Por Flávia Ribeiro, colunista de Plurale

Durante o Web Summit Rio 2026, em conversa exclusiva com Plurale, o cientista Carlos Nobre alertou que a Amazônia e outros biomas, como o Pantanal, o Cerrado e a Caatinga, estão próximos de um ponto de não retorno que pode ser atingido até 2040, caso o desmatamento (atualmente em 18%) chegue a 24% e o aquecimento global ultrapasse 1,5°C. “A Caatinga já avançou 230.000 km² para dentro do Cerrado, e o norte da Bahia está se tornando um semideserto. O Pantanal já perdeu 60% de sua área permanentemente alagada”.
Ele criticou duramente a PL da devastação e as medidas do Congresso Nacional que dificultam o monitoramento por satélite e a transparência sobre perdas territoriais, ao mesmo tempo em que destacou o papel fundamental das empresas na reversão desse cenário.
Nobre citou o exemplo positivo do Carrefour que baniu a compra de carne de áreas desmatadas e está reduzindo compras de pecuaristas que utilizam fogo para regeneração de pastagem, prática que frequentemente foge do controle e atinge a floresta. “As pressões internacionais, como o acordo Mercosul-União Europeia e restrições da China, estão forçando o setor produtivo a se adaptar”.
Por fim, o pesquisador argumenta que o Brasil não precisa de novos desmatamentos, pois já possui 3,2 milhões de km² de áreas abertas onde a produtividade pode ser triplicada por meio da pecuária regenerativa, equiparando-se a modelos mais eficientes como o dos Estados Unidos. Segundo o cientista, a baixa produtividade brasileira (1,2 a 1,5 cabeças por hectare) em comparação à pecuária regenerativa (3 a 5 cabeças por hectare) e ao modelo dos EUA, que produz mais carne que o Brasil com um rebanho significativamente menor.









