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Cia. de Ballet Dalal Achcar estreia no Rio Evanescência, ballet sobre o Alzheimer, inspirado na história real do coreógrafo Éric Frédéric

Estreia comemora os cinco anos de atividade da Companhia; o programa tem também Macabéa, de Márcia Jacqueline, e o lendário pas-de-deux Tarde Azul, do ballet “Floresta Amazônica” , de Dalal Achcar

POR MAURETTE BRANDT, ESPECIAL PARA PLURALE

FOTOS DE DIVULGAÇÃO e ZÔ GUIMARÃES

Um menino que descobre o mundo pela arte e, nos braços dela, se torna um homem bafejado de talentos – e que, por morar literalmente no sexto andar de um teatro de ópera, cheio de vida e fantasia, aproveita tudo: sonha, se encanta e traça, com todas essas maravilhas, o seu caminho na vida. Assim começa a história de Éric Frédéric (foto abaixo), bailarino belga e coreógrafo residente da Cia. de Balé Dalal Achcar.

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A mãe do artista, Florentine, passou por todas as etapas do Alzheimer, doença que arrebatou as energias de toda a família. E só agora, 17 anos depois de seu falecimento, as dores, incertezas e dificuldades vividas pelo artista se transformam num espetáculo sensível e contundente – “Evanescência”, que Éric escolheu para comemorar os cinco anos de vida e arte da Cia. de Ballet Dalal Achcar. “A melhor maneira, para mim, de colocar um sentimento pra fora é por meio da dança, da coreografia. Desde a morte da minha mãe, passei todo esse tempo processando essa perda - e imaginando este espetáculo”, relembra Éric.

“Depois do enterro, na volta para o Brasil, passei a viagem inteira escolhendo as músicas da trilha do espetáculo, que só agora se torna uma realidade – conta o coreógrafo. – E só depois de assistir ao primeiro ensaio completo é que consegui, enfim, chorar o luto”. E chorei muito, mas muito mesmo - revela Éric Frédéric, que cresceu nos bastidores da Ópera de Liège, na Bélgica, onde os pais trabalhavam e a família morava. Num ambiente como aquele, e com o incentivo constante da mãe, escolheu o balé como destino sagrado.

Dalal Achcar dirige e impulsiona sua própria companhia. Foto de ZÔ GUIMARÃES/ Divulgação.

O espetáculo, em tempo e sentimento

Em minitemporada no Teatro Total Energies (antigo Adolpho Bloch), de 10 a 12 de outubro, no bairro da Glória, estreia “Evanescência”, a nova criação do coreógrafo – que, permeado pela linguagem da dança, fala de questões muito humanas – como a perda gradual da memória, a delicadeza do cuidado e a permanência do amor diante do esquecimento.

– Este espetáculo tem a função de poder ajudar o próximo numa dificuldade como esta – aponta. – E não esperar que a doença caia na cabeça. É um quadro muito grave – reforça. – Por exemplo, “aquela vizinha que mora sozinha” e que não está sendo cuidada como deveria; hoje há associações que socorrem as famílias. Quando aconteceu com minha mãe, eu e meu irmãos tivemos que descobrir muitas coisas sozinhos. Acredito, sinceramente, que o balé pode e vai ajudar muitas pessoas a entender e conviver com essa doença dificílima – diz o artista.

- A cada vez que passamos o balé, eu assisto novamente a minha própria história – diz, emocionado. – Eu “viajo” com os bailarinos, sempre maravilhosos, e todos eles me empurram para a frente. Parece que vem uma luz e nos envolve, num clima de encantamento, sentimento, beleza e sobretudo uma leveza infinita – celebra.

Concebido como uma homenagem, o espetáculo parte de uma história íntima: o diagnóstico de Alzheimer e o processo vivido pela da mãe do artista, Florentine, acompanhado por seus filhos, Éric e Marc.

Na visão de Éric Frédéric, a obra alcança diferentes públicos, ao retratar o desaparecimento progressivo das lembranças durante o curso da doença. E, sobretudo, não dá destaque apenas ao paciente que sofre com o Alzheimer, mas também àqueles que permanecem ao lado dessa pessoa, sustentando laços de afeto, cuidado e presença – ressalta.

Macabéa (foto acima) e Tarde Azul: o eu, os outros, a dança e a memória

Na verdade, são cinco anos de uma vida inteira, para a companhia – que conta com toda a experiência e entusiasmo de Dalal Achcar, personalidade respeitada tanto no cenário da dança brasileira como internacionalmente. Diretora, coreógrafa e incansável na difusão dos talentos nacionais, Dalal Achcar dirige e impulsiona sua própria companhia para que alcance, sempre, voos maiores para expandir sua arte.

Para pontuar essa rica história, o programa da estreia apresentará também o inesquecível pas-de-deux “Tarde Azul”, considerado uma das joias do ballet “Floresta Amazônica” (foto acima), com música original de Heitor Villa-Lobos e coreografia assinada pela própria Dalal Achcar e Sir Frederick Ashton. O tema do pas-de-deux é justamente Melodia Sentimental – que não só é parte da trilha do ballet, mas que também caiu no gosto popular. Com letra da poeta Dora Vasconcellos, a canção é apresentada, neste espetáculo, na memorável gravação da soprano Maria Lúcia Godoy.

Nas veias da literatura, a bailarina e coreógrafa Márcia Jacqueline foi buscar inspiração para “Macabéa”, espetáculo baseado no livro “A hora da estrela”, de Clarice Lispector, e que marcou a vida da artista. Ao recriar, na linguagem da dança, a personagem central do livro, a coreógrafa percorre com sua arte e talento os meandros do coração humano. A narrativa incisiva de Clarice, diante da banalidade que assola o mundo e da grandeza dos sonhos de uma moça simples, começa a se transformar em movimento, sentimento e beleza no palco.

Patrocinada pela Vale, a Cia. de Ballet do Dalal Achcar é integrada à Associação de Ballet do Rio de Janeiro. A produção do espetáculo “Evanescência” é da Aventura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.

Serviço

Evanescência - Espetáculo da Cia. Dalal Achcar

De 10 a 12 de julho

Teatro Total Energies (antigo Adolpho Bloch)

Rua do Russell, 804 – Glória/RJ

Datas e horários: 10 de julho, às 20h; 11 e 12 de julho, às 17h

Programa

“Macabéa”, de Márcia Jacqueline (35 min.)

“Tarde Azul” - pas-de-deux do ballet “Floresta Amazônica”, de Dalal Achcar e Sir Frederick Ashton (7 min.) - Foto acima

“Evanescência” (foto acima(, de Éric Frédéric (35 min.)

Duração aproximada: 90 min, com intervalo de 15 min

Classificação: Livre

Ingressos: www.ingresso.com

Plateia A: R$ 70 (inteira) - R$ 35 (meia entrada)

Plateia B: R$ 50 (inteira) - R$ 25 (meia entrada)







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