
Foto de Divulgação - Flip 2025 - Divulgação
POR MAURETTE BRANDT, ESPECIAL PARA PLURALE
Uma linda cidade colonial, cercada de mar e de história, seduziu uma inglesa singular: a editora Liz Calder, que não só sonhou como criou uma das festas literárias mais singulares do mundo, numa das cidades históricas mais singulares do país. Assim nasceu a Festa Literária Internacional de Paraty, que completa 24 anos de sucesso e acontecerá entre os dias 22 e 26 de julho. Quem é que diz que brasileiro não lê, afinal?
Este ano, Paraty vai fervilhar ainda mais: além da programação oficial, que há anos não dá conta da demanda de leitores que acorrem a Paraty para a festa, 44 casas parceiras oferecem uma programação variada e gratuita. São mais de mil eventos e oportunidades de encontros entre leitores e autores – além de um programa educativo que tem mudado definitivamente, ano a ano, a vida não só dos alunos e professores da rede escolar, mas também de jovens aspirante a escritores, que participam de oficinas diversas.
Em 2025, a produtora cultural Tatiany Leite teve a ideia de mapear toda a programação oferecida durante a Flip, para facilitar as escolhas do público. Este ano o projeto cresceu, com a adesão de parceiros como Estante Virtual, Seiva, PublishNews e Gráfica Viena. A programação completa já está disponível neste link; além disso, uma versão impressa será distribuída em Paraty, durante a Festa.
Talvez alguém pergunte: como é que quase mil eventos literários cabem na pequena Paraty? Ah, isso não é problema. O importante é que, com uma oferta tão grande e variada, tem lugar pra todo mundo. Alguns autores, inclusive, participam da programação oficial e de várias casas parceiras. Outros se dividem em diversos palcos, durante o evento.
A Flip movimenta bastante o comércio da cidade; entre hoje e o dia 22, quando acontece a abertura, às 19h30, na Tenda dos Autores. Quem ainda não contratou hospedagem vai ter dificuldade, pois as pousadas e hotéis estão praticamente lotados.
Filas e surpresas pelas ruas
Bem cedo, de manhã, já tem fila para entrar nas casas parceiras, que oferecem programação de qualidade, com entrada franca. A depender de quem são os palestrantes, é difícil conseguir senha. É preciso madrugar e conhecer os caminhos, pois as casas parceiras ocupam todo o Centro Histórico. E nem sempre dá tempo pra chegar a tempo na fila escolhida.
A programação oficial da Flip, que acontece na já lendária Tenda dos Autores – onde a gente fica pertinho dos palestrantes -, é paga e respeita a legislação da meia-entrada para idosos. As Mesas estão praticamente esgotadas; só há ingressos para as três últimas, que acontecem no domingo. E a também lendária “Tenda do Telão”, gratuita, transmite tudo que rola na Tenda dos Autores.
Além disso, o Canal ARTE1 transmite todas as mesas da programação oficial. Essa parceria com o canal amplia e repercute, consideravelmente, o que acontece em Paraty.
Destaques
A Ministra Carmen Lúcia, do STF, estreou na Flip no ano passado – e, este ano, vai praticar de cinco mesas. José Luís Peixoto, um dos mais importantes escritores portugueses contemporâneos, também tem uma agenda considerável, entre as casas parceiras. O jornalista e escritor Jamil Chade é outro que se apaixonou pela Flip e que tem agenda múltipla na Festa. Em 2024, além de participar de várias mesas em casas parceiras da Flip, foi um dos protagonistas de um concerto emblemático, que reuniu a Orquestra Sinfônica de Paraty, o pianista José Carlos Martins, e Jamil Chade, biógrafo do artista, na flauta.
Uma das mesas mais disputadas desta edição da Flip não está na programação principal e sim na programação do Sesc e acontecerá no Sesc Caboré. Trata-se do encontro entre Angela Davis, a lendária ativista dos direitos dos negros norte-americanos, e Wole Soyinka, o primeiro africano a ganhar um Prêmio Nobel. Este momento acontece no dia25/7, às 18h, com mediação da jornalista Flávia Oliveira. Aliás, no dia 23/7, Flávia e sua filha Isabela Reis, que comandam o podcast Angu de Grilo, vão gravar ao vivo, com presença do público, um episódio com o sociólogo Muniz Sodré.

Orides Fontella - Foto de Fritz Nagib/ Divulgação - Foto reproduzida do Site Flip 2025
Poesia no coração da Flip: Orides Fontella, a homenageada de 2026
Poesia em alta: depois de Paulo Leminsky, o homenageado de 2025, a homenageada de 2026 é Orides Fontella, uma das pioneiras das vertentes da poesia contemporânea brasileira.
Natural de São João da Boa Vista/SP e formada em Filosofia pela PUC, era contemporânea e amiga do conterrâneo Davi Arrigucci Jr., que a descobriu quando seu poema “Elegia” foi publicado em 1965, no jornal sanjoanense O Município. Aclamada por entusiastas como Atonio Cândido e Marilena Chauí, e dona de uma poesia concisa e despojada de ornamentos- e afeita aos poemas curtos -, Orides Fontella recebeu atenção extraordinária crítica literária, que via nela uma renovadora do Modernismo.
A obra da autora inclui os livros Transposição (1989), Helianto (1973), Rosácea (1978), Alba (1983), vencedor do Prêmio Jabuti, e Teia (1966), que lhe rendeu o Prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte).
Programação Principal
A Mesa de Abertura da Flip, “Entra furtivamente a luz”, que acontece no dia 22/7, às 19h30, reúne dois poetas: Augusto Massi e Marilda Garcia. Ao todo ,serão 20 mesas, com mais de 30 autores convidados, entre os quais Milton Hatoun, Dráuzio Varela, Hisham Matar, Zadie Smith, José Luís Peixoto, Denise Stoklos, Itamar Vieira Júnior, Joca Reines Terron, além dos ucranianos Andrei Kurkov e Maria Reva, para citar apenas alguns.
Os ingressos para as mesas do Programa Principal da Flip estão praticamente esgotados; restam poucos ingressos para as três mesas do domingo, 26 de julho. Informações: www.flip.org.br










