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COP30 - Amazônia

EXCLUSIVO: André Corrêa do Lago avalia como extraordinária uma possível COP na China

Em resposta à Plurale, André Corrêa do Lago afirma que uma eventual COP na China seria positiva para as negociações e destaca o papel do país na expansão de soluções de energia renovável

TEXTO DE FELIPE ARARIPE, REPÓRTER ESPECIAL DE PLURALE E SÔNIA ARARIPE, EDITORA DE PLURALE

FOTO DE FELIPE ARARIPE/PLURALE

Foto de Felipe Araripe/Plurale

O Embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, afirmou, em resposta à pergunta de Plurale, que uma eventual decisão da China de sediar a COP33 seria positiva para as negociações climáticas e para a implementação dos compromissos assumidos pelos países. Segundo informações da Bloomberg, as conversas ainda estão em estágio inicial e envolvem o Ministério das Relações Exteriores e autoridades ambientais chinesas. “Seria extraordinário se eles presidissem a COP33. Seria extremamente positivo para as negociações, seria extremamente positivo para a implementação. Vai ser uma decisão do governo chinês, naturalmente, mas eu acredito, como muitos, que seria ótimo”, afirma o Embaixador.

A próxima conferência do clima, a COP31, será realizada em Antália, na Turquia, ainda em 2026. Já a COP32 está prevista para ocorrer em Adis Abeba, na Etiópia, em novembro de 2027. A sede da COP33 ainda não foi definida. Ele explicou que esta definição passa por um alinhamento e aprovação do bloco dos países do continente. Neste caso, será do Bloco asiático.

Corrêa do Lago conversou com a Plurale durante o Congresso Sustentável do CEBDS, realizado no Rio de Janeiro. Em sua palestra, o Embaixador destacou a evolução da China no setor de energia renovável. Segundo ele, depois de o país ser cobrado internacionalmente por suas emissões de carbono - as maiores do mundo, a China avançou de forma significativa e tornou-se o principal país investidor em energias renováveis e soluções em inovação.

Foto de Ana Rosa

Questionado sobre o impacto que uma eventual decisão chinesa de sediar uma conferência da dimensão da COP poderia ter sobre a agenda global de sustentabilidade, o Embaixador ressaltou a capacidade do país de influenciar a redução das emissões em outras nações por meio da escala de suas soluções tecnológicas e industriais: “A China é ao mesmo tempo o país que mais emite e ao mesmo tempo o país que mais está apresentando soluções para diminuir as emissões na China e no resto do mundo. Então, por exemplo, graças à escala chinesa para produzir painéis solares, o preço caiu na África. O positivo do empenho chinês em encontrar soluções econômicas para o combate ao desmatamento, tem um impacto não só sobre as emissões da China, mas também tem um impacto extraordinário sobre o crescimento das emissões em outros países, ou a diminuição de emissões em outros países”.

O presidente da COP30 também afirmou estar animado com a próxima conferência, especialmente diante da divisão de responsabilidades entre Austrália e Turquia e da continuidade da agenda de ação estruturada em Belém para os próximos cinco anos. Na avaliação do Embaixador, a Turquia terá um papel importante na consolidação dessa agenda.

“A agenda de ação tem que funcionar como um agente implementador do GST, que é o Global Stocktake, que é o balanço geral do acordo de Paris com o Dubai. Se a gente já tem um acordo, já temos um consenso sobre esse balanço global e vamos pegar esse balanço global, organizar a agenda de ação em torno desse balanço global e implementar, porque já tem mandato. Agora o meu entusiasmo é com a implementação, a gente não precisa levar para a negociação o que já está negociado”.

Os avanços da COP30

Ao ser questionado sobre os principais avanços da COP30, Corrêa do Lago destacou iniciativas de implementação que, segundo ele, foram capitaneadas pelo governo brasileiro desde o início do processo. Entre elas, citou o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) e os combustíveis sustentáveis.

O Embaixador não mencionou, porém, a não conclusão do mapa do caminho para a transição para longe dos combustíveis fósseis, uma das questões que permaneceram sem consenso em Belém.

“Para a agenda de ação, os avanços do TFFF (Fundo Florestas Tropicais Para Sempre), os avanços de combustíveis sustentáveis, o Brasil na COP30 mostrou vários caminhos que podem ser explorados na implementação, na negociação o Brasil sempre defende uma ampliação de tudo aquilo que ainda está desenvolvido aos países em desenvolvimento, inclusive o financiamento”.







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