Texto e fotos por Maurette Brandt, Especial para Plurale
De Paraty (RJ)

O primeiro convidado que comentou o fato sonoro foi o padre e poeta José Tolentino de Mendonça, na magnífica mesa que dividiu com o escritor Edmilson de Almeida Pereira, na manhã do dia 23. Pode ter sido mera coincidência, mas no meio de uma explicação particularmente poética do padre, BLÉM! O sino da Matriz ressoou solenemente, tenda adentro. E até o religioso ficou estático: “Será que foi pra mim?” – disse, com um largo sorriso.
Algumas pessoas na plateia sorriam, enquanto outras respiravam fundo. O mais interessante – e com potencial de entrar para o folclore da festa literária – é que o mesmo badalar do sino se repetiu em várias mesas; e sempre em algum momento importante das falas que aconteciam no palco.
Em alguns momentos se ouvia uma badalada só, enquanto em outros, até duas ou mais. Parecia mesmo que o toque do sino sublinhava alguma fala relevante. Uma pessoa próxima me disse que os horários do sino eram programados; mas o interessante é que cada badalada, de tão precisa e certeira, parecia assinalar algum momento especial.
O Dr. Dráuzio Varella, por exemplo, que recebeu sua badalada enquanto discorria sobre a experiência que viveu com a malária, na primeira mesa do dia 24 – ao lado da escritora alemã Carmen Stephan, radicada no Brasil e que também contraiu malária – chegou a ficar pensativo por alguns instantes, com um leve sorriso no ar.
No dia 25, enquanto o escritor João Cézar de Castro Rocha nos contava que foi buscar em Shakespeare – principalmente em Ricardo III (e também noutras leituras menos respeitáveis e distantes da obra do bardo inglês, que chegaram a lhe tirar o sono, mas não vale comentar aqui) – a raiz do pensamento radical da extrema direita no mundo hoje, lá veio de novo a badalada: BLÉM! - Meu Deus, o que é isso?? – exclamou o escritor, aos risos, no que foi acompanhado pela plateia.
Em todos os meus anos de FLIP – e olha que são muitos! –, não me recordo de badaladas que tenham assumido tanto protagonismo na Tenda, como as deste ano. O fato é que, de certa forma, a gente ficava esperando para ver quando viria a próxima, e por que razão. E não é que vieram mesmo? Suposições à parte, as incisivas badaladas que ressoaram na Tenda dos Autores, programadas ou não, marcaram sua presença e conquistaram a plateia.
O mais interessante é que, mesmo com a Igreja Matriz fechada para obras há algum tempo, o sino não deixou de participar ativamente de tudo que aconteceu nas mesas da 24ª Flip!











