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ESG em xeque: o que o 3º Congresso Nacional revelou sobre risco, reputação e o preço de não medir

Texto e fotos por Flávia Ribeiro, Colunista de Plurale

De São Paulo (SP)

Nos dias 15 e 16 de junho, lideranças e profissionais de Sustentabilidade e ESG de todo o Brasil se reuniram no 3º Congresso Nacional de ESG, realizado pela Associação Brasileira de ESG em parceria com a Associação Brasileira de Gestão Corporativa. O evento foi uma oportunidade para empresas, investidores, representantes de governo e sociedade civil trocassem experiências com a apresentação de cases práticos para o avanço da agenda ESG.

Das discussões, emergiram seis aprendizados centrais para quem atua na linha de frente da agenda: (1) que trabalhar em faz diferença real nos resultados; (2) que estratégias ESG só se sustentam quando conectadas ao core do negócio; (3) que clareza e objetividade são inegociáveis, já que tudo o que não é mensurado não pode ser gerido; (4) que a financeirização da Sustentabilidade avança, exigindo indicadores de ROI capazes de demonstrar impacto concreto; (5) que reputação se constrói tanto por ações quanto por comunicação eficaz; e (6) que a inteligência artificial acelera processos, mas demanda supervisão e senso crítico humano constantes.

Jornalista e escritor André Trigueiro (Cidades e Soluções, TV Globo) foi um destaques do evento. Foto de Flávia Ribeiro/ Plurale.

Sob a liderança de Cristiano Lagôas, presidente da Associação Brasileira de ESG, o congresso reuniu referências na área, como os jornalistas Márcio Gomes (CNN Prime Time), André Trigueiro (Cidades e Soluções, TV Globo) e Pedro Lins (Pequenas Empresas, Grandes Negócios, TV Globo), além de Luiza Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, e executivos de vários setores. O objetivo foi promover debates sobre como acelerar a agenda de descarbonização no Brasil, diversidade e inclusão no trabalho, tecnologia e inovação.

Márcio Gomes, apresentador do CNN Prime Time (Foto acima/ Por Flávia Ribeiro - Plurale), provocou a audiência ao questionar o que, de fato, as empresas têm feito diante da transição energética. "Um novo ESG está nascendo com a guerra no Oriente Médio: energia, segurança e geopolítica. Como vamos atravessar esse momento (pós-guerra no Oriente Médio) e com quem precisaremos nos relacionar, no contexto de Trump taxando China e Europa?". O jornalista também destacou a necessidade de um senso de coletividade mais forte entre a população brasileira, citando a cultura japonesa como referência.

O sis­tema polí­tico con­ti­nua dis­tri­bu­indo recur­sos como se even­tos extre­mos fos­sem aci­den­tes impon­de­rá­veis, e não ris­cos recor­ren­tes de alto impacto eco­nô­mico e social. Gomes criticou ainda a forma como o Congresso Nacional tem tratado a agenda ambiental, pulverizando recursos que poderiam ter impacto estruturante.

Segundo dados do Instituto de Estudos Econômicos, menos de 0,6% dos mais de R$ 50 bilhões em emendas parlamentares individuais ao Orçamento de 2026 foram destinados à agenda ambiental e climática, com ações de proteção e defesa civil reduzidas a valores simbólicos, incluindo uma verba de R$ 1 para contenção de cheias.

Esse cenário reforça um diagnóstico claro: o sistema político continua tratando eventos climáticos extremos como acidentes imponderáveis, e não como riscos recorrentes de alto impacto econômico e social, um descompasso que compromete a efetividade da agenda ESG no país.

Especialistas de diferentes frentes do ESG reforçaram, ao longo dos painéis, a urgência da financeirização da Sustentabilidade. Na maioria das discussões, ficou clara a percepção de que, sem um ROI real e mensurável, a agenda socioambiental não avançará. É preciso medir com rigor a redução de custos, a viabilidade econômica das ações não-financeiras e o impacto de indicadores não financeiros, transformando intenção em dado, e discurso em resultado.







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