores da atualidade.

Responsável pelo monitoramento e posicionamento dos satélites da Claro, Rosetto destacou que a sustentabilidade espacial depende, cada vez mais, da colaboração entre operadores, governos e organizações internacionais. Segundo ela, o crescimento acelerado das megaconstelações de satélites exige ações coordenadas para evitar colisões e o aumento do lixo espacial. “Nossa maior preocupação é garantir que o espaço continue utilizável pelas próximas gerações. Não basta apenas compartilhar dados, é preciso trabalhar de forma colaborativa e preventiva”, afirmou durante coletiva na sala de imprensa do evento.

A executiva também chamou atenção para o papel da SpaceX e da constelação Starlink no atual cenário espacial. Embora reconheça o caráter disruptivo da empresa e sua contribuição para a evolução do setor, Rosetto alertou para a necessidade de maior integração com iniciativas globais de sustentabilidade. “Temos buscado estabelecer canais de cooperação porque o uso sustentável do espaço depende de um esforço conjunto entre todos os operadores”, explicou.

Outro tema central da conversa foi a baixa representatividade feminina no setor espacial. Única mulher a ocupar um cargo na diretoria da SDA em mais de 15 anos de existência da organização, Rosetto atribui esse cenário a fatores estruturais que começam ainda na infância. “Precisamos mostrar às meninas, desde cedo, que elas podem ser cientistas, liderar equipes e construir carreiras em áreas altamente tecnológicas”, destacou.

Ao compartilhar experiências pessoais, a executiva relatou situações que evidenciam os desafios enfrentados por mulheres em ambientes predominantemente masculinos. “Muitas vezes, não basta chegar. Temos que provar continuamente que somos tão capazes quanto nossos colegas”, disse. Ela também lembrou que questionamentos sobre maternidade e carreira ainda recaem com mais frequência sobre mulheres do que sobre homens.

Rosetto ressaltou ainda iniciativas da Claro voltadas à inclusão feminina em áreas técnicas e de liderança. Entre elas está o apoio a programas de formação profissional para estudantes do ensino médio no Rio de Janeiro, que já resultaram na contratação de jovens mulheres pela companhia. Para ela, ampliar a visibilidade de profissionais que atuam no setor é um dos caminhos para inspirar novas gerações.

Ao explicar por que a Claro levou a pauta espacial ao Web Summit Rio, a executiva destacou a importância de aproximar o público de um segmento que, embora muitas vezes invisível, está presente no cotidiano das pessoas. “É uma forma de mostrar que existe ciência sendo desenvolvida no Brasil, que temos profissionais altamente qualificados atuando nesse mercado e que o setor espacial oferece oportunidades para quem deseja construir uma carreira em tecnologia e inovação”, concluiu.







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