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Da intenção ao impacto: o desafio de provar o valor da sustentabilidade

Por Flávia Ribeiro, Colunista de Plurale

Medir o impacto de um investimento socioambiental é um dos principais desafios dos gestores para acelerar o avanço da Sustentabilidade integrada aos negócios. No entanto, calcular o retorno financeiro e acompanhar indicadores de implementação de projetos exige uma metodologia criteriosa para que essa mensuração seja realista e eficaz.

Durante o ROG 2026 (Rio Oil & Gas Energy), o especialista da Petrobras, Gregório Maciel, apresentou a metodologia aplicada há 7 anos em parceria com o IDIS, para a avaliação dos resultados do Programa Petrobras Socioambiental, iniciativa que reúne investimentos voluntários da companhia em projetos de conservação e desenvolvimento socioambiental.

A Petrobras vem utilizando o SROI e a Análise Custo-Benefício (ACB), associadas à Teoria da Mudança para analisar o impacto de sua carteira de investimentos socioambientais. A ideia é monetizar o valor social gerado dos projetos apoiados. Na metodologia apresentada, R$ 1 investido corresponde, em média, a R$ 6,15 em valor social gerado.

Ao longo de sete anos, foram avaliados 26 projetos, sendo 13 na linha de Oceanos e 13 na linha de Florestas. O conjunto representa R$ 101,5 milhões em investimentos e R$ 624,6 milhões em valor social gerado. A avaliação também revelou que os impactos não são homogêneos. Nos projetos de Oceanos, 78% dos benefícios identificados são puramente ambientais, com forte relação entre investimento e retorno. Já nos projetos de Florestas, 31% dos benefícios são ambientais e 69% sociais ou educacionais, envolvendo comunidades, territórios e cultura.

A metodologia combina dados primários, como entrevistas com beneficiários, e dados secundários sobre os serviços ecossistêmicos. Para Gregório Maciel, a evolução dessas métricas é importante porque monitorar atividades, isoladamente, não revela o impacto social. “As novas agendas de biodiversidade, clima e território exigem evidências capazes de demonstrar não apenas quanto foi investido, mas que transformação esse investimento produziu”.

Segundo Maciel, estão previstos R$ 1,4 bilhão em investimentos até 2030, com atuação em frentes como florestas, oceanos, desenvolvimento econômico sustentável e educação. "Colocar um preço em um serviço ecossistêmicos é muito difícil. Mapear o retorno sobre o investimento social (Social Return on Investment – SROI) e analisar o custo-benefício dessas iniciativas podem transformar impactos socioambientais em evidências para a tomada de decisão", destacou.

A pesquisa “Panorama da Sustentabilidade 2026”, realizada pela Amcham Brasil e Humanizadas, revelou que para 44% das lideranças ouvidas, demonstrar e quantificar o retorno financeiro da sustentabilidade é atualmente o principal obstáculo para o avanço da pauta nas organizações. Enquanto 74% das empresas reconhecem o valor real da sustentabilidade (sobretudo em ganho reputacional, eficiência de processos e redução de custos), apenas 34% conseguem demonstrar o retorno financeiro de forma estruturada.

A experiência da Petrobras apresentada no ROG 2026 reforça que transformar impacto socioambiental em informação ajuda empresas a decidir, prestar contas e gerar valor no longo prazo. Nunca foi tão importante aprender a medir os resultados das ações. No entanto, isso não revela o impacto: empresas precisam demonstrar causalidade, adicionalidade, impacto e valor para a sociedade.

(*) Os artigos de opinião são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião de Plurale.







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