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Energia & Crédito Carbono

Congresso Sustentável do CEBDS mostra como agenda climática já define investimentos, mercados e competitividade

Especialistas nacionais e internacionais discutiram como geopolítica, novos padrões globais

de emissões e a transição para uma economia de baixo carbono estão reorganizando

cadeias produtivas e podem redefinir o lugar do Brasil na economia mundial

Rio de Janeiro, 27 de agosto de 2026 — O Conselho Empresarial Brasileiro para

o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) realizou, ontem (26), no Rio de Janeiro, o

Congresso Sustentável, o principal encontro do setor empresarial antes da COP31.

Com o tema "O novo jogo da competitividade global", o evento reuniu lideranças

nacionais e internacionais para discutir os impactos das transformações

climáticas e geopolíticas sobre a economia, os negócios e as estratégias de

desenvolvimento do Brasil.

A programação contou com algumas das principais referências internacionais em

clima e economia, como o ex-presidente do Comitê de Mudanças Climáticas do

Reino Unido, Lord Deben; o CEO do GHG Protocol, Tim Mohin; o ex-diretor-geral

da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo; e o

economista e imortal da Academia Brasileira de Letras, Eduardo Giannetti.

Também participaram o embaixador e presidente da COP30, André Corrêa

do Lago; a CEO da COP30, Ana Toni; a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella

Teixeira; e a presidente do CEBDS e Enviada Especial do Setor Empresarial

para a COP30, Marina Grossi.

Entre os principais temas discutidos estiveram a relação entre geopolítica e

clima, a preservação dos rios voadores e o fortalecimento da resiliência hídrica,

o papel da confiança como ativo estratégico para as empresas, as mudanças no

GHG Protocol e soluções para acelerar a transição para uma economia de baixo carbono.

Um dos destaques da programação foi o

painel sobre a Carta aos Presidenciáveis,

documento organizado pelo CEBDS com o objetivo

de propor uma agenda de longo prazo para o Brasil

e apontar políticas públicas capazes de transformar a

sustentabilidade em vetor de competitividade, atração

de investimentos e desenvolvimento econômico.

Principais reflexões apresentadas no Congresso Sustentável

Marina Grossi, presidente do CEBDS

"No setor privado, a gente tem a visão de longo prazo que

o Brasil precisa, porque o setor privado precisa investir

para 30, 40 anos. Não é só exportar commodities, mas

também os nossos minerais críticos, os nossos minerais

que têm valor, seja por crédito de carbono, por pagamento

de serviços ambientais, em milhares de formas. A gente está

precificando o ativo que a gente tem, mas precisa passar da nossa vantagem

comparativa para a competitiva. Isso exige tecnologia e investimentos, e é por isso que

estamos com uma série de projetos conversando com investidores, porque precisamos dar

escala a esses investimentos."

Lord Deben, ex-presidente do Comitê de Mudanças Climáticas do Reino Unido


"O mundo é inteiramente incerto. Você não tem absolutamente nenhuma ideia do que vai

acontecer e, portanto, deve sempre procurar as certezas. Porque, se você acertar as certezas,

estará forte o suficiente para lidar com as incertezas. E uma certeza é a mudança climática. Não

é algo que vai desaparecer. Se você não construir seu negócio em torno dessas certezas, isso,

sem dúvida, vai comprometer o seu futuro."

"O papel dos negócios é avançar o tempo todo, à frente da curva, mas sendo lucrativos.

Eu acredito fundamentalmente no lucro. Se você não tem lucro, não estará aqui amanhã. E, se

não estiver aqui amanhã, não poderá continuar desempenhando o papel tão importante

que as melhores empresas desempenham nessa batalha contra a mudança climática.

Portanto, não vamos rir do lucro. O lucro é crucial."

Tim Mohin, CEO do GHG Protocol

"Padrões não devem significar mais burocracia.

Eles devem facilitar e acelerar a descarbonização.

Formamos uma parceria com a International Organization

for Standardization (ISO) e, apenas três semanas

atrás, anunciamos que todos os nossos

padrões de inventários corporativos — Escopo 1,

Escopo 2, Escopo 3, medidas e instrumentos

alternativos, ações e instrumentos baseados

no mercado — serão combinados em um único

padrão. Esse padrão, então, será integrado

à norma ISO 14064-1. Tudo isso vai criar

uma única linguagem global comum para

inventários de carbono em todo o mundo."

"É preciso entender por que essa transição

da divulgação voluntária para a obrigatória

[de emissões de carbono] está acontecendo.

E isso realmente se resume, mais uma vez,

a uma palavra: investidores. Os investidores

querem essas informações. Por que querem

informações sobre clima? Porque a mudança

climática é real. Nós a vemos todos os dias.

Vemos os riscos, vemos os custos, mas também

vemos as oportunidades. E, assim como

qualquer risco material ou qualquer oportunidade material, isso precisa ser divulgado

nas informações financeiras de uma empresa."


André Corrêa do Lago, presidente da COP30

"Na COP30, conseguimos deixar muito claro que as regras estritas foram criadas para a negociação, mas não necessariamente para a implementação. A Agenda de Ação trata justamente da implementação do que já foi negociado. Se uma decisão já foi tomada e existe um mandato, é possível implementá-la da maneira viável. Nesse processo, entram novos grupos e coalizões capazes de dar mais dinamismo à ação climática. Um exemplo é o TFFF, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado pelo Brasil."

Eduardo Giannetti, economista e imortal da Academia Brasileira de Letras

"A polarização política em que nós entramos desvia a atenção da sociedade, do debate público, das nossas reais questões e ambições e transforma o espaço público num ambiente muito carregado e de diálogo interditado. A nossa polarização política até agora não conseguiu construir um ambiente menos tóxico para a gente pensar questões do longo prazo brasileiro."

Roberto Azevêdo, diplomata de carreira e ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC)

"O mercado interno e a decisão não podem ser tomados olhando apenas para o Brasil. Tem que pensar no mercado global. Tudo que tem a ver com o clima precisa de soluções globais. O empresariado brasileiro, o próprio agronegócio, por exemplo, que está muito no centro da discussão climática, tem que pensar no mercado global, tem que pensar que os padrões internacionais vão se aplicar. O acesso ao mercado vai passar pela agenda climática também."

Solange Ribeiro, vice-presidente da Neoenergia

"A geopolítica deixou de ser apenas uma agenda política e passou a fazer parte da agenda empresarial: onde investir, como produzir, de quem comprar, como organizar a cadeia de suprimentos e de que maneira trabalhar com as inovações tecnológicas. A mudança climática transformou ainda mais a nossa forma de avaliar os investimentos."

Carta aos Presidenciáveis

Durante o Congresso Sustentável, o CEBDS também apresentou a Carta aos Presidenciáveis, que reúne propostas do setor empresarial para fortalecer a competitividade brasileira por meio do desenvolvimento sustentável. Para Marina Grossi, a construção de uma agenda de longo prazo exige maior articulação entre governo e setor privado:

"Para que essa nossa agenda vire uma agenda de Estado, a gente tem que ter uma governança melhor, onde o setor privado seja convidado, não só na hora da implementação e da execução, mas para construir."

"A Carta não termina quando é entregue aos candidatos. Ela continua dentro da instituição, e o nosso papel é fazer essa articulação para a implementação concreta. Isso envolve mostrar as vantagens das propostas, trabalhar com métricas e metodologias e colocar à disposição estudos e instrumentos que contribuam para que essa agenda avance."








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