Por Maurette Brandt, Colunista de Plurale (*)

Às duas horas e três minutos do dia 8 de setembro de 2026, escrevo, sem pauta musical, minha canção para você. Mesmo que não pareça ser uma canção, tem ritmo e tom - e é para você, que entrou na minha vida nas ondas da Rádio Mundial, na mesma época em que eu aprendia inglês e abraçava os arroubos da adolescência. Levon foi sua primeira canção que ouvi, no velho rádio que morava na salinha de retoque do meu avô fotógrafo; e bastou para que eu te reconhecesse em cada uma das outras que, em sucessão, me preenchiam e me encantavam, como Rocket Man, Goodbye Yellow Brick Road, Skyline PIdgeon, Your Soung e tantas, tantas outras que respiram em discos de vinil e CDs, bem ao alcance da mão. Sua voz era como uma sensação amiga, uma conexão que fazia sonhar, sentir as coisas de forma diferente. Você, com seu timbre particular, atravessou todas as fases da minha vida até agora, nas canções e trilhas sonoras.
Diante da tela do Rock’n’Rio, contemplo seu rosto, seu terno amarelo, camisa azul, o mesmo carisma e elegância. Que alegria estar tão perto da tela para observar seus gestos, a emoção, a felicidade que dava para ler nos olhos e na expressão. Sim, você merece um mar de gente como aquele que foi te ver ao vivo. Nas entrevistas prévias do dia, os repórteres de plantão entrevistaram famílias inteiras que estavam lá só para te ver. O mar de gente cantando, ou fazendo um silêncio respeitoso e profundo, era pura emoção. Que felicidade. O bom é que a tela da tevê e a transmissão ao vivo são milagres nada pequenos, quando se trata do sentimento de um fã que assim consegue se conectar com o amigo em que você se transformou. Um amigo que jamais se fez distante. Que acalmava, com sua voz resoluta, qualquer embaraço ou tristeza. Era assim que sempre me senti, no conforto do seu talento e poética.
Na primeira vez que você veio ao Rio, eu até comprei um ingresso, mas houve um desvio inevitável e acabei não indo. Sim, fiquei frustrada, mas obriguei meu coração a raciocinar, ainda que de um modo meio torno: da arquibancada longínqua, como é que eu conseguiria te “ver” de verdade?
O tempo passou, mas você não. E sempre esteve comigo. Nesta noite gloriosa, eu me senti bem perto do seu coração selvagem e de sua ternura profunda. Nos momentos em que a multidão silenciava, eu percebia aquela onda de amor e respeito que se desenrolava no espaço. E, quando todos cantavam, eu compartilhava a alegria deles e também a sua. Sim, porque a sua alegria e emoção eram muito visíveis.
Seu concerto, que eu não poderia chamar simplesmente de “show”, foi profundo demais. Era como uma janela que se abria em todas as direções da minha vida, desde que te conheci musicalmente. Foi assim que senti cada canção relembrada, na versão original ou repaginada e decorada com ritmos criativos. Olhar para você, diante da tela, era como estar aninhada no seio do seu talento e multiplicidade.
Ver você e sua banda fabulosa no centro daquele palco imensurável, diante de tanta gente feliz, num momento tão especial, foi emoção, alegria, saudade boa - e ver rebrotarem as letras que jamais esqueceria, com uma velocidade mental que eu não suspeitava ter. Até para terminar o espetáculo, você trouxe um sorriso, um abraço enorme, um carinho incrível – e visível – pelas pessoas que estavam lá e as que, como eu, estavam a alguns quilômetros de distância, mas perto do coração.
Eu agradeço por tudo que suas canções e sua voz têm me trazido, ao longo da vida. E agradeço, sobretudo, pela alegria de hoje. Não consigo interpretar um momento como este como algo comum; não, longe disso. Foi um momento único para todo mundo que tinha olhos para ver, lembranças a brotar, lágrimas de emoção ou de alegria. Tenho certeza que você entende isto muito bem.
Por tudo isto e muito mais, me estendi pela madrugada pra te dizer o quanto a vida é maravilhosa porque você existe neste mundo, como já escreveu um letrista muito especial para mim (e que você conhece como ninguém).
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