"A maneira mais simples de dizer isso é: todos nós vamos morrer. A questão é se isso vai acontecer individualmente ou se iremos todos juntos de uma vez só." Foi como Douglas Rushkoff abriu sua palestra nesta sexta-feira (7/8), último dia do Rio Innovation Week 2026, no Píer Mauá. Para o teórico e professor norte-americano, a melhor solução para evitar um colapso climático, social e econômico pode ser "abraçar o apocalipse".
Segundo o autor de "Equipe humana", a aceitação da crise pode ser a melhor saída para a humanidade em direção ao que realmente importa: o cuidado mútuo entre os seres humanos. "E se decidíssemos abraçar o apocalipse? E se aceitássemos que todos nós vamos morrer? Vamos simplesmente cuidar uns dos outros. Assim, reconfiguramos a sociedade para a nossa ajuda mútua", afirmou Rushkoff.
Para ele, a cobertura da crise climática na televisão, por exemplo, em vez de confrontar os problemas contemporâneos que podem levar ao colapso do planeta, apenas contribuiria para a paranoia social. Nessa dinâmica midiática, a atenção se desvia do verdadeiro problema: o clima. Para o professor da Queens College, a mídia, mesmo ao abordar os desafios contemporâneos da sociedade, pode servir como distração em um momento emergencial como este.
Aceitar o apocalipse seria, portanto, confrontar-se verdadeiramente com os problemas e levaria a humanidade à solidariedade e à priorização do cuidado com o outro. "À medida que fazemos isso, à medida que nos tornamos mais paliativos, desaceleramos um pouco. Temos que aceitar que a tragédia está aqui e que estamos passando por tudo isso juntos. Nesse contexto, já estaríamos trabalhando menos, produzindo menos e consumindo menos. Com menos consumo, há menos poluição e, portanto, menos capitalismo. Talvez aceitar o pior e cuidar uns dos outros seja justamente o que vai evitar que o pior aconteça", explicou o autor.
Ao longo da palestra, o intelectual norte-americano contou que chegou a essa conclusão após passar uma madrugada em um quarto de hospital com uma parente distante morrendo de pneumonia. Foi essa experiência de vida e morte que inspirou o escritor a deixar de ser um "agente da mudança" para se tornar um "agente do cuidado" – espécie de ativista paliativo.
Após o painel, a futurista e co-fundadora da White Rabbit, Vanessa Mathias, conduziu um debate com o escritor norte-americano e sintetizou o trabalho de Rushkoff: "Você realmente toca nos grandes temas. Um dos verdadeiros desafios da contemporaneidade é falar sobre esses desafios do capitalismo e imaginar novos futuros nos quais realmente queremos viver", concluiu Vanessa.